Combate ao racismo, LGBTfobia e orçamento para Juventude: o que pensam os jovens potiguares indicados para equipe de transição
Natal, RN 5 de mar 2024

Combate ao racismo, LGBTfobia e orçamento para Juventude: o que pensam os jovens potiguares indicados para equipe de transição

18 de novembro de 2022
6min
Combate ao racismo, LGBTfobia e orçamento para Juventude: o que pensam os jovens potiguares indicados para equipe de transição

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O anúncio dos novos integrantes do governo de transição da futura gestão Lula (PT) trouxe dois jovens do Rio Grande do Norte forjados nos movimentos sociais e militantes do PT, que irão participar do grupo temático da Juventude: o subsecretário da Juventude do RN, Gabriel Medeiros de Miranda, e o subcoordenador de Articulação Institucional da Juventude, Florentino Júnior. Em comum, a confiança no PT como instrumento de transformação e a crença em pilares como combate ao racismo, LGBTfobia e extermínio da juventude negra. Além deles, o senador Jean Paul Prates também faz parte da transição, mas na pasta de Minas e Energia.

Hoje com 28 anos, Gabriel chegou ao PT aos 16

Gabriel, 28, é advogado e mestrando em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sua trajetória começou ainda no CEFET (hoje IFRN), e seguiu até a universidade.

“Desde os primeiros dias de aula no CEFET, eu percebi que a escola tinha uma movimentação muito grande em torno do grêmio. Lá no grêmio é que passo a participar de grupos estudantis de militância organizada, e foi quando me aproximei do PT, logo mais”, fala. “Eu comecei a participar das atividades do PT muito cedo, com 16 anos, e esse interesse permaneceu, aí se consolidou desde o início essa vontade de participar e contribuir para o destino coletivo”, comenta.

Na graduação, integrou o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e também fez parte da direção da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 2015 e 2017. Com o início do governo Fátima, veio a chance de atuar na Secretaria de Estado das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh). Para ele, os quatro anos de governo Bolsonaro representaram um retrocesso para a juventude.

“No campo da juventude como um todo, esses quatro anos foram um desastre. Nós tivemos a desestruturação completa da política de juventude, o desaparelhamento do Conselho Nacional de Juventude, o desmantelo das políticas de participação, a não realização da Conferência Nacional de Juventude que estava prevista em letra a ser realizada durante essa gestão, e o desmonte de diversas políticas desenvolvidas direcionadas à Juventude nos Ministérios diversos”, lamenta.

E se os jovens precisam de incentivo do Estado para continuar estudando, os cortes na educação foram outro ponto negativo sobre o MEC de Bolsonaro, com a “redução do orçamento das universidades públicas a ponto de ameaças constantes de fechamento, de rompimento de contrato com prestadores de serviço” e outros. Para 2023, o cenário é outro, segundo Medeiros.

“A expectativa agora é a melhor possível. Se tem alguém no país que tem sensibilidade com a pauta da educação e para conduzir um governo com outra visão sobre esse tema, é o presidente Lula, que já mostrou que tem total condição de mudar esse cenário”, afirma.

Para Gabriel, as pautas a serem trabalhadas durante a transição na Juventude envolvem três temas. “A primeira: o combate ao extermínio da juventude negra. A gente sabe os índices altos que nós temos no Brasil de vitimização da juventude negra no país, então precisamos de programas intersetoriais que ataquem essa mazela que aflige nossa juventude”, aponta.

O emprego também está no radar. “Nós temos hoje uma dificuldade enorme da juventude se inserir no mercado de trabalho. E normalmente à juventude são reservados os postos de trabalho mais precarizados, sem garantia de direitos, com piores salários, sem carteira assinada”, afirma.

“E, por fim, uma retomada dos investimentos de educação, partindo do patamar onde os governos do PT deixaram o país, com investimentos altos e programas de democratização do acesso, de garantia de permanência e programas de ponta para a gente conseguir retomar esse volume de investimentos na educação”, espera.

Negro e LGBT, Florentino teve primeiro contato com movimento estudantil em 2010

Florentino Júnior, 27, é graduado em Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Ciências Humanas e é pós-graduando em Gestão Pública, pela Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O primeiro contato com a política veio em 2010. Na época, ia estudar na biblioteca municipal de Mossoró e viu uma movimentação: era um comitê de greve de estudantes da Uern.

“Fizeram uma ocupação na Direc (Diretoria Regional de Educação e Cultura). Eu era estudante e comecei a ver aquele pessoal protestando”, lembra.

O “start” oficial, porém, foi anos depois. Florentino saiu de Mossoró e foi morar em Boa Vista-RR. Quando retornou ao RN, se deparou com o Movimento Pau de Arara em Mossoró, que reivindicava melhorias no transporte público da cidade. “Foi a partir do Movimento Pau de Arara que eu me dediquei mais à política e ao movimento estudantil”, afirma.

Depois, fez tecnólogo no IFRN, onde integrou o grêmio estudantil, e seguiu para a Ufersa. Lá, enfrentou até uma eleição do DCE contra a chapa do atual prefeito da cidade, Alysson Bezerra (SD). Nilson venceu.

O passo seguinte foi ocupar a diretoria LGBT da UNE, onde se orgulha de ter ajudado a organizar o que afirmou ser “o maior encontro LGBT de universitários da América Latina”, em 2018.

Com as indicações de militantes de movimentos de base ao governo Lula, vê um giro positivo da futura gestão. Além dos potiguares, outros nomes que nasceram das bases estão em diferentes equipes, como Anielle Franco - irmã da vereadora assassinada Marielle Franco -, o ativista negro Douglas Belchior e a indígena Sônia Guajajara.

“Há essa compreensão por parte do conselho político do governo de transição da necessidade de estar aproximando cada vez mais essas lideranças que têm uma mobilização social, que tem algum tipo de inserção política nas mais variadas regiões, e que podem contribuir a partir dessa perspectiva”, defende. “Porque quando você coloca os jovens, quando você coloca negros, mulheres, indígenas dentro do processo da política, você também mostra que essas pessoas, além de ter capacidade, também têm qualificação porque os governos do PT garantiram esse tipo de condição”, opina.

Entre os desafios para o próximo ano em seu grupo temático, diz que o maior obstáculo será lidar com o Orçamento, com o projeto de 2023 já aprovado.

“Como a dinâmica de definição do orçamento mudou e agora é por orçamento secreto, então a gente já sabe que boa parte desses recursos não foram para a juventude. A gente vai ter que fazer esse exercício de estar fazendo interlocução junto ao relator do orçamento e também junto ao conselho político para que tenhamos orçamento para os programas de juventude”, afirma.

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