Com baixo movimento e sem segurança, comerciantes da Árvore de Mirassol acumulam prejuízos
Natal, RN 30 de mai 2024

Com baixo movimento e sem segurança, comerciantes da Árvore de Mirassol acumulam prejuízos

8 de dezembro de 2022
5min
Com baixo movimento e sem segurança, comerciantes da Árvore de Mirassol acumulam prejuízos

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O Natal em Natal segue gerando queixas por parte dos comerciantes. Depois dos sebistas, que foram barrados na Feirinha de Mirassol, agora é a vez dos ambulantes, que afirmam terem sido escanteados pela Prefeitura de Natal. Eles alegam que a falta de programação cultural no palco principal, a forma como a estrutura foi posicionada e a ausência de iluminação estão dificultando a atração de público para as barracas de alimentação.

Se sobram luzes nos 110 metros da Árvore de Mirassol, do outro lado da rua, o cenário é bem diferente. Além do baixo movimento de público, os ambulantes afirmam que faltam estruturas básicas, como iluminação e controle do trânsito. O resultado seria uma via escura, pouco atrativa e insegura, para comerciantes e clientes. Na tentativa de contornar essa situação, os ambulantes estão pagando um vigilante de rua.

Comerciantes reclamam da falta de iluminação e da insegurança. | Foto: Cedida

A gente está no escuro, sem segurança e sem qualquer apoio da Prefeitura. Para você ter ideia, estamos tendo que pagar um segurança particular, que não é força policial mas pelo menos inibe um pouco. Isso foi necessário porque, inclusive, já teve assalto lá”, conta Renata Marques, que tem uma barraquinha de arepas - um pão de farinha de milho tradicional em países como Venezuela e Colômbia.

O cadastro dos ambulantes da Praça da Árvore de Mirassol é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur). Neste ano, foram disponibilizadas 43 vagas para estandes, localizados na Avenida Passeio das Rosas. Para ter acesso ao licenciamento, os comerciantes precisavam cumprir uma série de exigências e documentos obrigatórios, como descrito em portaria publicada no Diário Oficial do Município, no dia 3 de novembro.

Renata explica que, cada comerciante, precisou desembolsar uma taxa de R$ 500 a R$ 600, apenas para poder utilizar o espaço, além de arcarem com o custo de locação da barraca, em torno de R$ 450. Isso sem falar no investimento individual em equipamentos, insumos e produtos alimentícios, muitos deles perecíveis. 

Eu ainda não tirei, sequer, o que investi de alimentos”, lamenta. Situação semelhante à vivenciada por Jecy Gomes Júnior, que trabalha no local desde o primeiro ano e afirma não ter conseguido rever nem 30% do custo que investiu no espaço, mesmo já tendo se passado duas das seis semanas em que os comerciantes permanecerão na Praça da Árvore de Mirassol.

A gente está completamente sem estrutura. É inacreditável o descaso! Trabalho na Árvore há muitos anos, moro na região e nunca vi tão desorganizado. Fizemos um investimento alto para algo que dura 44 dias e não conseguimos ter um retorno razoável nem nos dias de fim de semana, quando o movimento melhora um pouquinho”, reclama Jecy, completando que a falta de programação cultural no palco principal e a forma como ele foi posicionado dificultam o acesso do público às barracas.

Palco sem shows

Os comerciantes da Avenida Passeio das Rosas se queixam, também, da falta de programação cultural no palco principal de Mirassol. Apenas no dia em que a Árvore foi acesa, em 25 de novembro, houve atrações no espaço, quando Antônio Nóbrega, Khrystal, Carlos Zens, Banda Sinfônica do Nata e Pastoril Cabeceiras (Tibau do Sul) se apresentaram no local. 

O que a gente está questionando é por que foi colocada uma estrutura enorme, com camarim e tudo, que só está servindo para bloquear a via e dificultar ainda mais o acesso às nossas barracas. Da Casa do Papai Noel pra baixo, está tudo isolado. As pessoas têm medo até de atravessar para o outro lado da rua”, relata Jecy.

A SAIBA MAIS procurou a Funcarte para saber qual a programação do palco principal de Mirassol. De acordo com a secretaria, o local voltará a ser utilizado neste fim de semana, com Carmem Pradella, Alan Persa e Ju Santos, na sexta (9); Duo Desequilíbrio, Cida Lobo e Dudu Galvão, no sábado (10); e Matinê “Adeus Ano Velho”, Trio Trancelim e Forró Namanha, no domingo (11).

Questionada do porquê o palco principal da Árvore de Mirassol está sem shows há duas semanas, a assessoria da Funcarte justificou que isso se deve à programação da Feirinha de Artesanato - onde existe um espaço menor em que também são realizadas apresentações culturais. No entanto, quando perguntada sobre o valor investido na estrutura, a assessoria ainda não respondeu.

Esta reportagem também entrou em contato a Semsur, para saber por que os comerciantes estão no escuro, mas a Secretaria não atendeu e nem retornou as ligações e mensagens.

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