Animais de estimação: por que a adoção é o melhor caminho?
Natal, RN 18 de jun 2024

Animais de estimação: por que a adoção é o melhor caminho?

26 de fevereiro de 2023
7min
Animais de estimação: por que a adoção é o melhor caminho?

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Por Luan Conceição

Na vida e na rotina de muitas pessoas, a presença dos animais é indispensável. É comum que os donos passem a considerar os bichinhos de estimação mais do que companhias, em alguns casos são como membros da família e integrantes do lar.

De todos os tamanhos e cores, cachorros e gatos são os favoritos dos tutores e os animais de estimação mais comuns e populares. Mas discussões importantes vêm sendo levantadas sobre a forma como esses animais são adquiridos.

Acontece que, enquanto muitos desses  bichinhos são abandonados e vivem nas ruas ou abrigos à espera de um lar, outros são vendidos a preços altos em uma indústria de reprodução de cães e gatos que está envolvida em casos de maus tratos e exploração.

A indústria da exploração e do sofrimento

Por inocência, muitas das pessoas que compram companheiros de estimação não sabem que estão muitas vezes ajudando a financiar maus tratos e abusos seríssimos contra os bichinhos.

A ativista dos direitos dos animais, Margot Ferreira aponta uma série de irregularidades e crueldades que acontecem em canis especializados na reprodução e venda de cachorros e gatos de “raça pura”:

“Nesses lugares as fêmeas são exploradas até a morte, com três gestações ao ano. Ou então, quando elas terminam a idade reprodutiva, são descartadas como objetos sem utilidade. Isso sem falar no ato sexual em si. A cadela no cio é posta num corredor apertado, sem chances de fuga ou defesa, enquanto o macho faz o acasalamento. É uma indústria de crueldades, do começo ao fim do processo,  alimentada por pessoas que consideram uma questão de status ter um animal dito ‘de raça’ no tapete da sala ou no perfil do Instagram”, conta.

Esse tipo de situação é denunciada diariamente por protetores e ativistas, que lutam por uma nova regularização e leis que protejam os animais que vivem em condições do tipo. Atualmente, existem aparatos judiciais que colaboram para a manutenção desse tipo de maldade:

“Infelizmente; os ‘empresários’ que vivem da exploração dos animais estão muito bem amparados juridicamente. Há leis e regras que os protegem. E quem as segue não sofre penalidades, mas desestabiliza a causa animal. Mas a clandestinidade também existe e os protetores estão sempre alertas para possíveis denúncias”, pontua.

O problema se estende ainda em outros sentidos. Os filhotes que são entregues limpos, cheirosos e arrumados, muitas vezes passaram por maus tratos antes de chegarem a seus compradores. Por manter uma grande quantidade de animais em espaços insuficientes, muitos canis ignoram cuidados básicos de alimentação, saúde e higiene. Por conta disso, muitos dos filhotes desenvolvem traumas e doenças que podem levar à morte ou problemas de socialização, diminuindo drasticamente a sua qualidade de vida.

Infelizmente, é importante pontuar que, ao comprar animais em canis, os tutores estão financiando esta indústria e, consequentemente, todas as problemáticas envolvidas nela.

A importância de substituir a compra pela adoção

Animais de estimação foram criados, domesticados e geneticamente modificados para que pudessem ser parte dos lares. Isto significa que foram feitos para viver dentro de casa, protegidos e com tutores que possam cuidar de sua alimentação e saúde.

Porém, a população de cães e gatos que vivem abandonados é alta e estes animais estão desamparados. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem cerca de 20 milhões de cachorros e 10 milhões de gatos em situação de rua. Além dos animais de rua, milhares de bichinhos se encontram também em abrigos e lares temporários, aguardando pela tão sonhada adoção. Por isso, adotar animais é uma maneira de não financiar a sua exploração e ainda garantir uma companhia de maneira consciente.

Os abrigos se mantém com muito esforço daqueles que amam e protegem os animais, já que não há uma fonte de renda para custear os gastos com alimentação, saúde, limpeza e outros. Outra necessidade importante é a da castração, para evitar que mais animais nasçam desamparados.

Muitos voluntários se envolvem neste cuidado e participam de campanhas e atos pela manutenção dos abrigos. É o caso de Sandro Pimentel, ex-vereador de Natal e ex-deputado estadual pelo PSOL e ativista da causa animal:

“A luta dos ativistas da causa animal é por tudo. Falo tudo porque o poder público nada oferece. A causa sobrevive de bazar, rifas e afins. […] Mas são muitas necessidades, cada uma mais importante que a outra, como por exemplo vacinação antiviral, vermífugos, anti carrapaticidas, coleiras repelentes contra calazar, ração e por aí vai”, conta.

Durante o mandato como vereador de Natal, Sandro propôs o projeto de lei 15/2017, que autorizou a construção e realização de um Hospital Público Veterinário na cidade. O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal de Natal, mas até então, não foi realizado pela gestão do município.

Para ajudar na causa e colaborar com os abrigos, Sandro Pimentel faz doações pessoais:

“A situação de abandono do poder público aos animais é tão aguda que sequer existem consultas gratuitas, exceto as 120 que ofereço mensalmente com recursos próprios.”

Por isso, os protetores fazem dois apelos à população: que se possível, colabore com doações e trabalho voluntário. Mas especialmente, que considere adotar um ou mais animais que estejam vivendo em abrigos e lares temporários.

A experiência de quem adota

Aqueles que adotam animais de estimação, dizem não se arrepender da escolha. Afinal, o carinho que os amigos de quatro patas  proporcionam, nada tem haver com o valor pago por eles.

A ativista Margot reforça a grandeza do ato de adotar:

“A adoção é uma ação humanitária, socialmente responsável e ecologicamente e politicamente correta”.

Sammara Beatriz, estudante universitária. possui dois animais adotados: a gata Sasha e o cachorro Charles. Ela afirma que a sua família sempre optou por adquirir os companheiros desta forma:

“Nós preferimos adotar porque não compactuamos com a ideia de comprar animais, não acreditamos que eles sejam produtos e não queremos alimentar um mercado que explora animais. Além disso, existe muitos animais em ONGs esperando por um lar, e nossa família adotou justamente por esse motivo.”

Sasha e Charles com a tutora Thaynara, irmã da estudante Sammara. Foto: Sammara Beatriz.

Ela ainda pontua que os animais adotados podem oferecer o mesmo amor e companhia aos donos que os que são comprados:

“Não é nada diferente de um animal comprado, exceto que são considerados ‘vira-latas’ e não de raça pura. Eles geralmente chegam com medo, receosos, mas logo se abrem, quando percebem que é um ambiente seguro e amoroso. Eles são extremamente amigáveis com a família e deram vida ao ambiente”.

O relato da estudante é um, entre os milhares de tutores que adotaram os seus animais de estimação e viram eles se tornarem seus melhores amigos e membros da família. Para quem quer adquirir um animal, fica o conselho: a adoção é o caminho mais responsável e justo.

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