TRABALHO

Menor renda média do Brasil é de mulheres negras do Nordeste, aponta Dieese

Mulheres negras nordestinas compõem o grupo que recebe as piores remunerações do Brasil. O rendimento médio delas é de R$ 1.384 e dos homens negros, de R$ R$ 1.623. Para não negros o Nordeste continua com baixos salários. Mulheres não negras recebem em média R$ 2.020 e homens, R$ 2.465.

As informações são do Boletim Especial 20 de novembro Dia da Consciência Negra, publicado nesta sexta-feira (18) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que também apontou o salário mínimo necessário em outubro de 2022: R$ 6.458,86.

Na região Norte, mulheres negras recebem em média R$ 1.680, enquanto os homens, R$ 1.893. Mulheres e homens não negros têm salários médios de R$ 2.419 e R$ 3.077.

No Sul, mulheres negras têm rendimento médio mensal de R$ 1.806 contra R$ 2.371 de homens negros. Entre os não negros, os valores sobem para R$ 2.629 para mulheres e R$ 3.530 para homens.
No Sudeste, empregadores pagam em média R$ 1.862 a mulheres negras, R$ 2.421 a homens negros, e R$ 3.012 e R$ 4.085 a mulheres e homens não negros, respectivamente.

O Centro-Oeste distribui a média salarial da seguinte forma: mulheres negras: R$ 2.040; homens negros: R$ 2.771; mulheres não negras: R$ 3.038; homens não negros: R$ 4.290.

RN

O relatório também mostra que o Rio Grande do Norte é o estado do Nordeste com menor proporção de pessoas negras (pretas e pardas), com 62,8%, seguido por Pernambuco (66,5%), Paraíba (68,1%), Ceará (71%), Alagoas (71,9%), Sergipe (74,9%), Piauí (78,7%), Maranhão (80,9%) e Bahia (80,9%), maiores percentuais do país.
De acordo com o Dieese, 53,5% das mulheres negras potiguares são trabalhadoras desprotegidas, ou seja, estão empregadas sem carteira assinada, são autônomas que não contribuem com a Previdência ou são trabalhadoras familiares auxiliares.

O levantamento revela que o percentual de homens negros do RN nessas condições é ainda maior, de 54,2%. Entre os não negros, 44,3% dos homens tem esse tipo de vínculo empregatício frágil e 43,2% das mulheres.

Governo Bolsonaro piorou situação dos trabalhadores

O relatório do Dieese expõe que embora a retomada das atividades econômicas após a crise sanitária da pandemia esteja apresentando crescimento de 2,5%, o índice não significa geração de mais trabalho formal, elevação de rendimentos e igualdade de oportunidades. Ao contrário, o cenário teve piora em todo o Brasil nos últimos quatro anos do governo Bolsonaro.

“Segundo os indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os segundos trimestres de 2019 e 2022, houve elevação da informalidade, da subocupação e queda dos rendimentos, efeitos sentidos mais intensamente pelo homem e pela mulher negra”, destaca o estudo.

“A taxa de participação, que indica a proporção da força de trabalho – ocupados e desempregados – em relação à população total, foi de 63,7%, no segundo trimestre de 2019, e de 62,6%, no mesmo período de 2022. Entre as mulheres negras, 53,3% estavam ocupadas ou desempregadas em 2019. O número caiu para 52,3% em 2022. Entre os homens negros, as taxas ficaram semelhantes nos dois períodos – 72,9%, no segundo trimestre de 2019, e 72,6%, em 2022. Entre as mulheres e os homens não negros, os patamares de 2022 foram menores do que os de 2019”.

A desocupação total foi de 9,3% no segundo trimestre de 2022, menor do que o registrado nos mesmos períodos dos três anos anteriores: no segundo trimestre de 2019, a taxa era de 12,1%, passou para 13,6%, em 2020, e 14,2%, em 2021.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais