DEMOCRACIA

UFRN recebe a I Mostra Cinema e Democracia

A partir de terça-feira, dia 27, até 29 de setembro, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe a I Mostra Cinema e Democracia: do sonho às coisas. Os filmes serão projetados em telão no auditório D do CCHLA, com entrada gratuita e presença das realizadoras, sempre das 18h30 às 21h30. A curadoria inclui produções premiadas, inéditas, históricas e locais, e está sendo organizada pelas professoras Mônica Mourão e Aline Lucena.

Estamos vivendo uma época muito tensa da nossa democracia e, como somos professoras do departamento de comunicação de uma universidade pública, temos a obrigação de trazer para dentro da UFRN os debates e conversas sobre o que está acontecendo no momento”, avalia Mônica Mourão, professora do Departamento de Comunicação (Decom/UFRN).

A iniciativa integra o projeto de pesquisa Epistemologias e Práticas Transformadoras em Comunicação, Mídias e Cultura (Ecomsul), junto ao Observatório Latino-Americano de Comunicação, Mídias e Direitos Humanos (Amaru). A partir do cinema, serão discutidas questões relacionadas à democracia e a períodos autoritários no Brasil, incluindo as consequências da ditadura militar no Brasil contemporâneo, como a presença da violência política e policial.

No dia 27, “Um domingo para nunca mais” conta as memórias de sete mulheres sobre as eleições presidenciais de 2018. Na sequência, “Auto de resistência” aborda a violência policial no Rio de Janeiro e foi escolhido o melhor filme brasileiro do festival “É tudo verdade” de 2018.  “Um domingo para nunca mais” foi realizado, entre outros, por Mônica Mourão, professora do Departamento de Comunicação da UFRN, que estará presente na mostra, e por estudantes e egressos do Decom. Mariana de Siqueira (Observatório da Violência Política de Gênero – OVPG); Ana Laura Araújo (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD) e Rosy Nascimento (mestranda no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN e integrante da Articulação Negra e Indígena do Audiovisual e Cinema no Rio Grande do Norte) serão as debatedoras desta sessão.

Já na quarta-feira (28), os dois filmes abordam especialmente a relação entre mulheres, ditadura e redemocratização. O curta de ficção “Chão de fábrica”, sobre mulheres operárias de São Bernardo, será exibido pela primeira vez numa universidade. Ainda no circuito de festivais, o curta já recebeu mais de 20 prêmios, entre eles o de melhor curta dos festivais de Brasília, Rio de Janeiro, Ceará, Manaus, Fribourg e Middlebury, além de ter sido escolhido como melhor curta brasileiro de 2021 pela ABRACCINE. “Quando chegar o momento (Dôra)” conta a história de mulheres que viveram o exílio político durante a ditadura militar brasileira. Lançado em 1978, ele foi produzido também por militantes exilados. Feito originalmente para a TV pública sueca, “Dôra” só ganhou legendas em Português em 2014.

Debaterão os filmes do segundo dia: Isadora Morena (jornalista, comunicadora popular, militante das Amélias – Mulheres do Projeto Popular e articuladora Regional da Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores); Renata Pyrrho (mestra pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN, atuou como produtora, pesquisadora, roteirista, diretora, editora de imagens e curadora); Mônica Mourão (professora do Departamento de Comunicação da UFRN, pesquisa comunicação, memória e ditadura).

No último dia da mostra (29), mais uma produção local: “Não foi acidente, mataram meu pai”, da jornalista e documentarista Jana Sá, conta a história do pai dela, Glênio Sá, assassinado em 1990 por sua participação na Guerrilha do Araguaia durante a ditadura. Para encerrar, o público vai assistir ao “A última floresta”, sobre o povo Yanomami e os ataques contra ele. O filme foi considerado o melhor longa-metragem de documentário e a melhor montagem de documentário pelo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2022. No mesmo ano, também conquistou o Platino Award for Best Documentary.

Jana Sá será uma das debatedoras desta sessão, acompanhada de Meyriane Costa de Oliveira  (artesã, poeta, mestranda em antropologia social na UFRN e indígena aldeada na comunidade do Catu dos Eleotérios) e Andrielle Mendes (doutora pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN e integrante da Articulação Negra e Indígena do Audiovisual e Cinema no Rio Grande do Norte).

A I Mostra Cinema e Democracia acontece nos dias 27, 28 e 29 de setembro, de 18h30 às 21h30, no Auditório D do CCHLA, no campus de Natal da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A entrada é gratuita, sujeita à lotação do espaço. Esta é uma realização do projeto de pesquisa  Epistemologias e Práticas Transformadoras em Comunicação, Mídias e Cultura (Ecomsul) e do Observatório Latino-Americano de Comunicação, Mídias e Direitos Humanos (Amaru).

PROGRAMAÇÃO

 Dia 01

Terça-feira, 27 de setembro (18h30 às 21h30)

 

Um domingo para nunca mais (16min. De Hadija Chalupe e Mônica Mourão. 2022)

Sete mulheres contam onde estavam e como se sentiram no dia do resultado das eleições presidenciais de 2018.

 

Auto de resistência (104min. De Natasha Neri e Lula Carvalho. 2018)

Um documentário sobre os homicídios praticados pela polícia contra civis, no Rio de Janeiro, em casos conhecidos como “autos de resistência”.

 

Debatedoras: Mariana de Siqueira (Observatório da Violência Política de Gênero – OVPG); Ana Laura Araújo (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD) e Rosy Nascimento (mestranda no Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN e integrante da Articulação Negra e Indígena do Audiovisual e Cinema no Rio Grande do Norte)

 

Dia 02

Quarta-feira, 28 de setembro (18h30 às 21h30)

 

Chão de fábrica (24min. De Nina Kopko. 2021)

  1. As máquinas desligam para o horário do almoço dentro de uma metalúrgica de São Bernardo do Campo. Quatro operárias comem dentro do banheiro feminino. Entre risos e conflitos, cada uma guarda o seu segredo.

 

Quando chegar o momento (Dôra) (58min. De Luiz Alberto Sanz e Lars Säfström. 1978)

Seu nome era Maria Auxiliadora Lara Barcellos, mas a chamavam Dora. Tinha 31 anos, nascida e criada no Brasil. No dia primeiro de junho de 1976, atirou-se e morreu sob um trem de metrô em Berlim Ocidental.

 

Debatedoras: Isadora Morena (jornalista, comunicadora popular, militante das Amélias – Mulheres do Projeto Popular e articuladora Regional da Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores); Renata Pyrrho (mestra pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN, atuou como produtora, pesquisadora, roteirista, diretora, editora de imagens e curadora); Mônica Mourão (professora do Departamento de Comunicação da UFRN, pesquisa comunicação, memória e ditadura).

 

Dia 03

Quinta-feira, 29 de setembro (18h30 às 21h30)

 

Não foi acidente, mataram meu pai (50min. De Jana Sá. 2022)

Candidato ao Senado pelo PCdoB, Glênio morreu em 26 de julho de 1990, num suposto acidente automobilístico quando voltava para casa depois de uma agenda de campanha. Documentos oficiais de órgãos militares e da Abin atestam que Glênio foi perseguido pelos militares 10 anos depois da promulgação da Lei de Anistia.

 

A última floresta (74min. De Luiz Bolognesi. 2021)

O xamã Davi Kopenawa Yanomani tenta manter vivos os espíritos da floresta e as tradições, enquanto a chegada de garimpeiros traz morte e doenças para a comunidade, que fica localizada em um território Yanomani, isolado na Amazônia.

 

Debatedoras: Jana Sá (jornalista, diretora do filme “Não foi acidente, mataram meu pai”); Meyriane Costa de Oliveira  (artesã, poeta, mestranda em antropologia social na UFRN e indígena aldeada na comunidade do Catu dos Eleotérios) e Andrielle Mendes (doutora pelo Programa de Pós-graduação em Estudos da Mídia da UFRN e integrante da Articulação Negra e Indígena do Audiovisual e Cinema no Rio Grande do Norte)

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