CIDADANIA

Após perder eleição, Bolsonaro e ex-ministério de Rogério Marinho cortam verba da água potável de 60 mil potiguares

Depois de perder as eleições presidenciais, o governo Jair Bolsonaro cortou a verba destinada à Operação Carro-Pipa (OCP), que atende a população de áreas rurais afetadas pela seca. No Rio Grande do Norte, 61.080 pessoas são atendidas pelo programa em 45 cidades, mas foram afetadas pela ação do Governo Federal. 

A operação Carro-Pipa é financiada com recursos do Exército Brasileiro em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional, pasta que foi comandada pelo potiguar Rogério Marinho até o começo deste ano. O programa também recebe apoio do Ministério da Defesa. Só no Nordeste, 1,6 milhão de pessoas de oito estados têm direito ao abastecimento.

A informação foi revelada pelo colunista Carlos Madeiro, do UOL. O corte de verbas no programa que atende famílias atingidas pela falta de água acontece após o fim do segundo turno das eleições, em que Jair Bolsonaro (PL) perdeu a reeleição para o eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apenas no Nordeste, o petista registrou 69,34% dos votos, ante 30,66% do atual presidente. 

No Rio Grande do Norte, são 171 carros-pipa diferentes para atender aos mais de 61 mil potiguares, de acordo com os dados de novembro. Segundo o site do Exército que fornece informações sobre a OCP, os municípios prejudicados são Monte das Gameleiras (que aguarda recursos) e Serra Negra do Norte, que atualmente está com o programa suspenso. A cidade com maior número de pessoas atendidas é São Miguel, com 5.638 beneficiários em meio a uma população estimada em 23.789 habitantes.

O problema, entretanto, pode ser maior. Segundo a reportagem do UOL, há relatos de desabastecimento em cidades como Ouricuri (PE) e Poço das Trincheiras (AL), onde moradores confirmaram a falta de água. Uma liderança local pernambucana disse que a “situação está triste” e espera que o governo tome logo uma decisão, porque “ele não vai deixar o povo com sede”. Os dois municípios, entretanto, têm o serviço constando como “em execução” no site do Exército.

O primeiro estado a ter o abastecimento suspenso foi Alagoas, no começo de novembro. Pernambuco, Paraíba e Bahia foram informados na quinzena final deste mês, de acordo com o jornalista do UOL. A paralisação vem afetando ainda outros estados, que têm deixado de levar água potável à população. Tanto o Exército quanto o MDR confirmaram que há falta de verbas para seguir com o fornecimento do serviço.

A Operação Carro-Pipa tem o objetivo de realizar ações complementares de apoio às atividades de distribuição de água potável às populações atingidas por estiagem e seca na região do semiárido nordestino e região norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

Para ter acesso ao benefício, os moradores das zonas rurais precisam ser diretamente impactados pela estiagem ou seca. Cada família tem direito a 20 litros de água por dia a cada integrante assistido.

Prejuízos chegam a R$ 20 bilhões, diz CNM

A situação acendeu um alerta na Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Em ofício enviado ao MDR, a entidade afirmou que 759 municípios do Nordeste estão em situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal devido à seca, “que afetou mais de 6,2 milhões de nordestinos somente em 2022”. 

“A ininterrupção do abastecimento é medida fundamental, para esses Municípios que estão sofrendo enormes prejuízos decorrentes da seca, tais como: danos à propriedade, especialmente a rural; danos e perdas na agropecuária; suspensão nos serviços essenciais; transtornos sociais e econômicos; degradação ambiental; perturbação do bem-estar físico, mental e social humano”, informa a CNM.

A CNM fez um levantamento em que aponta que os prejuízos causados pela seca na região Nordeste entre janeiro e novembro de 2022 chegaram a R$ 20 bilhões. O setor de abastecimento de água para consumo humano foi o mais afetado, apresentando mais de R$ 12,7 bilhões, seguido do setor agrícola com R$ 3,4 bilhões e da pecuária com R$ 3,3 bilhões.

A agência Saiba Mais buscou o MDR e o Exército para saber quando a falta de água no Rio Grande do Norte começou, e quantas cidades estão atingidas exatamente. Questionamos ainda se há alguma articulação com o governo federal para regularizar o abastecimento. Os órgãos não responderam. 

Ainda buscamos o presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá, para saber as ações que estão sendo tomadas pela entidade, mas também não obtivemos resposta até o fechamento desta matéria.

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