Ex-deputado que sugeriu “tratamento psiquiátrico” à comunidade LGBTQIA+ no RN “derrete” em votos e não renova mandato
Natal, RN 22 de jun 2024

Ex-deputado que sugeriu “tratamento psiquiátrico” à comunidade LGBTQIA+ no RN “derrete” em votos e não renova mandato

7 de outubro de 2022
4min
Ex-deputado que sugeriu “tratamento psiquiátrico” à comunidade LGBTQIA+ no RN “derrete” em votos e não renova mandato

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O ex-deputado Michael Diniz (SD) teve uma passagem curta pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), mas suficiente para acumular uma série de episódios de ataques à comunidade LGBTQIA+ e promover pautas bolsonaristas. Ele ficou no cargo por pouco mais de três meses, encerrado em setembro. Nas eleições de 2022, disputou novamente uma vaga para deputado estadual, mas passou de 7.773 votos em 2018 para 2.704 este ano, uma queda de 65% dos votos.

Autointitulado “monarquista, de direita e conservador”, o empresário assumiu o cargo na ALRN em 15 de junho após a licença do deputado Kelps Lima, do mesmo partido. Diniz era apenas o terceiro suplente do Solidariedade, mas conseguiu ser empossado depois que Subtenente Eliabe entrou na vaga de Allyson Bezerra — eleito prefeito de Mossoró —, e do outro suplente, Fernando Bezerra, ter sido eleito prefeito de Acari.

Logo após o começo do seu mandato, Diniz usou o plenários para fazer comentários considerados homofóbicos por movimentos sociais e partidos. A advogada Rayane Andrade, coordenadora do Setorial de Direitos Humanos do PT, chegou a apresentar uma representação contra o deputado no Ministério Público Estadual por crime de LGBTfobia. No plenária da Casa, Diniz havia afirmado, em referência a um concurso de beleza para pessoas trans:

“Buscam fazer uma lacração de forma absurda. Não têm o menor senso ético e moral. É uma libertinagem extremamente acentuada. Querem corromper as crianças, querem sensualizar as coisas, querem queimar a bíblia, como já fizeram. Colocar crucifixo onde não deviam. E, sinceramente, eu acredito que esse povo precisa de um tratamento psiquiatra (sic) urgente”, disse Michael Diniz.

Ele ainda continuou, ao dizer que sentia um “repúdio” e “desprezo” pelo movimento LGBT. Em outro episódio de demonstração de violência, Diniz fez um gesto de “arminha” na porta do gabinete da deputada Isolda Dantas (PT). Em uma foto publicada em frente à porta, debochou: “será que nossa ‘cumpanhêra’ (sic) vai gostar da foto opressora e nada feminista? KKKKKK”.

Após o caso, Isolda denunciou a quebra de decoro parlamentar e cobrou uma punição para as condutas de Michael Diniz. Ele, entretanto, seguiu na Assembleia até o fim da licença de Kelps Lima. A última sessão em plenário foi no dia 29 de setembro. Em um discurso de cerca de dois minutos, criticou a governadora Fátima Bezerra (PL) e adotou chavões típicos da direita, ao citar Cuba e Venezuela e relacionar com a situação local.

“Tá chegando a hora da gente eliminar esses comunistas, de tirar a esquerda do poder. Eu quero ter o prazer de ver a posse aqui próximo ano e não ter um só petista assumindo essa cadeira, nem na Assembleia dos deputados nem no Governo do Estado”, afirmou.

Com o resultado das eleições no último domingo (2), os 2.704 votos de Michael Diniz garantiram a ele somente a sexta suplência do Solidariedade. Já a governadora Fátima foi reeleita em primeiro turno, enquanto o PT elegeu três deputados estaduais e dois federais. 

Michael Diniz tem 28 anos, é dono de postos de combustíveis em Parnamirim, cidade que faz parte da região metropolitana de Natal, se autodeclara monarquista, soldado de Bolsonaro e minimiza o racismo em suas falas. Ao longo da campanha, continuou a se associar ao atual presidente, afirmando que era “o voto de Bolsonaro em Parnamirim”. Também apresentou propostas como a criação do “Dia do Orgulho Cristão” e da transformação de escolas estaduais em colégios militares. 

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