CIDADANIA

Servidores da saúde fazem ato contra UPA’s superlotadas em Natal; governo federal anuncia novo bloqueio de R$ 1,6 bi no SUS

Foto: Sindsaúde RN

Na manhã desta quarta (30), servidores da saúde realizaram o primeiro de uma série de atos para denunciar a superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) de Natal. A manifestação de hoje ocorreu em frente à UPA Potengi, onde os profissionais têm registrado aumento da procura, principalmente de pacientes infantis, depois que o setor de pediatria da UPA Pajuçara foi fechado pela Secretaria Municipal de Saúde que alegou necessidade de “redefinição de fluxo pediátrico”.

Segundo funcionários do local, com a mudança, a UPA Potengi já chegou a ter o dobro do atendimento que fazia usualmente. A superlotação se junta a outros problemas já existentes, como deficiências estruturais, falta de insumos e equipes reduzidas.

Ainda em outubro, os servidores denunciaram o plano da prefeitura de Natal de fechar o setor de pediatria da UPA Pajuçara, mas a informação foi negada pela Secretaria Municipal de Saúde. Porém, apenas um dia depois, as atividades do setor foram encerradas.

Para os próximos dias estão programadas outras atividades. No dia 05 de dezembro, a partir das 8h, uma manifestação será realizada na Maternidade Dr Leide Morais. Já no dia 07 está programada uma paralisação de advertência com duração de 24 horas, a partir das 8h, com mobilização em frente à Câmara de Vereadores de Natal. Os atos são liderados pelas entidades sindicais: Sindsaúde/RN, Sindern, Soern, Sinfarn e Sinsenat.

De acordo com a direção do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Saúde no Rio Grande do Norte (Sindsaúde/ RN), também será organizado um ato na Câmara Municipal no dia da votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), cuja data ainda será divulgada. Os servidores querem garantir mais recursos para a saúde no orçamento do município, além de recursos para o pagamento do piso da enfermagem em 2023. O governo federal afixou o valor mínimo de R$ 4.750,00 para enfermagem, R$ 3.325,00 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375,00 para auxiliares de enfermagem e parteiras.

Foto: Sindsaúde RN
Foto: Sindsaúde RN

Cortes no SUS

Todo o problema estrutural e de falta de recursos no SUS será agravado com o novo bloqueio realizado pelo governo Bolsonaro na pasta da Saúde de R$ 1,65 bilhão do Ministério da Saúde, o que reduz repasses para estados e municípios.

Os cortes vão atingir as chamadas despesas discricionárias, como o programa Farmácia Popular, a habilitação de leitos, além da compra de medicamentos e insumos.

Não há outra coisa a esperar de um governo que negou a vacina por 11 vezes e que é responsável pela morte de quase 700 mil pessoas no país. Isso representa falta de equipamentos e materiais. Isso é um ataque ao SUS, assim como tem feito durante todo esse período com privatizações e terceirizações. Temos que defender o SUS, que foi o responsável pela vacinação e por amenizar a pandemia no país”, avalia Rosália Fernandes, coordenadora do Sindsaúde RN e servidora do Hospital Walfredo Gurgel.

O governo federal já havia anunciado um bloqueio anterior de R$ 2,23 bilhões na saúde somando, agora, um total de R$ 3,8 bilhões bloqueados.

Essa política provocou o retorno da paralisia infantil, o aumento da mortalidade materna. O RN é o quinto estado com maior índice de mortalidade infantil. Vai ser a barbárie”, critica Rosália Fernandes.

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