DEMOCRACIA

“Existiu um movimento de voto útil, mas no sentido contrário ao imaginado”, analisa cientista social sobre eleição nacional

Analisando o cenário eleitoral com os resultados colhidos neste domingo (02), o cientista social e professor da UFRN, Daniel Menezes, vê uma onda do chamado “voto útil” na reta final da campanha presidencial. Num segundo turno definido entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), entretanto, ele diz que a mudança de voto não favoreceu quem mais se esperava que fosse beneficiado: Lula. Para o professor, estes votos foram para o atual presidente. 

“Existiu um movimento de voto útil, mas no sentido contrário ao imaginado. Quando a gente olha, por exemplo, a votação nacional, Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) tiveram somados menos de 8% dos votos válidos”, afirma. “É uma votação muito menor daquela que tinha sido projetada inicialmente pelas pesquisas”, aponta.

Por isso, segundo Menezes, o resultado final não era o imaginado. “É irônico, porque Ciro desidratou e jogou voto para Bolsonaro. O grande medo dele era perder voto para Lula, e talvez tenha até segurado”, acredita.

Segundo turno

As principais pesquisas, como Ipec (ex-Ibope) e Datafolha, davam a vitória de Lula no primeiro turno, mas dentro da margem de erro. Na última pesquisa Ipec, o ex-presidente  apareceu com 51% dos votos válidos — quando são excluídos brancos, nulos e indecisos —, contra 37% do presidente Jair Bolsonaro (PL). Já no levantamento do Datafolha, Lula registrou 50% e Bolsonaro 36% dos votos válidos. 

“Eu já cravaria que existiu o voto útil de Tebet e Ciro Gomes no sentido inverso, pró-Bolsonaro. Ou seja, aqueles eleitores que estavam na terceira via mas tinham maior proximidade com Bolsonaro, foram já para Bolsonaro no primeiro turno”, imagina.

De acordo com Daniel, “a gente tinha uma grande quantidade de pesquisas demonstrando um cenário mais ou menos estabilizado, pelo menos até a publicação do Ipec, que foi uma pesquisa recente”. O cientista social enxerga que as pesquisas apontaram corretamente a votação de Lula, mas erraram a do atual presidente. 

Sobre os resultados, ele imagina que a abstenção prejudicou os candidatos do campo progressista. “Ela [abstenção] influencia desigualmente a votação dos candidatos, a partir do fato de que cada candidato tem uma votação mais expressiva a depender da faixa do eleitorado, e esse eleitor vai de forma desigual à urna”, aponta.

Fátima Bezerra (PT) reeleita no RN

Com a reeleição histórica da governadora Fátima Bezerra (PT) em primeiro turno no Rio Grande do Norte, Daniel diz que “o elemento mais importante foi a articulação pré-campanha”. Outro ponto que teria beneficiado a petista seria o desempenho dos seus principais adversários. 

No Estado, Fábio Dantas (SD) encerrou com cerca de 22%, enquanto Capitão Styvenson (PODE) fechou em terceiro lugar com 16%.

“Você vê um movimento de aproximação de Fábio Dantas e desidratação de Styvenson. Me parece que Fábio passa Styvenson pura e simplesmente porque Styvenson não fez campanha”, sentencia. “Não duvido que ele tenha perdido eleitores, porque não sabiam o número dele. Massificar o número leva tempo”, afirma.

Reveja a transmissão do Balbúrdia especial eleições:

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Previous ArticleNext Article