O Dia Internacional das Mulheres: a luta contra a ordem
Natal, RN 24 de abr 2024

O Dia Internacional das Mulheres: a luta contra a ordem

8 de março de 2023
3min
O Dia Internacional das Mulheres: a luta contra a ordem

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Por Júlia Ferreira Lopes

No Dia Internacional da Mulher iremos lutar contra a ordem de sermos mortas e estupradas. Isso porque nossos corpos viram sangue e não podemos mais conviver com elevados índices de feminicídios. É um SOS à Justiça!

Vivemos numa guerra, na qual uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência no Brasil, média maior que a internacional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 43% das mulheres brasileiras, com 16 anos ou mais, sofreram violência psicológica. Média alarmante e que precisamos dar um basta!

As manchetes de jornais assustam e as mulheres e meninas banhadas de sangue nos fazem lembrar os rituais da idade média que vimos nos livros de história. Estão vulneráveis e à mercê de violentadores que, muitas vezes, estão dentro de casa.

Somos as sobreviventes do mundo. Não podemos mais conviver com elevados índices de feminicídios, onde somente no Brasil quatro mulheres morrem por dia.

Quando tratamos de estupro, uma pesquisa do Ipea mostra que no país, por ano, temos um número de 822 mil, o equivalente a dois por minuto. E, segundo o Ministério da Saúde, a maior incidência é contra adolescentes de 13 anos.

Quantas mulheres morreram lutando nos séculos XIX, XX, e agora no XXI, visando implantar garantias individuais no terrível mundo que o capital produz, no mundo do capitalismo. Lutamos por direitos nos movimentos operários europeus, na América Latina e na Ásia, por uma ordem mais justa e fomos as últimas, no seio desses mesmos movimentos, a termos nossos direitos assegurados.

Conquistamos muito ao lado dos homens e ao longo dos séculos nos tornamos presa fácil, como diz Florbela Espanca: “Se penetrássemos o sentido da vida seríamos menos miseráveis...”

É preciso prevalecer o nosso direito a dizer Não!

É preciso que nos detenhamos a prestar atenção ao espaço privado e aos limites da intimidade. Valem e podem vigorar, aí, as mesmas formas de luta? Não nos venham com obrigações de mulher: lugar de mulher é onde ela quiser!

Precisamos lutar pelo direito. Direito na ordem da lei. Direito de garantia ligada não apenas a sermos objetos de sexualidade, de desejos. Direito de termos direito. Direito que possamos afirmar nossa sexualidade livremente, sem preconceito, sem feminicídio e sem estupro. Se é que se pode chamar isso de direito. Se não de uma garantia, de uma sensatez. De convivência civilizada, seria mais sensato. Com respeito mútuo, na igualdade de gênero.

E até quando? Enquanto existir violência contra as mulheres, teremos uma das mais formas de violação dos direitos humanos, dos direitos à vida. E seremos uma sociedade fracassada. Até quando atingirmos a civilização e o respeito pelo outro.

No Dia Internacional das Mulheres citarei Clarice Lispector, nesta luta “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.”

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Júlia Ferreira Lopes é Médica Neonatologista

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