DEMOCRACIA

Styvenson dá “graças a Deus” por privatização da Petrobras; mais de 10 mil empregos já foram perdidos com saída da empresa, segundo sindicalista

O senador e candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Capitão Styvenson (PODE), deu “graças a Deus” pela saída da Petrobras do Estado e a entrada da iniciativa privada nos campos de petróleo da empresa. A fala aconteceu durante o debate dos governadoráveis realizados pela InterTV Cabugi na noite desta terça-feira (27).

Desde que a privatização iniciou, a redução de empregos na Petrobras foi alta: mais de 10 mil terceirizados foram demitidos e quase 3 mi trabalhadores próprios foram transferidos ou demitidos, segundo o diretor do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro-RN), Pedro Lucio Gois. A estatal viveu seu período áureo no RN em 2012 e, com os desinvestismentos, passou também por uma queda vertiginosa na produção. 

“Sobre a Petrobras, os momentos de ouro que ela teve, a gente consegue enxergar que 40% era do PIB. O que a gente não consegue ver é que não houve melhora nenhuma em quem recebia esses royalties, como Macau, Guamaré, cidades que ficaram na penúria. Então foram mal utilizados esses recursos”, afirmou. “Mais uma vez a Petrobras foi expropriada, como foi no governo do PT, como foi roubada em R$ 60 bilhões. Infelizmente, e dou graças a Deus que a Petrobras deixou nosso Estado e a iniciativa privada entrou. Eu sou favorável à privatização e desestatização, para não virar cabide de emprego”, disse o candidato.

A celebração pela desestatização da empresa foi em resposta a uma pergunta feita por Danniel Morais (PSOL), sobre como potencializar o gás no Estado. Styvenson ainda disse que “quando a Petrobras foi embora, foi lástimas, um chororô. Mas veio uma empresa privada, que vai fazer um investimento de R$ 4,8 bilhões no nosso Estado, que vai gerar emprego com iniciativa privada”.

Morais criticou, lamentando a “política de desmonte” vivenciada pela empresa. “Considerando a política de desmonte da Petrobras no Brasil e no Rio Grande do Norte, a Petrobras já chegou a ser 40% do PIB do nosso Estado. Isso é uma lástima que o presidente Bolsonaro fez, e é necessário que a gente volte a lutar para que a Petrobras invista no Rio Grande do Norte e retome os postos de empregos que se perderam e a importância que a Petrobras tem aqui”, defendeu o pessolista. 

Queda vertiginosa de empregos e produção

A saída da Petrobras do RN é criticada por trabalhadores da empresa e entidades de classe, como o Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN). O diretor do sindicato, Pedro Lúcio Gois, já afirmou em entrevista recente à TCM que o governo Bolsonaro já vendeu cerca de R$ 250 bilhões em ativos da Petrobrás, de 2019 até setembro de 2022, sem retorno à população.

Nas redes sociais, Gois revelou que a petroleira iniciou o plano de demissão ou transferência dos concursados em 29 de agosto. Segundo ele, a expectativa da estatal é de transferir ou demitir todos os trabalhadores até abril de 2023, selando assim a saída da empresa do Rio Grande do Norte.

“Nessa última fase serão afetados mais de 550 trabalhadores próprios, tendo sido transferidos ou demitidos mais de 2.800 no total desde o início dos processos de privatização em 2017”, afirmou. “Dentro dos trabalhadores terceirizados serão mais de 4.000 postos de trabalho reduzidos nessa última fase, totalizando mais de 10.000 desde o início das privatizações”, pontuou.

O início dos anúncios de desinvestimentos na Petrobras começou em 2015, época em que a estatal predominava dentro dos campos de petróleo potiguares e produzia cerca de 64 mil barris de óleo equivalente diariamente (boe/d), que considera petróleo e gás juntos. Quando iniciou a privatização, a Petrobras enfrentou uma forte queda na produção, indo de 70.602 barris de óleo equivalente ao dia no auge, em dezembro de 2012, até chegar a 40.723 mil barris ao dia em dezembro de 2019, mês em que as empresas privadas começaram a operar no Rio Grande do Norte. Os dados são do Painel Dinâmico da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O painel parou de ser atualizado em agosto. Em junho deste ano, último mês com dados consolidados, a produção equivalente de óleo em solo potiguar era de 37.839. Atualmente, duas grandes empresas assumiram os antigos campos estatais da Bacia Potiguar: a 3R Petroleum e a PetroReconcavo.

Confira o vídeo:

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