CIDADANIA

RN tem menor cobertura vacinal contra poliomielite do Nordeste e emite alerta de risco

O Rio Grande do Norte é o estado com menor índice de cobertura vacinal contra a poliomielite do Nordeste e está em alto risco de reintrodução da doença. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), apenas 24% do público-alvo, que é de crianças entre 1 e 5 anos de idade, foi imunizado. No Ministério da Saúde, a informação diverge um pouco, apontando 25,32% na manhã deste sábado (10), mas ainda atrás dos demais estados da região.

O Maranhão tem 34,46% da vacinação efetuada; Bahia, 36,28%; Piauí, 49,11%; Pernambuco, 52,01%; Ceará, 53,32%; Sergipe, 56,39%; Paraíba, 60,91%; e Alagoas é o que tem maior percentual do Brasil, com 62,71%.

As unidades federativas com pior desempenho são Roraima, com 15,65%; Acre, com 18,42%; Rio de Janeiro, 23,87%; e colado com o RN, o Distrito Federal, com 24,92%.

Fonte: Ministério da Saúde 10/9/2022

O Ministério da Saúde estima que mais de 185 mil crianças devem ser vacinadas no Rio Grande do Norte, mas apenas 47.029 doses foram aplicadas. Um alerta foi emitido na sexta-feira (9) aos municípios potiguares pela gestão estadual de saúde para solicitar esforços no alcance das metas dessa vacinação.

A baixa adesão em todo o país forçou a prorrogação da campanha nacional de 2022, que terminaria no dia 9, até o dia 30 de setembro.

No Brasil, o último caso detectado foi em 1989, na Paraíba, mesmo ano em que a doença apareceu pela última vez no Rio Grande do Norte, com um registro em São José do Seridó.

Nas Américas, isso ocorreu em 1991, no Peru, e o continente recebeu o Certificado da Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem em 1994, graças à vacinação.

Em nota, a Sesap-RN lembra que a poliomielite é uma doença infectocontagiosa viral aguda, que provoca paralisia, geralmente nos membros inferiores. A doença não tem cura e é causada pelo poliovírus e pode ser transmitida por contato direto pessoa a pessoa, de forma mais frequente pela via fecal-oral, mas também por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, através de gotículas ao falar, tossir ou espirrar.

“Nós da Sesap encaramos a poliomielite com esse grave risco iminente de circulação do vírus em nosso país. Desde a erradicação, nunca havíamos tido uma cobertura vacinal tão frágil como a de hoje em dia. Essa cobertura baixa e o aparecimento da doença em outros países, como os Estados Unidos, nos coloca numa situação de alto grau de vulnerabilidade e se não avançarmos com a proteção a partir do processo de vacinação estaremos na vulneráveis ao retorno dessa doença que pode deixar sequelas irreversíveis a nossas crianças”, declarou a coordenadora de Vigilância em Saúde, Kelly Lima.

O estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos, decretou na sexta-feira estado de emergência após agente infeccioso que causa paralisia infantil ser descoberto em esgotos de quatro municípios. Primeiro caso da doença em uma década foi confirmado no país em julho. A medida aumentará a disponibilidade de recursos, incluindo a expansão da rede de administradores de vacinas.

Dia D de Vacinação

O Dia “D” de mobilização estadual será realizado no próximo dia 17 de setembro. A intenção é ampliar o horário de funcionamento nos postos durante o sábado ou em outros horários oportunos, como o turno da noite. Entre outras ações, o Estado sugere a busca ativa por meio das equipes de estratégia de saúde da família e parcerias com outros setores estratégicos para divulgação, como escolas, igrejas e sindicatos.

A vacina contra a poliomielite é indicada para crianças de 1 a menores de 5 anos. O esquema vacinal do Calendário Nacional de Vacinação é composto por três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), administradas aos dois, quatro e seis meses, com a vacina oral poliomielite (VOP) aos 15 meses e aos 4 anos de idade. A meta de cobertura vacinal maior ou igual a 95% deve ser alcançada em todos os municípios brasileiros, tanto na rotina quanto na campanha.

A Sesap destaca que desde o início do século XX o programa nacional de imunização e as ações de vigilância tem conseguido interromper a transmissão da poliomielite. Porém, o abandono na vacinação de rotina tem sido preocupante, por representar o risco a que está submetida a pessoa não vacinada, pela possível falha no processo de imunização em razão de esquema vacinal incompleto. O percentual de crianças vacinadas no RN em 2021 foi de 69,88%.

Confira as vacinas disponíveis na Campanha de Multivacinação 2022: 

Para crianças até os sete anos de idade: BCG, Hepatite B, PENTA (DTP/Hib/ HB), Polio, Rotavírus, Pneumocócica 10 valente (Conjugada), Meningocócica C (Conjugada), Febre amarela, Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola- SCR), Tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela-SCRV), DTP, Hepatite A, Varicela.  

Para crianças a partir de sete anos e adolescentes: Hepatite B, Febre amarela, Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola-SCR), Difteria e tétano adulto, dTpa, Meningocócica ACWY (Conjugada), Meningocócica C (Conjugada), HPV quadrivalente, Varicela. 

 

*Com informações da Sesap e Ministério da Saúde.

 

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais