Produção da empresa que quer substituir Petrobrás no RN apresenta tendência geral de declínio
Natal, RN 1 de mar 2024

Produção da empresa que quer substituir Petrobrás no RN apresenta tendência geral de declínio

10 de fevereiro de 2023
7min
Produção da empresa que quer substituir Petrobrás no RN apresenta tendência geral de declínio

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A produção de óleo e gás da 3R Petroleum no RN registrou um pequeno crescimento, mas prossegue com tendência geral de declínio. Segundo a edição de dezembro do Boletim Mensal da Produção de Óleo Gás, publicado nesta quarta-feira, 8, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis – ANP, os volumes extraídos pela empresa nos campos petrolíferos em que detém concessão ou participação oscilou positivamente em cerca de 200 barris de óleo equivalente (óleo e gás) por dia (boe/d). Saiu de 4.800 boe/d em novembro-22 para 5.007 boe/d em dezembro-22. No entanto, em dezembro-21, a produção nessas mesmas áreas era de 7.199 boe/d, ou seja, no período de um ano, o volume extraído caiu mais de 30%!

Hoje, a produção da empresa que pretende substituir a PETROBRÁS no comando da indústria petrolífera do Estado, caso consiga concretizar junto à estatal a transação de compra e venda de 22 campos terrestres e marítimos agrupados no chamado Polo Potiguar, é realizada em três áreas: Polo Macau, Polo Areia Branca e Polo Pescada. No Polo Macau, adquirido junto à PETROBRÁS e operado pela 3R desde maio de 2020, a produção entre novembro e dezembro oscilou positivamente em 4,6%, com queda de 34,7% no período de um ano.

No Polo Areia Branca, cuja concessão foi adquirida pela 3R após a compra da Duna Energia (ex-Central Resources), empresa então controlada pelo Banco BTG Pactual, houve queda de 1% entre novembro e dezembro, com crescimento de 5,3% no período de um ano. Já no Polo Pescada, com três campos marítimos em águas rasas, onde a 3R Petroleum detém 35% de participação, aguardando decisão da ANP sobre a compra dos 65% restantes, houve queda de produção de 7,3% entre novembro e dezembro, e de 5% na comparação com dezembro de 2021.

A empresa

Na mídia potiguar, o histórico da hoje denominada 3R Petroleum Óleo e Gás S.A. tem início em novembro de 2018, quando esta ainda tinha o porte de microempresa. Sem experiência de gestão de campos petrolíferos ou de recuperação de produção em áreas consideradas maduras (que já passaram pelo pico de produção), a então denominada 3R Petroleum foi anunciada pela PETROBRÁS como vencedora do certame pela aquisição de 34 campos petrolíferos no Polo Riacho da Forquilha (RN), com uma oferta de US$ 453,1 milhões.

O Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do RN (SINDIPETRO-RN) foi o primeiro a denunciar. No mesmo dia em que a aprovação foi divulgada pela PETROBRÁS, a entidade publicou matéria em sua página eletrônica na internet estranhando a decisão e cobrando explicações. Em seguida, vários veículos da mídia corporativa repercutiram e aprofundaram a denúncia, trazendo opiniões de especialistas do setor, e o pagamento da primeira parcela, no valor de US$ 34 milhões, previsto para o início de dezembro, nunca chegou a acontecer.

Em fins de janeiro de 2019, a mídia corporativa ainda indagava à PETROBRÁS e à 3R Petroleum, sem sucesso, as razões da não assinatura do contrato. Em 25 de abril, em um comunicado denominado FATO RELEVANTE, a estatal anunciou a venda da concessão de Riacho da Forquilha para outra empresa, por US$ 384,2 milhões, e, de forma lacônica, informa que a nova empresa fora “selecionada após a desclassificação da 3R Petroleum”.

A volta

A volta da 3R Petroleum ao noticiário potiguar não tardou. Em 9 de agosto de 2019, novo Fato Relevante publicado pela PETROBRÁS anuncia a empresa como vencedora do certame para a aquisição do Polo Macau. Uma concessão com sete campos petrolíferos, e produção, à época, de 5,8 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), sendo que um desses campos era compartilhado pela estatal com a petrolífera portuguesa PETROGAL.

Ainda segundo esse Fato Relevante, o contrato do Polo Macau foi assinado com a SPE 3R Petroleum S.A. (hoje 3R Macau S.A), subsidiária integral da, já então, 3R Petroleum e Participações S.A. – antiga 3R Petroleum que fora transformada em sociedade por ações em maio de 2019. Já a SPE 3R Petroleum, uma “sociedade de propósito específico” que passou a deter a concessão do Polo Macau, foi constituída menos de um mês antes do anúncio da venda dessa área.

Realizada em 17 julho, a operação envolveu a compra da Bunaken RJ Empreendimentos Imobiliários S.A. pela 3R Petroleum e Participações S.A., seguida da alteração da denominação social dessa empresa para SPE 3R Petroleum S.A.. Fato intrigante é que a própria Bunaken Empreendimentos Imobiliários havia sido constituída um pouco antes, em 11 de abril, conforme Ata publicada, a pedido, na edição de 17 de julho do Diário Oficial do Estado do RJ.

Revisitar

Nos últimos dias, provavelmente referindo-se ao Polo Potiguar, veículos da mídia corporativa norte-rio-grandense tem atribuído ao novo presidente da PETROBRÁS, Jean Paul Prates, declarações de que o contrato de compra e venda com a 3R Petroleum deverá ser “revisitado”. Em vídeo institucional distribuído à categoria petroleira nesta quinta-feira, 9, o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, Ivis Corsino, declarou não ver nenhum problema nisso. Ao contrário.

Convencido da existência de equívocos e vícios nos processos de venda de ativos da PETROBRÁS no RN, Corsino informa que “o Sindicato tem ações judiciais e denúncias protocoladas junto ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal”, e defende que “uma nova gestão, até por dever legal, deve auditar esses procedimentos e dar o tratamento adequado”. “Quem não deve, não teme”, afirma o dirigente sindical, citando o conhecido ditado popular.

Qualificação

O questionamento de aspectos relacionados à legalidade jurídica dos processos de venda de ativos pela PETROBRÁS não é a única preocupação do SINDIPETRO-RN. Segundo o diretor de Comunicação da entidade, Orildo de Lima e Silva, que também é presidente da Associação dos Geólogos do RN, o que está em jogo nessa história “é a exigência de qualificação minimamente necessária para operar dezenas de campos petrolíferos maduros e capacidade de investimento para manter a produção em níveis satisfatórios, explorando novas áreas”.

“Ainda que a 3R Petroleum e suas subsidiárias hoje possuam alguns profissionais e técnicos qualificados – vários fugindo da situação de desemprego, ou alguns aposentados, egressos da própria Petrobrás –, não podemos correr o risco de entregar 2/3 da produção estadual de petróleo e gás para uma empresa de papel, sem experiência no setor, e que nem sequer vem conseguindo resultados satisfatórios nas áreas em que opera”, alerta o diretor.

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