DEMOCRACIA

Campanha de Lula no RN para segundo turno começa com grande ato em praça pública de Natal

Aos poucos, a Praça da Árvore de Mirassol, em Natal, esbraseou de camisetas vermelhas e de calor, com centenas de apoiadores de Lula (PT) se aglomerando na plenária que deu início à campanha do segundo turno. O evento foi realizado na noite da quinta-feira (6), em resposta ao chamado da coordenadora potiguar na segunda etapa da campanha presidencial, a governadora reeleita Fátima Bezerra (PT).

A gestora, que esteve em evento nacional no dia anterior, prometeu máxima dedicação à eleição de Lula. Nos próximos dias terá caravana em Mossoró, Assu, Currais Novos e Caicó. E, durante a próxima semana, deve sair pelos bairros de Natal.

No sábado (8), o PT faz ainda na capital atividade na mesma praça, com caminhada pela avenida Engenheiro Roberto Freire, em Capim Macio. A programação começa às 15h.

“Nesse momento temos o dever moral e a tarefa política de eleger Luís Inácio Lula da Silva presidente”, disse a governadora, ao vislumbrar um governo federal de “paz, solidariedade e geração de emprego”.

“Temos clareza absoluta do que significa para o Rio Grande do Norte, para o Nordeste e para o Brasil essa eleição. O Brasil não suporta mais 4 anos de governo Bolsonaro”, sentenciou Fátima, completando que Lula trará de volta “o Brasil do amor e não do ódio; da cidadania, da vida, e não da miséria e da morte, representado por esse genocida. Vamos mandá-lo pro lugar onde ele deve estar, o lixo da História”.

Fátima mencionou alegria, esperança e confiança e agradeceu mais uma vez à militância, não só do seu partido, mas também das legendas aliadas. “Esse é o momento de somar, de agregar e fortalecer essa corrente de amor”.

Estiveram presentes PCdoB, MDB, PV, PSOL, PDT, PSB, Cidadania e Republicanos, além de entidades estudantis como o DCE da UFRN e o DCE da Ufersa. A noite foi conduzida pela vereadora e deputada estadual eleita Divaneide Basílio (PT) e contou com pronunciamentos de diversos correligionários.

O vice-governador eleito, Walter Alves (MDB), falou com entusiasmo sobre a campanha que ainda farão apesar da vitória local. Atual deputado federal, Walter disse que já ligou para os 40 prefeitos do partido no estado para agradecer pela caminhada do primeiro turno e agora vai ligar para pedir que votem e façam campanha para Lula.

“Eu votei e agora voto de novo. Bolsonaro pode ter o poder agora, a máquina, pode ter o que quiser, mas Lula vai ganhar”, diz Walter Alves.

O candidato de Fátima ao Senado e ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo (PDT), disse que o Brasil “piorou muito nos últimos quatro anos” e citou as áreas ambiental, da saúde e da educação.

“Aí está o retrocesso na educação com cortes reiterados de recursos. Um governo na contramão da ciência, que teve um comportamento trágico, criminoso, durante a pandemia e não se cansa de agredir a democracia. Por tudo isso, precisamos ocupar as ruas”, conclamou Carlos Eduardo, completando que Lula foi o “melhor presidente do país” e que o Brasil precisa se libertar do “criminoso Jair Bolsonaro”.

União

Os estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) se reuniram em assembleia pouco antes do evento na praça para traçar estratégias de combate a mais um ataque de Bolsonaro à Educação.

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Segundo a coordenadora-geral do DCE, Letícia Corrêa, mais de 100 estudantes marcaram presença.

“Se Bolsonaro acha que vai atentar contra a educação, os estudantes vão mostrar porque são a pedra no sapato desse governo genocida. É a juventude que vai botar ele no lugar de onde nunca deveria ter saído, a lata do lixo da História. Somos 13 desde o primeiro turno para demonstrar que a gente não vai aceitar nossos direitos sendo tirados, nosso povo passando fome”, anunciou.

O deputado reeleito Francisco do PT, líder do governo na Assembleia Legislativa, brincou ao dizer que perdeu alguns quilos na campanha e que vai perder ainda mais até 30 de outubro. “Eu quero dizer que me somo a cada homem e mulher nessa campanha”.

No mesmo sentido, falou o deputado eleito Fernando Mineiro (PT), ao acrescentar o clima de confiança: “Nós fomos vitoriosos dia 2 de outubro. Nós ganhamos a eleição em Natal. E com a maior vantagem de Lula sobre aquele que defende a morte na Zona Norte, depois na Zona Oeste”.

Do PSB, subiram ao palanque o deputado federal que disputou vaga no Senado, Rafael Motta, e a vereadora de Carnaúba dos Dantas, candidata a deputada estadual Thabata Pimenta.

Aliados chamam população para uma campanha corajosa, vestida de vermelho

Com a disparada de casos de violência contra a esquerda, incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro, muitos deixam de expor o voto e fazer campanha. No evento, diversas falas foram de incentivo à livre manifestação política.

Vereador suplente que herdará a vaga de Divaneide na Câmara Municipal de Natal, Daniel Valença (PT) disse que a primeira derrota de Bolsonaro deve ser a “visual”. Segundo ele, é preciso ter coragem de vestir a camisa nesse momento tão relevante da campanha.

“Nós temos duas crianças e vamos sair de vermelho sim, vamos adesivar o carro sim, vamos estender bandeira no apartamento. Tem que ter barraquinha no Midway, no Natal Shopping, no Alecrim, na Cidade Alta para dialogar com os trabalhadores”.

O presidente estadual do PT, Júnior Souto, também fez referência a esse tipo de conversa: “Paciência para dialogar e ouvir o outro, quaisquer que sejam as suas razões, e virar o voto. Temos que estar munidos das orientações e dos argumentos nas esquinas, nas ruas e nas redes sociais”.

O presidente local do PV, vereador Milkley Leite, disse que o seu apoio a Lula é público e incondicional. “Estou de verde hoje e a partir de amanhã estarei de vermelho. Se a campanha está polarizada, vamos pro embate. Eu que fui motorista 23 anos da minha vida sei que os trabalhadores têm que estar do lado de Lula”, argumentou, ao destacar que Fátima é também “avanço” para o estado.

Para Ana Flávia, do DCE da Ufersa, é preciso “convencer o povo a ir votar. E não é de branco, de preto. É ir votar de vermelho, com botom, com o rosto de Lula”. A vereadora Brisa Bracchi (PT) também falou em “avermelhar”.

O clima pacificação que a possibilidade da eleição de Lula traz foi evocado também pela deputada federal mais votada do Rio Grande do norte, Natália Bonavides (PT). “Quem era oposição como eu foi ameaçada de morte e de estupro. Com Lula isso não vai acontecer. E esse dia tá chegando, tá bem pertinho”.

Consciência de classe

O casal de ambulantes Verônica Zuleica e Antônio José da Silva foram trabalhar no ato de vermelho, não por acaso. Verônica diz inclusive que é preciso “resgatar a bandeira da nação, que não é de partido”: “Ele [Bolsonaro] deu uma de esperto fazendo isso. A copa vem aí e eu não tenho coragem de usar uma camisa do Brasil, porque vão achar que sou bolsonarista”.

Por que votar 13: “Lula foi o único que melhorou a vida do pobre. A minha filha fez duas faculdades [Design Gráfico e Técnico em Meio Ambiente] sem pagar um centavo. Lula é o nosso presidente e pensa no mais carente. Bolsonaro é o presidente de empresário, de quem tem hotel. Só pensa nos ricos e o pobre tá sofrendo”, disse a mulher, que mora em Ponta Negra.

A percepção é muito nítida quando vão ao supermercado. “Na época de Lula, eu comprava dois carrinhos. Hoje em dia, não trago quase nada dentro de uma sacola e dá 200 reais. É o básico do básico e às vezes não dá. Carne nem se fala. Até ovo tá caríssimo. Por isso que Lula tem que voltar”.

“A gente veio pelas vendas e pela campanha. Tem vendendo que é doente por Bolsonaro e tá aqui. Quando sair o resultado quero ver como vai ser, porque Lula vai fazer tanto pros dele quanto pros bolsonaristas”, disse Antônio.

A vida da gestora ambiental e servidora pública Gil Alves também mudou. Simpatizante do PT, já havia participado dos eventos de campanha da governadora Fátima e já tem se dedicado diariamente a ampliar a votação de Lula.

“No tempo do PT, lá em casa tinha dois carros. Hoje a gente anda de ônibus”, lembra Gil Alves.

Ela conta ainda que tem uma filha fazendo doutorado em “Ética na política contemporânea” em Lisboa, Portugal. E a ida dela está ligada à falta de oportunidade de continuar os estudos no Brasil.

“Bolsonaro cortou as bolsas de doutorado na área, que é Filosofia. Daí um professor que é alemão falou com colega de Portugal e ela conseguiu ir, mas precisa trabalhar lá pra se manter, porque apesar de ser gratuito não tem bolsa”, ressaltou.

“A gente tá tentando alcançar os indecisos e aqueles que não foram votar. Eu conheço pessoas nessa situação e em todo canto que eu vou, converso. No alternativo indo pro trabalho, no salão de beleza,… faço as pessoas pensarem e compararem como era no tempo do PT na Presidência”.

Foi pela admiração a Lula que a ASG Socorro Siqueira se filiou ao Partido dos Trabalhadores, há cinco anos. Ela conta que já poderia ter se aposentado se não fossem as reformas promovidas após o golpe de Dilma.

“Lula foi o presidente dos mais carentes. Talvez o único que olhou o lado das pessoas carentes. A gente deixou de ser excluída naquela época. No tempo de Lula, as lojas abriam as portas pra que a gente comprasse. Conheço uma lavadeira de creche que formou dois filhos. A gente hoje volta a ter esperança”, explicou a preferência.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais