TRABALHO

Petrobras inicia consulta interna para vender sedes de Natal e Mossoró

Em processo de privatização acelerado pelo governo Bolsonaro, a Petrobras no Rio Grande do Norte iniciou uma fase administrativa para venda das sedes de Natal e Mossoró, cinco dias antes da eleição do segundo turno. O processo é motivo de críticas de funcionários já que, além dos desinvestimentos, o governo pretende vender os locais em meio ao governo de transição.

A venda oficial ainda não começou, segundo Pedro Lúcio Góis, diretor do Sindicato dos Petroleiros do RN (Sindipetro).

“A Petrobrás fez uma consulta interna para as demais gerências para saber se alguém ainda terá interesse na sede, porque se não tiver ela vai colocar à venda”, diz.

Um dos motivos de preocupação é que o imóvel de Natal não estava no plano de desinvestimentos da estatal, mas apenas o de Mossoró. Além das sedes, diversos lotes também estão no pacote que pode ser vendido futuramente, que são espaços dentro da área das sedes.

Parte dos campos da empresa, que formam o Polo Potiguar, foram vendidos em janeiro para a 3R Petroleum por US$ 1,38 bilhão. Gois critica a venda que, de acordo com ele, foi feita irregularmente.

“Há uma grave irregularidade no processo de venda do Polo Potiguar, especificamente. A Petrobras não cumpriu os decretos que versam sobre privatização das suas áreas. Especialmente porque ela misturou, na venda do Povo Potiguar, a venda de campos terrestres com a venda da nossa refinaria. São processos diferentes com exigências legais diferentes”, explica.

Segundo Góis, é “temerário” que a preparação para as vendas aconteça durante o governo de transição, já que a futura gestão federal possui uma posição diferente sobre o futuro da estatal.

“É muito claro que um projeto de país para a Petrobras muda com o resultado das eleições de 2022. Um projeto que antes era de saída da Petrobras do Rio Grande do Norte, e o novo presidente eleito já afirmou com todas as letras que a Petrobras continuará no Norte, Nordeste e Norte do Espírito Santo”, comenta.

“Ou seja, a Petrobras vai mudar o seu rumo que vinha sendo traçado nos últimos seis anos de saída do Nordeste e do Norte para recuperar a sua atuação nesses estados”, diz o dirigente do Sindipetro. “Então nós vemos com muita temeridade esse processo de transição, porque a Petrobras não está agindo de forma justa. Ela está acelerando os processos que ela sabe que podem ser revertidos ou alterados com a vigência de um novo governo.”

Mesmo com a intenção de venda, as sedes continuam funcionando e recebendo trabalhadores.

“A Petrobras fez um plano de pessoal que prevê a saída dos petroleiros em massa do nosso Estado em abril de 2023. Até lá, nós temos mais de 500 trabalhadores aqui no nosso estado. Esses trabalhadores ficam lotados nas refinarias, nas áreas operacionais, mas também ficam nessas áreas administrativas”, informa.

Além de Natal e Mossoró, a outra cidade potiguar que possui uma sede da empresa é Alto do Rodrigues.

Cotado para presidir Petrobras, senador do RN quer suspender processo de venda

Senador Jean Paul I Foto: cedida
Senador Jean Paul I Foto: Agência Senado

Indicado para a equipe de transição na área de minas e energia nesta quarta (16) e um dos nomes cotados para presidir a Petrobras no futuro governo Lula, o senador Jean Paul Prates (PT) classificou a atitude do governo Bolsonaro como “má fé”.

“Aqui há todos os indícios de uma rapinagem típica: uma pressa desmedida para levar a alienação adiante, mesmo sabendo que uma nova gestão irá assumir e provavelmente não concordaria com os termos e prazos desta venda. É portanto um ato de má fé com todas as características de uma negociata de fim de xêpa”, criticou.

Ele disse que buscará desfazer a tentativa de venda: “Vamos atuar para que seja suspenso o processo, até análises devidas e decisão coerente com a revisão da permanência da Petrobras no Rio Grande do Norte”.

Início dos desinvestimentos

Desde que a privatização iniciou, a redução de empregos na Petrobras foi alta: mais de 10 mil terceirizados foram demitidos e quase 3 mil trabalhadores próprios foram transferidos ou demitidos, segundo o diretor do Sindipetro. A estatal viveu seu período áureo no RN em 2012 e, com os desinvestimentos, passou também por uma queda vertiginosa na produção.

O início dos anúncios de desinvestimentos na Petrobras começou em 2015, época em que a estatal predominava dentro dos campos de petróleo potiguares e produzia cerca de 64 mil barris de óleo equivalente diariamente (boe/d), que considera petróleo e gás juntos.

Quando iniciou a privatização, a Petrobras enfrentou uma forte queda na produção, indo de 70.602 barris de óleo equivalente ao dia no auge, em dezembro de 2012, até chegar a 40.723 mil barris ao dia em dezembro de 2019, mês em que as empresas privadas começaram a operar no Rio Grande do Norte. Os dados são do Painel Dinâmico da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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