Semurb vai investigar porque areia parou de chegar na parte de trás do Morro do Careca, mas técnico diz que vegetação está se fechando
Natal, RN 20 de jul 2024

Semurb vai investigar porque areia parou de chegar na parte de trás do Morro do Careca, mas técnico diz que vegetação está se fechando

7 de fevereiro de 2023
3min
Semurb vai investigar porque areia parou de chegar na parte de trás do Morro do Careca, mas técnico diz que vegetação está se fechando

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A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) realizou uma vistoria nesta segunda-feira (6) no Morro do Careca. Dentre as conclusões preliminares, os técnicos perceberam que os sedimentos que chegavam na parte de trás do Morro, correspondente à Praia de Alagamar, pararam de preencher o ponto turístico e manter o morro firme. Por outro lado, há um processo lento de fechamento da vegetação, beneficiado pela proibição de subida ao local.

“Uma duna é resultado de um processo evolutivo. Ela se forma a partir do acúmulo de sedimentos que vem do mar. Lá atrás, na praia de Alagamar, esse sedimento chegava e o vento empurrava em direção à careca do Morro, e houve um tempo em que esse processo foi estabilizado com o fechamento da vegetação”, explica José Petronilo, geógrafo da Semurb que participou da vistoria. 

Hoje, uma preocupação de órgãos e ambientalistas é o processo de erosão do local, com a descida de areia intensificada com o turismo a partir da década de 1970 e a subida de pessoas. Em 1997, a proibição de circulação sobre o morro interrompeu o desgaste do morro. Agora, com a areia que parou de chegar na parte de trás, os técnicos vão investigar as causas.

“Toda vez que a onda lá embaixo bate, leva um pouco de sedimento, então ela retira ali embaixo, mas em contrapartida subia sedimento de cima [da praia de Alagamar]. Na vistoria que fizemos, vimos que a vegetação está começando a se consolidar na faixa de praia e quase que não tava passando mais areia vinda do mar”, diz o servidor. 

O geógrafo diz que a pasta vai realizar estudos e conversar com cientistas da área de dinâmica costeira e oceanografia para buscar entender as razões que levaram a isso. Uma das possibilidades levantadas por Petronilo vem das mudanças climáticas.

“O homem está causando algumas alterações e isso tem repercussões. Essa pode ser uma delas. Isso pode ter mexido na dinâmica natural e causado algumas dessas consequências”, cogita.

De acordo com o funcionário da Semurb, a expectativa é que com a engorda de Ponta Negra os sedimentos passem a chegar na base do morro e a erosão diminua. Com isso, se espera que a vegetação cresça mais, deixando o morro menos careca.

“Quando houve a proibição da subida no morro, a ideia era estabilizar a erosão. A gente está começando a ver que a vegetação de uma ponta a outra da careca está se aproximando. Ou seja, está começando a fechar porque o pessoal parou de subir”, diz.

Ainda assim, ressalta Petronilo, as análises feitas até o momento são iniciais. Um relatório técnico ainda será produzido para identificar se existe algum dano ambiental, obstrução, ocupação, ação humana e erosão, com as possíveis medidas necessárias para o controle da situação.

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