CIDADANIA

HUOL anuncia suspensão de cirurgias e exames devido a cortes orçamentários

O Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) suspendeu parte das cirurgias e exames por tempo indeterminado. O anúncio foi feito na noite dessa segunda-feira (7) através da Resolução – SEI Nº 18, assinada pelo superintendente do Hospital, Dr. Stenio Silveira.

Com o objetivo de “adequar a estrutura assistencial do hospital, de forma provisória, às condições orçamentárias vigentes”, a medida inclui:

  1. Suspensão de internação no 1º e 4º andares de Edifício Central de Internação (ECI);
  2. Desativação de quase metade do Centro Cirúrgico principal, que passa a funcionar com quatro das sete salas disponíveis – sendo duas para procedimentos de média complexidade, uma para alta complexidade e uma mista (média e alta complexidades);
  3. Suspensão das atividades no Centro Cirúrgico ambulatorial, que conta com duas salas;
  4. Redução de 50% nos exames realizados na Unidade de Diagnóstico por Imagem e Métodos Gráficos (UDIMG);
  5. Restrição de exames externos na Unidade de Laboratório de Análises Clínicas, que passa a receber apenas requisições das Unidades de Oncologia e de Transplantes.

No comunicado, o presidente do Colegiado Executivo do HUOL, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), justifica que a decisão foi motivada pela redução do orçamento do hospital em 2022. Em janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou R$ 100 milhões dos hospitais universitários.

A EBSERH é vinculada ao Ministério da Educação (MEC), que foi a segunda pasta a perder mais recursos no orçamento deste ano, com cortes chegando a R$ 739 milhões. Sob a gestão da Empresa, estão 50 centros médicos vinculados a 35 universidades federais, entre eles o HUOL, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Segundo o comunicado do HUOL, ainda não há qualquer garantia da suplementação orçamentária necessária para custear as despesas do hospital até o final do ano. Dessa forma, suspender parte das atividades foi a solução encontrada para direcionar gastos gerais – como consumo de água, energia, telefonia, entre outros – para a manutenção das atividades assistenciais e acadêmicas.

O superintendente do Hospital, Dr. Stenio Silveira, encerra o comunidade afirmando que as suspensões serão revistas à medida que as dificuldades orçamentárias sejam solucionadas e que permanece em diálogo com gestores do SUS e com a administração da EBSERH para normalizar as atividades do HUOL.

A SAIBA MAIS procurou a Assessoria de Comunicação do HUOL para saber o valor do corte no orçamento da unidade e dimensionar o impacto das suspensões no atendimento à população. Em nota, ela apenas informou que o superintendente do hospital está em Brasília, onde se reuniu nesta terça-feira (8) com a EBSERH  e o MEC, na busca por solucionar a suspensão dos serviços através da liberação de orçamento suplementar.

Histórico

A escassez de insumos já vem sendo sentida pelas equipes médicas e assistenciais do HUOL desde o ano passado, agravada no período pós-pandemia. Desde então, conforme relatam funcionários, a suspensão de cirurgias eletivas tem sido recorrente. Segundo eles, faltam desde materiais mais básicos, como luvas e compressas cirúrgicas, até anestésicos e descurarizantes, medicação utilizada na reversão da anestesia.

Em outubro, os médicos residentes dos programas de Cirurgia Geral, Cirurgia Geral – Área Básica  e Cirurgia do Aparelho Digestivo da unidade chegaram a anunciar a paralisação das atividades, alegando falta de insumos básicos para manutenção dos atendimentos e prejuízos à formação acadêmica.

No entanto, após negociação e garantia de que a situação se resolveria, o movimento foi suspenso.

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