CIDADANIA

Com novo ministério da Saúde, Sesap quer reverter baixa cobertura vacinal ainda este ano

Um dos “legados” deixados pela gestão anterior na presidência da República foi o discurso negacionista contra a ciência e a eficiência das vacinas, que resultou num dos mais baixos índices de cobertura vacinal do país: menos de 59% do público em 2021, de acordo com o Ministério da Saúde.

No Rio Grande do Norte, pela plataforma de monitoramento RN+Vacina, apenas 39% das crianças com até 4 anos foram vacinadas contra a poliomielite, por exemplo. Isso quer dizer que de um universo de 186.330 pessoas nessa faixa etária, apenas 73.344 foram imunizadas, apesar das doses estarem disponíveis nos postos de saúde dos municípios.  Desse total de doses aplicadas, 17.049 foram em crianças de até 1 ano; 15.054 em crianças de até 2 anos; 15.878 em crianças com 3 anos; e 15.950 em crianças com 4 anos.

Cipriano Maia, secretário de Saúde do RN I Foto: reprodução

Tivemos uma audiência com a ministra [Nísia Trindade] na quarta passada e o clima é de cooperação entre ministério, estados e municípios, como é o princípio do SUS. Uma das prioridades é melhorar as coberturas vacinais para crianças, jovens, adultos e idosos do país. O encaminhamento é iniciar um movimento nacional pela vacinação envolvendo todos órgãos. O RN tem algumas experiências positivas, como o Escola Nota 10 e Empresa Nota 10, em colaboração com o Sistema S [formado pelo Sesc, Senac, Sesi e Sebrae]. Teremos uma próxima reunião com a ministra dia 26 e com o presidente dia 27. Sabemos que a comunicação é fundamental nesse processo de desconstruir as teorias negacionistas. Precisamos convencer as famílias e responsáveis sobre a importância da vacinação”, avalia Cipriano Maia, titular da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap).

No caso da covid-19, a cobertura chega a ser de 85% (2.714.701 pessoas) entre os habitantes potiguares, ou seja, com a cobertura vacinal considerada completa, com as duas doses (D2). Até o momento, 93% da população do estado (2.976.019) tomou a primeira dose (D1), 51% (1.633.904) tomou a primeira dose de reforço (D3) e apenas 11% (351.354) concluiu o ciclo de imunização com a segunda dose de reforço (D4). O Rio Grande do Norte tem uma população de mais de três milhões de habitantes (3.168.027).

Entre as medidas mais imediatas, a Sesap emitiu ofício recomendando que municípios estendam o horário de vacinação para além do tradicional, para facilitar o acesso das famílias às vacinas. A estimativa é reverter os baixos índices de vacinação ainda este ano.

Estamos aproveitando o verão para fazer campanha da vacina nas regiões de praia e veraneio, nos antecipando ao movimento nacional. Também já emitimos nota técnica para os municípios localizados no sertão para quem levem a campanha para as áreas de lazer e de concentração de pessoas”, revela Cipriano Maia.

A doença

poliomielite é uma doença infectocontagiosa viral aguda, que provoca paralisia, geralmente nos membros inferiores. A doença não tem cura e é causada pelo poliovírus e pode ser transmitida por contato direto pessoa a pessoa, de forma mais frequente pela via fecal-oral, mas também por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, através de gotículas ao falar, tossir ou espirrar.

Histórico

No Brasil, o último caso detectado foi em 1989, na Paraíba, mesmo ano em que a doença apareceu pela última vez no Rio Grande do Norte, com um registro em São José do Seridó. Nas Américas, isso ocorreu em 1991, no Peru, e o continente recebeu o Certificado da Erradicação da Transmissão Autóctone do Poliovírus Selvagem em 1994, graças à vacinação.

Falta vacina infantil para covid-19

Alguns municípios do país enfrentam problemas com desabastecimento da vacina Pfizer infantil, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para aplicação em crianças de 6 meses a 4 anos em prevenção à covid-19.

A secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde anunciou no dia 6 de janeiro que o órgão estava desabastecido. Já foram realizados pedidos para que algumas entregas previstas para o fim do mês sejam antecipadas.

Para driblar a situação, a Sesap já tem plano de remanejamento de imunizantes de cidades com maior estoque para outras que estejam desabastecidas.

Já fizemos remanejamento em outras situações e podemos voltar a fazer, essa é uma discussão que temos semanalmente. O ministério anunciou novos contratos com o Butantan para produção de vacinas e renegociou com fornecedores a aceleração de entregas. Esperamos que a situação seja regularizada nas próximas semanas e meses, alguns municípios aqui no RN ainda têm estoque”, antecipa o titular da Sesap.

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