DEMOCRACIA

Nordeste: onda progressista se mantém para Lula, mas desacelera em governos estaduais

Há quatro anos, o Brasil viu Jair Bolsonaro (então no PSL, hoje no PL) ser eleito presidente, sendo o mais votado em 15 Estados e no Distrito Federal. Apesar dos números vitoriosos, uma região em especial foi o “calcanhar de aquiles” do militar: o Nordeste, onde Fernando Haddad (PT) ganhou nos nove estados. A se confirmar os números de 2022, apontados por pesquisas de intenção de votos, Lula deve vencer no Nordeste este ano. Outra vitória importante para o PT deve ser a reeleição de Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte.

Em 2018, Haddad teve 69,7% dos votos válidos do Nordeste no segundo turno, enquanto Bolsonaro registrou 30,3%. Agora, na pesquisa de intenção de votos do primeiro turno na mesma região, o ex-presidente surge com 57% e deve derrotar Bolsonaro, que aparece 25% segundo dados do Ipec. Nacionalmente, Lula tem 44% no primeiro turno e Bolsonaro, 32%.

Nas disputas aos governos estaduais, os partidos progressistas também levaram a melhor na região. O PT, por exemplo, conquistou algo inédito em 2018: a vitória em quatro estados do Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte. Os potiguares ainda fizeram outra marca importante: o RN foi o único estado do Brasil a eleger uma mulher naquela eleição, Fátima Bezerra.

Além dos quatro estados em que saiu com resultado exitoso, o PT ainda estava nas coligações vitoriosas dos outros cinco estados. Foi um triunfo inédito, que levou o partido de Lula a governar direta ou indiretamente todo o Nordeste.

Cenário hoje

Passados quatro anos, a região pode eleger novamente candidatos do chamado “campo progressista”, mas sem a mesma força de 2018. Um dos cenários mais favoráveis é justamente no Rio Grande do Norte, onde Bezerra lidera com 46%, segundo a pesquisa Ipec, e tem chances de ser eleita no primeiro turno. Ela deixa para trás o senador Styvenson Valentim (PODE), que está em segundo com 15%. O candidato oficial de Bolsonaro no Estado, Fábio Dantas (SD), registrou apenas 9%.

Fátima é, segundo os principais levantamentos, a única do partido que deve ocupar um cargo no Executivo estadual pelo Nordeste. O campo progressista aparece ainda bem situado em outros quatro estados, mas com siglas diferentes.

Em Alagoas, o governo deve seguir nas mãos do MDB. Em 2018, o partido reelegeu Renan Filho tendo o PT como aliado. Agora, Filho concorre como candidato a senador e lançou Paulo Dantas como seu sucessor. A coligação inclui, além do próprio MDB, a Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PCdoB e PV), além de PDT, PSC, PODE e SD. Em pesquisa realizada pela Fundepes, Paulo Dantas lidera com 34,5%. Em seguida está Fernando Collor (PTB), com 22,98%.

Outro estado vitorioso para o campo progressista deve ser o Maranhão do governador Flávio Dino (eleito pelo PCdoB, hoje no PSB). Entusiasta das frentes amplas, o governador armou mais uma vez um grande arco de alianças à esquerda e à direita que pode levar seu vice, Carlos Brandão (PSB), como vencedor. Ainda assim, os progressistas estão divididos. 

O PDT, que estava na chapa vitoriosa de 2018, deixou o grupo e decidiu lançar uma candidatura própria por meio do senador Wewerton Rocha.  Na pesquisa Ipec realizada lá, Carlos Brandão lidera com 28%. Weverton está em segundo com 16%, empatado tecnicamente com o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Junior (PSD), que acumulou 14%.

Nos demais estados em que o campo progressista deve vencer, o cenário é de rompimentos. Na Paraíba, o governador João Azevêdo disputa a reeleição e aparece em primeiro na corrida com 32%, de acordo com o Ipec. Ele ganhou há quatro anos numa frente que reunia PSB / PDT / PT / DEM / PTB / PRP / PODE / PRB / PC do B / AVANTE / PPS / REDE / PMN / PROS. Chegada uma nova eleição, o PT se uniu ao MDB, numa costura próxima ao do RN, e fechou parceria com Veneziano Vital do Rêgo, indicando a ex-primeira-dama de João Pessoa, Maísa Cartaxo, como vice. 

Mesmo com a divisão, João Azevêdo Lins conseguiu manter a primeira colocação na pesquisa Ipec, e aparece com 32%. Já Veneziano (MDB) está apenas em quarto lugar, com 14%, embolado e empatado tecnicamente com Pedro Cunha Lima (PSDB), com 16%, e Nilvan Ferreira (PL), que possui 15% das intenções de voto.

Já em Pernambuco, a eleição envolve disputas familiares. A atual líder das pesquisas é Marília Arraes (SD), que possui 33% de acordo com o último levantamento do Ipesp. Em 2018, ainda quando estava no PT, ela anunciou a pré-candidatura ao Governo, mas o projeto não foi adiante por imposição nacional da sigla, que preferiu apoiar a reeleição do governador Paulo Câmara (PSB) em troca da neutralidade do PSB na disputa presidencial.

Crítica contumaz do PSB, ela ainda concorreu à Prefeitura do Recife em 2020, mas perdeu a eleição para o primo João Campos. Já neste ano, o PT decidiu apoiar a candidatura do deputado federal pessebista Danilo Cabral ao governo. Marília se postulava novamente como governadorável e viu o apoio como o estopim para sair da sigla. Ela deixou o PT após seis anos e se filiou ao Solidariedade. Agora, segundo pesquisa do Ipec, ela lidera com 33%. Já Danilo Cabral aparece distante, em quinto lugar, com 6%.

Possíveis derrotas

Caso o panorama atual das pesquisas se mantenha estável, uma derrota acachapante para o PT deve ser na Bahia. O partido governa o estado desde 2007, primeiro com Jacques Wagner e depois com Rui Costa. Para tentar suceder Costa, a sigla lançou o neófito em disputas Jerônimo Rodrigues. Sua trajetória política está ligada às secretarias estaduais. Considerado homem de confiança do governador Rui Costa, Jerônimo foi secretário estadual do Desenvolvimento Rural entre 2015 e 2019, e da Educação de 2019 até este ano, quando se desligou para concorrer às eleições. 

Na pesquisa Ipec, a liderança isolada é do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UNIÃO), que possui 56% das intenções e poderia vencer ainda no primeiro turno. Jerônimo aparece distante, com 13%, empatado tecnicamente no limite da margem de erro com o ex-ministro do governo Bolsonaro, João Roma (PL), que tem 7%.

Já no Ceará, uma nova fratura política pode distanciar a esquerda do poder. Quem lidera até o momento por lá é o deputado federal Capitão Wagner (UNIÃO), com 37%, segundo o Instituto Ipespe. Aliados nas eleições de 2018, PT e PDT decidiram lançar candidatos próprios e pulverizaram os votos progressistas. O ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT) tenta agora governar o Estado e registra 25%. Já o PT apostou as fichas no deputado estadual Elmano de Freitas, que tem no momento 20% de intenções de voto. Quatro anos atrás, os dois partidos participaram da chapa vitoriosa que levou Camilo Santana (PT) à cadeira de governador, com a professora Izolda Cela (PDT) de vice. 

Enquanto isso, outra derrota apontada até o momento pela pesquisa Ipec é no Piauí, estado onde o PT venceu o governo com chapa pura em 2018. Wellington Dias não poderia disputar novamente, já que ocupou dois mandatos seguidos. Em março, ele renunciou para concorrer a senador e entregou o cargo para a vice e também petista Regina Sousa. 

O nome escolhido para representar o partido na eleição para o governo, entretanto, não foi o de Sousa, e sim o do ex-secretário estadual da Fazenda do Piauí, Rafael Fonteles. Na pesquisa Ipec, Fonteles aparece em segundo lugar com 23%. A liderança é ocupada até o momento por Sílvio Mendes (UNIÃO).

Já em Sergipe, o PT está na vice-governadoria com Eliane Aquino e lançou a candidatura própria do senador Rogério Carvalho para o governo. O atual governador Belivaldo Chagas (PSD) poderia disputar reeleição mas não o fez, e lançou Fábio Mitidieri, do mesmo partido, para o Governo. Escanteado, o PT apostou no nome já conhecido do atual senador Rogério Carvalho. Na mais recente pesquisa Ipec, nenhum dos dois lidera a pesquisa. O primeiro colocado é Valmir de Francisquinho (PL), com 29%. Fábio (PSD) surge em segundo com 16%, e Rogério está com 12%.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo