1964: ato em Natal pede punição para golpistas de ontem e hoje
Natal, RN 17 de jul 2024

1964: ato em Natal pede punição para golpistas de ontem e hoje

31 de março de 2023
3min
1964: ato em Natal pede punição para golpistas de ontem e hoje

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O golpe militar de 1964 será lembrado no ato “Ditadura nunca mais!”, neste sábado (1º), na praça do Relógio, Alecrim, a partir das 9h. Após 59 anos daquele 31 de março, partidos de esquerda e movimentos sociais pedem punição de golpistas “de ontem e hoje”.

Confirmaram presença: UP, PCB, PSol, Sindicato dos Bancários, MLB, DCE UFRN, DHNet e mandatos de parlamentares. Além das falas das organizações participantes, haverá poesia e homenagens aos mortos e desaparecidos do Rio Grande do Norte: Anatália de Souza Alves de Melo, Édson Neves, Quaresma, Emmanuel Bezerra dos santos, Geraldo Magela Fernandes Torres da Costa, Hiram de Lima Pereira, José Silton Pinheiro, Lígia Maria Salgado Nóbrega, Luíz Ignácio Maranhão Filho, Luís Pinheiro, Virgílio Gomes da Silva, Zoé Lucas de Brito e ainda Djalma Maranhão (morto no exílio decorrente da ditadura) e Glênio Sá (pós-ditadura em circunstâncias suspeitas).

Para a filha de Glênio Sá, Jana Sá, manter viva a memória do golpe de 64 combate também a impunidade: “A memória das violências do passado é o caminho para a transformação da realidade presente. A realização dos atos em todo país é mais um passo em uma longa trajetória de luta protagonizada por familiares e vítimas da violência de Estado pela efetivação dos direitos humanos e pela centralidade das pautas da Memória, Verdade, Justiça e Reparação sobre as violências de Estado, para que haja uma democracia efetiva”.

Os organizadores do ato acreditam que a falta de punição dos algozes do período ditatorial repercute no presente. Assim, as mesmas práticas criminosas que não foram responsabilizadas seguem vitimando a classe trabalhadora.

O desaparecimento de Amarildo, pedreiro negro e trabalhador, é citado para expressar a continuidade da política de morte que se aprofundou com o governo do ex-presidente Bolsonaro (PL), que chegou a celebrar oficialmente o Golpe de 64 e tenta recontar a história com mentiras.


“A gente considera que a luta por memória verdade e justiça desse período que o Brasil viveu tem muito a ver com o que a gente passou nesses últimos quatro anos com um governo declaradamente fascista, que apoiava a ditadura militar, que incentivava um golpe militar, que inclusive homenageava Brilhante Ustra, que é internacionalmente reconhecido como um torturador, um assassino da ditadura militar”, explica a vice-presidenta nacional da Unidade Popular, Samara Martins.

Na avaliação da militante, esse tipo de comemoração é consequência da falta de uma “Justiça de Transição no Brasil”, que poderia ter desvendado os crimes cometidos pelo Estado e pelo Exército e punido os responsáveis, inclusive dando garantias às famílias dos que foram assassinados e desaparecidos, alguns nessa situação até agora.

“Bolsonaro e os seus cúmplices são as provas maiores disso. Fizeram essa exaltação e tentaram fazer um governo parecido, repressor, que incentivou a violência, a violência política contra pessoas que pensassem diferente, com posições políticas diferentes. O envolvimento dele e da família com a milícia, na perspectiva de justiçamento das pessoas periféricas e tudo mais”, completou Samara, ao apontar que as ameaças foram colocadas em prática no dia 8 de janeiro, com os atentados em Brasília.

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