OPINIÃO

A difícil reconstrução do Brasil

Enquanto os bolsonaristas ainda uivam país afora, o mundo não para. A economia brasileira, em frangalhos, exige, do futuro governo, governar agora, algo inédito e esdrúxulo convenhamos. De acordo com informações da grande mídia, o Mandrião, desde a sua derrota histórica, trabalhou 25 minutos. Ele está macambúzio, perambulando pelos corredores da Alvorada, espalhando seu odor acre, fruto da sua Boca Podre e das perebas que tomaram seu corpo.

Enquanto ele e os seus fanáticos se reorganizam, financiados por empresários e com a lerdeza conivente do aparelho de segurança, a equipe de transição começa a trabalhar. Seu objetivo central seria o de recolher informações sobre o estado em que se encontra a União, para que o novo governo pudesse, nos primeiros dias, tomar decisões de governabilidade. Não é o caso.

Quando falamos que o país está esculhambado, e falamos isso durante os últimos quatro anos, não era mero discurso. Olhando o cenário da administração pública federal desse país, é como se estivéssemos diante dos destroços devido a passagem de um furacão, tipo 5. A destruição criminosa foi quase que completa, ou seja, uma das prioridades do futuro governo é reorganizar a máquina pública federal, expurgando os ratos e desinfetando a administração pública, retomando seu caráter republicano.

Lula já enfrenta a tradicional antipatia dos grandes meios de comunicação, o que não é nenhuma surpresa; o empresariado já pressiona para o petista não romper com o famigerado “Teto dos Gastos”; a oposição já se articular para chafurdar o país nos próximos anos, e tem força para isso; e os que apoiaram a campanha, no segundo turno, lambem os beiços, na esperança de serem colocados em lugares fortes no novo ministério. É um grande xadrez, sem dúvida.

Lula está apostando na construção de um diálogo que permita escangalhar o Teto dos Gastos, retirando os programas sociais dele, incluindo a volta do Bolsa Família, hoje um programa de assistencialismo eleitoreiro chamado Auxílio Brasil, que se extinguirá mês que vem. Será necessário recompor o Orçamento, dado que este, feito pelo Paulo Guedes, é uma aberração orçamentária, sem validade alguma, mas que certamente passaria facilmente se o Mandrião tivesse vencido as eleições. Não venceu.

Será um processo lento e doloroso. Lento porque recompor a economia desse país, num cenário de continuidade de crise do sistema capitalista, que se arrasta desde 2008, não será fácil; doloroso, principalmente para aqueles que sofreram e lutaram para a vitória de Lula e podem ter o desprazer de ver um governo de centro-direita e não um “governo de esquerda”, o que certamente fará com setores da esquerda passem a fustigar o governo. A recusa do PSOL em participar do futuro governo, já um sinal.

Esperemos que os sinais, que devem estar mais claros nas próximas semanas reforcem nossa esperança de ver novamente esse país andando para frente.

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