Infinita poesia
Natal, RN 22 de abr 2024

Infinita poesia

9 de abril de 2023
4min
Infinita poesia

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Depois de um intervalo de dois anos, Thiago Medeiros está de volta com “No Pescoço do Infinito”, seu quinto livro de poesia. Depois de “Pra eu parar de me doer” (2016), “Meio-Dia” (2018), “Ardência” (2020) e “Quanto mar cabe no sal da lágrima” (2021), Thiago vem nos mostrar que sua poesia ainda viceja intensa, infinitamente.

Tive a sorte e a alegria de poder ler de antemão essa sua nova safra. E mais uma vez tive a sorte e a alegria de poder me deleitar com aquela dosagem certeira entre o ordinário e o abismal que seus poemas são capazes de proporcionar, a dosagem que transforma o banal em algo “di profundis” com o qual todos nós, demasiadamente humanos, podemos nos identificar. Essa dosagem que salta nos flagrantes da vida ao redor, flagrantes que só o olhar de poeta percebe:

Vejo a mulher mirar o relógio

de seu olhar sai um grito

a miséria de uma vida insuportável

prestes a sair pelos olhos em fúria

se libertar não é tão simples como parece.

Sim, o olhar de Thiago continua atento às delicadezas e dores do mundo, mas muita coisa mudou desde seu último livro. Embora Thiago Medeiros seja figura conhecida na cena literária e cultural da cidade (sobretudo com o Sarau Insurgências Poéticas, que acabou por se tornar também Selo Editorial), muitos não sabem a transformação vivida por Thiago nesse período na sua esfera íntima, o que inclui, por exemplo, sua vivência no Centro de Apoio Psicológico (CAPS).

Essa reviravolta pessoal não poderia deixar de ser manifesta também em sua escrita. E como poderia ser diferente? O escritor e crítico literário Cristóvão Tezza sugeriu que tudo se trata mesmo de si na representação literária: “Preocupar-se com a condição humana é, por si só, a essência da representação literária em qualquer tempo histórico (Literatura à Margem. Porto Alegre: Dublinense, 2018). Como não falar da própria condição, então? Na palavra poética, não há como escapar deste ser que rasteja dentro de cada um de nós.

Nasceu um pé de jerimum no quintal

e ele quis dar teu nome

verde

brilhante

florido

o teu nome cabe no quintal e no fruto

me fazendo acreditar que alguma coisa que rasteja pode ser vida.

E como um novo ser que se inaugura no mundo, percebo a escrita de Thiago atrever-se aqui e ali em poemas em prosa, ousando fugir aos limites convencionais, unindo o lirismo à fabulação:

Todas as noites a lembrança de uma personagem me coloca para dormir. me fala de corrigir provas. das tentativas de parar de fumar no mês que vem. dos seus filhos confusos. me fala sobre milagres. do escapulário marrom em seu terno de linho branco. ela existe desde os meus primeiros devaneios. sendo assim, capaz de ela existir. tantos anos me colocando para dormir. com imagens de uma vida que desejo. sem filhos, sem linho, sem milagres. assim, o corpo dorme acreditando em uma vida que não existe, aquecendo o jantar enquanto espera alguém chegar.

O livro “No pescoço do infinito” me parece a forma deste novo Thiago Medeiros recomeçar, convalescendo de suas dores anteriores (“sou filho de muitas feridas abertas”). Nesta nova fase existencial, o livro marca sua passagem vitoriosa para um novo patamar. Saudações a este novo Thiago Medeiros e seu novo livro! Não à toa, seu lançamento coincide com seu aniversário e não à toa, parte da renda com a venda dos livros será convertida em prol da Clínica Maria Pureza Ferreira, na cidade de Itajá (RN), que oferece atendimento psicológico a crianças e adolescentes. O livro vem nos dizer, assim, que sempre dá para a gente se refazer:

Lanço a esperança nas sementes

como uma sábia lavradora advinha chuva pelo cheiro

cava planta rega

espera o infinito brotar nesse coração cheio de recomeços.

“No Pescoço do Infinito” tem projeto gráfico caprichado de Rita Machado e surge da parceria entre o Selo Insurgências Poéticas, o Giro Selo Artístico e a OffSet Editora e Gráfica. A campanha de pré-venda está a pleno vapor e o livro (dentre outros produtos) pode ser adquirido aqui

Thiago Medeiros, que seja infinita sua poesia!

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