Potiguares são homenageados em celebração ao mês da Consciência Negra por vereadores de Natal
Natal, RN 5 de mar 2024

Potiguares são homenageados em celebração ao mês da Consciência Negra por vereadores de Natal

17 de novembro de 2022
5min
Potiguares são homenageados em celebração ao mês da Consciência Negra por vereadores de Natal

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Para celebrar o dia da Consciência Negra, 20 de novembro, os vereadores de Natal vão homenagear personalidades durante a solenidade com a comenda Zumbi dos Palmares, de proposição da vereadora Divaneide Basílio (PT-Natal). O evento será realizado às 10h desta sexta-feira (18), no plenário da Câmara Municipal da capital potiguar.

Para Divaneide, primeira vereadora a se autodeclarar negra na Casa Legislativa, a data é importante por se tratar de um reconhecimento ao “povo que foi injustamente escravizado, que lutou, resistiu bravamente, e continua lutando pelo direito de existir, pelo direito de não morrer precocemente”.

“A Comenda Zumbi dos Palmares é justamente a retomada dessa história e celebração para homenagear pessoas que são símbolo dessa luta”, completa a vereadora.

O título faz referência ao último líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi nasceu na então Capitania de Pernambuco, em região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, no estado de Alagoas. Ele é considerado símbolo da luta contra a escravidão, pela liberdade de culto religioso e da prática da cultura africana no Brasil.

Homenageados

Os homenageados da propositora serão a parteira Ana Maria Valcácio da Silva, conhecida como Donana, de São Gonçalo do Amarante; Milla da Oxum, o jornalista Cláudio Oliveira e a Nação Zamberacatu. Além deles, outras pessoas receberão a comenda dos demais parlamentares.

Donana, de São Gonçalo do Amarante. | Foto: John Nascimento

Assessor de imprensa da Câmara Municipal e repórter da Tribuna do Norte, Cláudio reconhece a representatividade de homenagens com o tema, algo que descreve como singular para uma população que foi empurrada para a margem da sociedade.

“Quando uma iniciativa como essa leva ao plenário da Câmara pessoas negras, que conquistaram algum espaço que a sociedade ao longo dos séculos tentou convencer que não eram espaços para elas; ou que tenham sofrido e enfrentado o racismo publicamente, se expondo ainda mais, reforça o sentimento de igualdade e de que todos somos capazes sim”, avalia.

Cláudio ressalta que não é ativista, não participa de movimentos sociais, mas a atuação jornalística em si já é representativa: “É como me foi dito quando me informaram dessa indicação, de que só o fato de ter conseguido ingressar num curso superior, numa universidade pública, num curso que naquele momento ainda era considerado de elite, de uma classe intelectual privilegiada, de estar atuando nessa área, já é um ato de representatividade e resistência. Eu era o único de pele mais escura da minha turma na faculdade, apesar de não ter sofrido nenhum tipo de preconceito quanto a isso, tanto que fui até escolhido como juramentista na colação. Isso ainda em 2006”.

Cláudio Oliveira era único negro de turma de Jornalismo da UFRN. | Foto: Cedida

A Nação Zambêracatu é a primeira de maracatu da capital potiguar, um grupo fundado em 2012, com o objetivo de fortalecer e difundir a cultura afro-brasileira no Rio Grande do Norte. Para o mestre Kleber Moreira, comendas como a Zumbi dos Palmares são relevantes, mas não fazem a diferença necessária à “existência e manutenção da cultura negra potiguar”.

“De fato tem seu significado positivo, mas esse recorte da data incomoda. Pontuar ações que ocorrem durante todo o ano, de forma totalmente independente, com uma homenagem que muitas vezes serve mais para amparar a Câmara Legislativa do que dar real conhecimento aos agentes de promoção da cultura negra no Estado”, aponta de forma crítica o mestre da Nação Zambêracatu.

Kleber conta que a menos de dois dias de um evento histórico para o estado, Sankofa: 1º Encontro dos Reinos Pretos do RN, o grupo está sem recursos para levar os integrantes a Parelhas, onde será realizado.

“Vários apelos estão sendo feitos via redes sociais assim como pedidos pessoais diretos, mas não estamos conseguindo apoio significativo, tendo que tirar do bolso dos grupos todo o custo desse evento que só eleva o nome do estado. já passou da hora de os fazedores da cultura do RN serem realmente valorizados e terem um reconhecimento real para as ações”, disse o mestre.

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