Acolhimento: Projeto “Gatinhos da UFRN” precisa de um professor para retomar integralmente as suas atividades
Natal, RN 24 de mai 2024

Acolhimento: Projeto “Gatinhos da UFRN” precisa de um professor para retomar integralmente as suas atividades

5 de março de 2023
7min
Acolhimento: Projeto “Gatinhos da UFRN” precisa de um professor para retomar integralmente as suas atividades

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Por Luan Conceição

O campus central da UFRN, em Natal, é um mundo à parte em meio à cidade. A instituição abriga e recebe milhares de estudantes, professores e funcionários, sendo o maior complexo educacional do estado e um dos maiores do Nordeste.

Mas além disso, muitas pessoas não imaginam que a universidade é também abrigo de muita vida animal. Por ser uma parte muito arborizada da cidade, cerca por uma porção generosa de mata Atlântica, os estudantes já estão acostumados a conviver com cachorros, iguanas, sagüis, diversas espécies de pássaros e insetos. Alguns destes animais são tão icônicos no imaginário universitário que se tornam símbolos de setores ou cursos.

Mas, um animal em especial se faz muito presente no campus: o  gato. Esses pequenos felinos cativam humanos a milênios e não seria diferente na atualidade, gatos são um dos animais domésticos mais populares do mundo. No campus, eles atraem a atenção de todo o corpo acadêmico. Alguns mais tímidos, fogem e se escondem de qualquer ameaça. Outros, mais acostumados com o contato humano, se aproximam pedindo carinho, comida, subindo nas mesas das áreas comuns e miando por atenção. Em geral, todos enfrentam o mesmo problema: estão soltos e sozinhos, quando o ideal era estarem seguros no conforto de um lar.

Quando nas ruas, os gatos estão submetidos a diversos problemas. Desde fatores naturais, como a fome, desidratação, frio ou predadores, até o fator humano, com a maldade de muitos que agridem e matam os animais. Não apenas isto, mas gatos de rua também colaboram com o desequilíbrio ambiental. Acontece que estes animais não são parte da cadeia alimentar original do habitat, mas por estarem inseridos nesse meio, acabam sendo predadores para espécies de pássaros e pequenos mamíferos, podendo diminuir drasticamente a sua população.

Então, como tratar da situação dos gatinhos da UFRN e ajudar na sua sobrevivência? É aí que entram as ações de dezenas de voluntários que atuam no campus universitário. Em diversos pontos da universidade, é possível encontrar potes de ração e água,  colocados à disposição dos animais. Além disso, muitos gatos são resgatados e cuidados para terem a oportunidade de serem adotados.

Esses são apenas alguns exemplos de ações de cuidado que são observadas diariamente.

O nascimento do Projeto Gatinhos da UFRN  

Grupos de estudantes e ativistas se juntam para colaborar com diversas ações. Um desses grupos deu origem ao projeto “Gatinhos da UFRN”, em junho de 2019. O projeto nasceu no momento em que ocorria uma obra no Restaurante Universitário da instituição, o que acabou colocando a vida de alguns dos animais que ali viviam em risco, por conta das máquinas pesadas, escombros e materiais de construção. Através do twitter, a idealizadora do projeto, Priscila, reuniu outros interessados em ajudar na causa.

Os cuidadores faziam diversas tarefas em prol do bem estar dos animais, voluntariamente e sem fins lucrativos. A estudante Mariana Lima, do curso de Tecnologia da Informação, atuou na área de marketing do projeto. Ela explica quais eram as principais atuações do “Gatinhos da UFRN”:

“Os pilares do projeto eram: conseguir a adoções responsáveis para os gatinhos, só autorizando as doações se a pessoa se responsabilizasse pelos gatinhos, assinando um termo. […] cuidar dos gatinhos do campus, alimentando-os, capturando para castração e resgatando animais prenhas ou doentes para fazer o cuidado desses gatinhos.”

A estudante ainda denuncia que havia e ainda se tem muito abandono de gatos no campus, por parte de pessoas irresponsáveis.

A partir do trabalho realizado, a UFRN notou os benefício do projeto para os animais e a própria comunidade acadêmica e decidiu tornar o “Gatinhos da UFRN” um projeto de extensão no mês de setembro de 2019. Com o apoio, a ideia ganhou divulgação da instituição e uma estrutura para a sua manutenção, como uma sala na Ecoteca do campus. Semestralmente, estudantes de diversos cursos da universidade se inscrevem como voluntários para trabalhar com o grupo. Foi possível estruturar equipes de cuidado, marketing, educação e administração, o que deu maior amplitude aos trabalhos.

Porém, para manter as ações de pé, o “Gatinhos da UFRN” sobrevivia de doações e bazares para garantir sustentação financeira. Com a ajuda da comunidade acadêmica e amantes dos gatinhos, foram capazes de fazer diversas campanhas de arrecadação e vendas, que mantiveram o projeto vivo.durante a sua atuação, a organização atingiu diversas marcas importantes.

Ao todo, até o ano de 2021, foram resgatados mais de 70 gatos, dos quais mais de 50 foram adotados. Com o apoio de outros projetos de interesse semelhante, o “Gatinhos da UFRN” também participou da castração de mais de 120 gatos. Ao todo, até aquele ano, já haviam sido arrecadadas mais de uma tonelada e meia de ração para a alimentação dos felinos.

Desafios até a suspensão do projeto

Acontece que durante todo esse meio tempo, o mundo enfrentava a pandemia da COVID-19. Por conta das recomendações de distanciamento social, a UFRN foi obrigada a cancelar as aulas e quase todas as suas atividades presenciais. Os estudantes que atuavam em projetos ou independentemente nos cuidados com os gatos do campus, acabaram tendo dificuldades em continuar as suas atividades.

No “Gatinhos da UFRN”, todas as reuniões precisaram ser feitas no formato remoto e nem todos os voluntários poderiam colaborar presencialmente na parte dos cuidados e alimentação dos animais. Era necessário otimizar as ações e, por isso, o número de gatos resgatados e cuidados acabou caindo, embora parte dos estudantes continuassem a frequentar o campus com esse propósito. Esses fatores, aliados a todo clima negativo deixado pela pandemia, causaram uma desmotivação por parte da equipe. Além disso, nesse meio tempo, o projeto deixou de ser oficialmente ligado a UFRN, perdendo o título de projeto de extensão. Todos esses fatores acarretaram em uma pausa na organização, que atualmente atua apoiando outras iniciativas parecidas que continuam a trabalhar na universidade.

Com o retorno das atividades presenciais e uma melhora substancial na questão da pandemia, a equipe fez todos os esforços necessários para reestruturar o projeto e fazer com que retornasse, não apenas integralmente, mas também ainda melhor do que já era. Porém, apesar de possuir quase todo o necessário para retornar, é preciso que um professor da Universidade se coloque à disposição para ser o coordenador.

A comunidade acadêmica pede indicações de um professor interessado, busque o projeto através das redes sociais, no Instagram @gatinhosdaufrn. Através deste contato, também é possível colaborar com doações.

Momentaneamente, o projeto tem atuado mais ativamente em colaborações com outras organizações, ajudando em divulgações e projetos. Mas torcemos para que um dia, retorne para continuar a sua história de resgate e cuidado com os gatos do campus.

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