RN investiga segundo caso suspeito de febre amarela em primata
Natal, RN 15 de jun 2024

RN investiga segundo caso suspeito de febre amarela em primata

14 de fevereiro de 2023
6min
RN investiga segundo caso suspeito de febre amarela em primata

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A Secretaria Estadual de Saúde (Sesap/RN) está investigando um caso de febre amarela no Rio Grande do Norte. Esta semana a Secretaria recebeu comunicado do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz/RJ) apontando que a morte de um sagui de tufo branco (Callithrix jacchus) é "sugestivo de febre amarela". A morte do animal foi registrada em Natal, no dia 08 de dezembro de 2022.

Este é o segundo caso suspeito de febre amarela em primatas que está sendo investigado no RN. Em 18 de janeiro de 2023 um outro animal, do município de Espírito Santo/RN, apresentou o mesmo resultado.

O animal coletado no município de Natal, pertencia ao Núcleo de Primatologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O caso foi comunicado ao Departamento de Vigilância em Saúde da SMS Natal para que as ações investigativas e preventivas sejam tomadas. Os outros animais do grupo permanecem saudáveis.

“Considerando que os primatas são animais sentinelas para a febre amarela, entendemos que este evento, requer um intenso movimento para viabilizar o aumento das coberturas vacinais, além de antecipadamente se adotar as medidas preventivas, independente dos resultados laboratoriais”, disse Cíntia Higashi, bióloga no Núcleo de Endemias e Zoonoses da Sesap. Os primatas não são transmissores da doença e caso a população encontre um animal doente é importante notificar.

Na última sexta-feira (10), houve reunião entre representantes da saúde do RN, Natal e Governo Federal para acompanhamento do caso e organização das medidas a serem tomadas por cada instituição.

Entre as principais ações está a intensificação vacinal - que deve iniciar nas áreas rurais e silvestres e, prioritariamente, nos locais próximos de ocorrência dos casos suspeitos em animais. Para ampliar a cobertura vacinal e reduzir a possibilidade da ocorrência de casos em humanos, a Sesap recomenda que a vacinação deve acontecer de forma seletiva, sendo vacinados todos aqueles que não receberam a dose da vacina contra a febre amarela anteriormente. Indivíduos sem comprovação da vacinação são considerados não vacinados, devendo por sua vez receber sua dose da vacina contra a febre amarela.

Vírus não é transmitido pessoa-pessoa ou macaco-pessoa

A febre amarela é uma doença viral aguda, imunoprevenível, transmitida aos humanos e a primatas não humanos (macacos), por meio da picada de mosquitos infectados. O vírus não é transmitido pessoa-pessoa ou macaco-pessoa.

O caso do animal ddo município de Espírito Santo ainda é considerado em investigação pelo Ministério da Saúde e aguarda sequenciamento genético para conclusão. As equipes de vigilância seguem com a investigação ecoepidemiológica que nos resultados preliminares não encontrou indícios de transmissão para outros animais ou pessoas na área.

Uma equipe composta pela Vigilância Epidemiológica, Imunização, Entomologia e Controle Vetorial do nível central e I URSAP da Sesap já realizou visitas técnicas e orientou as equipes da vigilância em saúde e atenção primária do município, além de acompanhar a vacinação, especialmente na área de ocorrência do caso.

Vacina de febre amarela passou a ser recomendada no RN em 2022

Um surto de febre amarela no Brasil entre os anos de 2017 e 2019, com grande incidência em regiões que não eram consideradas de risco, alteraram a estratégia de vacinação – principal ferramenta de prevenção e controle dessa doença. Se antes, a imunização era feita apenas em alguns estados, em 2022 ela se estendeu a todo o país, por recomendação do Ministério da Saúde, inclusive para o Rio Grande do Norte, que não possui nenhum caso confirmado.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), há apenas registros de casos suspeitos. Em 2016 foram 33; em 2017, 7; no ano de 2018, 8 casos foram investigados; em 2019, apenas um; em 2020, zero; em 2021, dois casos suspeitos, sendo um descartado e um inconclusivo.

A orientação federal foi dada em 2019, mas devido à pandemia só foi implantada em março de 2022. Essa vacinação se torna ainda mais relevante diante do aumento de casos das arboviroses dengue, zika e chikungunya, já que o vetor do vírus nas cidades também é o Aedes aegypti, enquanto em áreas de mata, os principais transmissores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes. Apesar dos diferentes vetores, tanto a febre amarela silvestre quanto a urbana são a mesma doença e possuem as mesmas manifestações clínicas.

Quem deve tomar a vacina

O imunizante contra a Febre Amarela está disponível para crianças que completaram 9 meses e ainda não tomaram a primeira dose; crianças que completaram 4 anos e não tomaram a dose de reforço; e pessoas de 5 a 59 anos não vacinadas, com apenas uma dose ou nenhuma dose registrada.

Não podem se vacinar menores de 9 meses, mulheres amamentando crianças menores de 6 meses de idade, pessoas com alergia grave a ovo, pessoas que convivem com HIV e que têm contagem de células CD4 menor que 350, usuários em tratamento de quimioterapia/radioterapia, pessoas com doenças autoimunes e aquelas submetidas a tratamento com imunossupressores (que diminuem as defesas do corpo).

Quem já se vacinou dentro destes parâmetros não precisa se vacinar novamente, pois a imunização dura por toda a vida.

Sobre a vacina

De acordo com “Guia para Profissionais de Saúde” (2017), editado pelo Ministério da Saúde, a vacina contra febre amarela usada no Brasil é produzida pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e consiste de vírus vivos atenuados da subcepa 17DD.

É um imunobiológico seguro e altamente eficaz na proteção contra a doença, com imunogenicidade de 90% a 98% de proteção. Os anticorpos protetores aparecem entre o sétimo e o décimo dia após a aplicação da vacina.

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