Morro do Careca sofre com erosão e Praia de Ponta Negra encara degradação antes de início de engorda
Natal, RN 24 de jun 2024

Morro do Careca sofre com erosão e Praia de Ponta Negra encara degradação antes de início de engorda

13 de fevereiro de 2023
5min
Morro do Careca sofre com erosão e Praia de Ponta Negra encara degradação antes de início de engorda

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Subir no Morro do Careca é proibido desde 1997, mesmo assim, aqui e acolá, aparece alguém tentando furar o bloqueio montado para proteger a duna de 102 metros de altura, localizada no extremo sul da Praia de Ponta Negra, que se tornou o cartão postal de Natal. 

A erosão que já vinha ocorrendo pela ação do homem tem sido potencializada, também, pelo avanço do mar, que tem deixado falésias de até 2,5 metros de altura na base do morro. Há uma semana, técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb)  fizeram uma vistoria no local e perceberam que os sedimentos que chegavam na parte de trás do Morro, na Praia de Alagamar, e o mantinham firme, pararam de chegar.  

Uma notícia positiva, é que isolamento da área, por outro lado, contribuiu para a recuperação da vegetação nativa, que também vinha passando por um processo de degradação por causa das subidas no Morro do Careca, que fica localizado na Zona de Proteção Ambiental 6 (ZPA-6). 

Banheiros 

Banheiros fechados na Esgoto na Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes
Banheiros fechados na Esgoto na Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes

Além da questão ambiental em torno do Morro do Careca, a Praia de Ponta Negra sofre com uma série de outros problemas que se repetem há anos. Os banheiros públicos, por exemplo, foram construídos e entregues à população em 2015, mas poucas são as pessoas que têm coragem de frequentá-los, muitos sujos, alguns depredados e outros trancados para evitar uma maior deterioração provocada por vandalismos.  

Os frequentadores da praia aguardaram a construção das unidades por anos já que, até então, as pessoas tinham que pedir para usar os banheiros dos hotéis e estabelecimentos comerciais que ficam na orla. Diante da falta de manutenção do poder público, em 2018 os comerciantes chegaram a fechar um acordo com a Semurb e passaram a pagar pela limpeza dos banheiros. Depois a Prefeitura de Natal decidiu privatizar o serviço e uma empresa passou a cobrar pelo seu uso, o que também não deu muito certo. Com o encerramento do contrato, a terceirização não foi renovada e o mau cheiro do local contamina o ambiente e contrasta com a paisagem. 

Calçadão 

Esgoto na Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes
Esgoto na Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes

Além dos banheiros, ao longo do calçadão que deveria ser espaço para caminhadas agradáveis, é forte o odor de urina em vários trechos. Em alguns pontos, também é possível observar valas por onde correm esgoto a céu aberto.  

Lixo 

Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes
Lixo na Praia de Ponta Negra I Foto: Mirella Lopes

Se tem coisa que é resultado não apenas da omissão do poder público, é o lixo. Ao redor dos quiosques, nos recantos mais afastados, na areia da praia e até mesmo na água no mar, é possível encontrar lixo na Praia de Ponta Negra, canudos de plástico, embalagem de biscoito, pipoca, tampa de garrafa e até restos de comida deixam a praia menos bonita. 

A praia é só um indício de como os espaços públicos são tratados nas demais regiões da cidade. Precisamos cuidar melhor dos nossos espaços de convivência e fazer da rua um lugar agradável, não só porque é mais bonito para quem nos visita, mas porque é mais agradável para assim viver. 

A engorda 

O projeto de engorda prevê o alargamento da faixa de areia da praia de Ponta Negra em até 100 metros, na maré seca, e 50 metros na maré cheia. A obra foi orçada em R$ 75 milhões, com recursos da Prefeitura de Natal e do Governo Federal. 

O serviço foi orçado em três etapas: a primeira é a complementação do enroncamento, ou seja, dos blocos utilizados para contenção da água. A segunda compreende a alteração da drenagem na região, com o objetivo de reduzir a força das águas pluviais que chegam à praia e, assim, minimizar a erosão costeira. E, por fim, a última etapa compreende o aterramento hídrico com cerca de 4,4 toneladas de areia. 

Neste mês de fevereiro, foi iniciado o processo de fabricação dos blocos de concreto que serão utilizados na obra de enrocamento e proteção costeira da praia de Ponta Negra, como parte da obra de engorda da Praia de Ponta Negra. Ao longo de toda a extensão da obra, que vai abranger dois quilômetros, serão instalados cerca de 19 mil blocos, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). 

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