CIDADANIA

Professora da UFRN foi primeira a trabalhar com fósseis de nova espécie de dinossauro descoberta no Brasil

Uma nova espécie de dinossauro, nomeado de Ibirania parva, foi descoberta no Brasil. A novidade é resultado de um trabalho desenvolvido desde 2008 por doze pesquisadores, entre eles a professora do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Aline Marcele Ghilardi, segunda autora do trabalho, que foi coordenado por Bruno Navarro (USP).

A descrição da nova espécie foi publicada no dia 15 de setembro no artigo A New Nanoid Titanosaur (Dinosauria: Sauropoda) From the Upper Cretaceous of Brazil pela revista científica Ameghiniana. Trata-se do primeiro saurópode (pescoçudo) anão das Américas.

O nome Ibrania é a junção das palavras Ibirá – cidade onde a espécie foi encontrada – e ania que em grego significa “caminhante, peregrino”. Já parva é o latim para ‘pequeno’. Como a palavra Ibirá vem do Tupi – significando “Árvore” – podemos traduzir o nome desse dino como “o pequeno peregrino das árvores”. Ele também recebeu o apelido de Bilbo – uma referência ao protagonista de O Hobbit e sua altura diminuta. Eles medem de 5 a 6 metros de comprimento e têm altura similar à de uma vaca.

Aline Ghilardi Foto: Divulgação

Aline Ghilardi fez graduação, mestrado e pós-doutorado na Universidade Federal de São Carlos, interior de São Paulo, tendo passado pelo doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e conta que foi a primeira a trabalhar com os fósseis do pequeno dinossauro pescoçudo na cidade de Ibirá, São Paulo.

“Eu que limpei, identifiquei eles pela primeira vez. À época, a gente não tinha muita coisa de dinossauros pescoçudos descritos pra região onde esse material foi encontrado. Então não foi possível identificar se seria uma nova espécie e a que grupo pertenceria. De fato, era um material diferente de outros dinossauros pescoçudos, mas foi o máximo que eu consegui chegar na época”, lembra a pesquisadora, destacando que estava ainda na graduação de Ciências Biológicas, e usou o estudo em seu trabalho de conclusão de curso, com a supervisão do professor Marcelo Adorna Fernandes.

Novos ossos foram encontrados entre 2009 e 2016 de pelo menos três indivíduos diferentes no mesmo local.

Um dos ossos de Ibirania parva ainda no sítio, no momento da descoberta. Foto: Aline Ghilardi

Algum tempo depois, Bruno Navarro, atualmente doutorando em Zoologia pela USP, tornou-se responsável pela pesquisa para a descrição completa do material. “O processo passa por uma série de análises e cada um dos nossos colegas que assinam o trabalho também são competentes nessas diferentes áreas e a gente realizou análises de sistemática, morfológicas, histológicas do tecido fossilizado, pra poder reconhecer e descrever o máximo possível desse dinossauro”.

Desde 2019 na UFRN, Aline ressalta que parte das análises mais avançadas que ela fez do material foi em Natal, inclusive há amostras histológicas na coleção do Laboratório de Paleontologia do Departamento de Geologia. A maior parte do material está depositada no Laboratório de Paleocologia e Paleoicnologia da UFSCar e outros estão no Laboratório de Paleontologia de Monte Alto, também no estado de São Paulo.

Tamanho de Ibirania parva | Arte: Sérgio Lages

Os coautores que completam o trabalho são Tito Aureliano, Verónica Díez Díaz, Kamila L. N. Bandeira, André G. S. Cattaruzzi, Fabiano V. Iori, Ariel M. Martine, Alberto B. Carvalho, Luiz E. Anelli e Hussam Zaher.

“O interessante é que, com esse trabalho, a gente sai daquela forma tradicional de descrever espécies que simplesmente é olhar a forma dos ossos, identificar o que tem de diferente e dar um novo nome. Não. A gente explora mais. A gente quis saber como era a ecologia do animal, a fisiologia, como ele crescia, se ele de fato era anão. Então a gente investigou vários aspectos da vida desse animal”, ressalta Aline Ghilardi, ao nomear o que fizeram de Nova Paleontologia, “uma Paleontologia do século 21”.

Aline Ghilardi | Foto: Divulgação

“A gente não dá só nome pra essas figurinhas que viveram no passado. A gente quer saber como elas eram, como elas viviam, aonde elas viviam e, por isso, muitas cabeças envolvidas nesse estudo. Foi uma parceria muito instigante. Feliz que tenha resultado em um trabalho tão legal”, conclui a pesquisadora.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais