TRABALHO

Vinte e oito potiguares denunciam trabalho análogo à escravidão em laranjal de SP

Um grupo de trabalhadores potiguares denuncia que estava submetido a trabalho análogo à escravidão em um laranjal, no município de Ubirajara, em São Paulo. Vinte e seis homens e duas mulheres deixaram o município de Guamaré, no Rio Grande do Norte, chegando à fazenda no dia 28 de setembro. Diante de péssimas condições, conseguiram retornar no dia 5 de novembro, após pedirem ajuda aos conterrâneos.

“Foi uma laranjada”, disse um deles, em contato com a Agência Saiba Mais. “Surgiu como uma proposta de emprego. Falaram pra gente que era um salário na carteira de trabalho [R$ 1.212] mais a produção”.

“A casa quem alugou foi ele, mas quem pagava era a gente, casa, luz, água, alimentação, tudo. Teve gente que recebeu 500, outros 600, outro recebeu 72 reais em 20 dias, porque faltou doente e teve o atestado contestado. O dia de falta era 200 reais”, contou, denunciando um homem que se apresenta como Sidney, da empresa Fênix.

Vídeos e áudios foram enviados a Guamaré e políticos ajudaram a custear o transporte para o retorno: “Depois de 28 dias bateu o desespero pra ir pra casa e não tinha como ir. Graças a Deus deram uma ajuda aí pra gente ir ‘simbora’”.

O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte foi comunicado do caso nesta segunda-feira (14) e deve abrir procedimento.

A Agência Saiba Mais entrou em contato com o Ministério Público do Trabalho em São Paulo no final da tarde desta segunda, mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Em 2014, o órgão resgatou 21 trabalhadores também do Nordeste, que trabalhavam na colheita de laranja em condições degradantes em uma fazenda em Ubirajara. Em moradias precárias, a situação era semelhante: eles eram cobrados por dívidas pelo aluguel dos imóveis e também pela viagem de suas cidades até o estado de São Paulo.

As imagens feitas pelos trabalhadores neste mês de novembro mostram casas mal equipadas, uma delas, de taipa/madeira, onde ficaram sem gás por dois dias e tiveram que usar carvão. Eles também reclamam que não tinham o que comer.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais