MDB ameaça mexer em nominata e retirar candidatura do filho de Álvaro Dias
Natal, RN 19 de jun 2024

MDB ameaça mexer em nominata e retirar candidatura do filho de Álvaro Dias

14 de setembro de 2022
4min
MDB ameaça mexer em nominata e retirar candidatura do filho de Álvaro Dias

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O presidente estadual do MDB e candidato a vice-governador na chapa de Fátima Bezerra (PT), Walter Alves (MDB), ameaça mexer na nominata do partido para impedir a eleição de Adjuto Dias para deputado estadual. Adjuto é filho do prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), que declarou apoio nesta terça-feira (13) a Fábio Dantas (SD) para governador. Caso a mudança na nominata se concretize, seria uma “vingança” de Walter contra Álvaro.

Oficialmente, Alves não tem comentado nada sobre a possibilidade. O que se sabe é que foi o próprio Álvaro Dias que montou a nominata de deputados estaduais e federais do MDB, mesmo sendo de outra sigla, sob a condição de se manter neutro na disputa para governo do RN.

O prefeito esteve no MDB de 2011 a 2020, até migrar para o PSDB. Ao montar a lista de candidatos, seu maior objetivo foi favorecer o filho, Adjuto, para que chegasse à Assembleia Legislativa. Ele já tentou ser eleito em 2018 mas, mesmo com o apoio do pai, que já era prefeito de Natal à época, não obteve êxito. Ao ficar neutro, manteria seu lugar na oposição a Fátima Bezerra e não criaria nenhum constrangimento com o MDB, da situação.

A mudança de postura do prefeito veio após insatisfações em relação a distribuição dos fundos partidário e eleitoral do MDB aos candidatos. A sigla priorizou somente os candidatos a deputado federal, incluindo no meio o pai de Walter, Garibaldi Filho. Já Adjuto não recebeu nada do partido e conta somente com doações de pessoas físicas. 

Até o momento, Adjuto tem somente R$53.000,00 para fazer campanha. O MDB apresentou a prestação de contas parcial nesta terça (13) e manteve a política de privilegiar somente os candidatos a deputado federal.

Nesta eleição, a sigla lançou 24 pessoas para deputado estadual e nove para federal. Todos os concorrentes à Câmara receberam verbas do partido, seja diretamente da Executiva Nacional, seja da Estadual. As doações totais para os candidatos a deputado federal foram de R$ 7.769.825.70. O maior beneficiado com o dinheiro do financiamento público de campanha foi Dr. Pio, ex-prefeito de Luís Gomes, no Alto Oeste potiguar. O médico recebeu R$ 1,75 milhão.

Outros que receberam grandes quantias incluem Kaline Amorim, esposa do deputado estadual Bernardo Amorim (PSDB) e se apresenta nas urnas como “Kaline de Dr. Bernardo”. Para ela, o partido destinou pouco menos de R$ 1,7 milhão. Garibaldi Filho, pai de Walter Alves, é outra promessa de receber alto número de votos e recebeu R$ 1,62 milhão.

Segundo uma fonte ouvida pela agência Saiba Mais, Walter ainda tentou buscar financiamento para a nominata de candidatos a deputado estadual, mas não conseguiu. A “regra nacional” no MDB, disse, é sobreviver em Brasília e priorizar somente a eleição de deputados federais.

Sentindo um desprestígio com o filho, Álvaro estaria desarticulando apoios recebidos por Garibaldi como forma de dar um troco. "Se o prefeito esticar a corda e mexer nas bases eleitorais de Garibaldi, vai ter uma resposta, mas não juridicamente”, disse a mesma fonte. O “troco” seria com outros trâmites legais, sem ter que utilizar diretamente a estrutura do MDB, e a busca de outros apoios para reestruturar a campanha. 

Herdeiro de uma tradição política no Estado potiguar, Garibaldi tenta retornar à Brasília após quatro anos. Em 2018, ele ocupava o cargo de senador e tentou reeleição para uma das duas vagas disponíveis, mas acabou ficando em quarto lugar. Os vencedores foram Styvenson Valentim (ex-REDE, hoje no PODE) e Zenaide Maia (ex-PHS, hoje no PROS).

Na coletiva de imprensa em que sacramentou seu apoio a Fábio Dantas (SD), Álvaro expôs o ressentimento com o MDB e falou que o partido age com “discriminação” com os candidatos a deputado estadual. 

Sobre manter seu apoio a Garibaldi para deputado federal, o tucano disse que se trata de uma “via de mão dupla”. “Adjuto me disse que está esperando a contribuição para a eleição. Isso é via de mão dupla. Política, você ajuda e é ajudado. Adjuto, da forma que receber ajuda do MDB, também saberá retribuir”, afirmou na ocasião.

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