Com formação na UFRN, neurocientista ganha prêmio internacional por contribuição para estudo da esquizofrenia
Natal, RN 24 de jul 2024

Com formação na UFRN, neurocientista ganha prêmio internacional por contribuição para estudo da esquizofrenia

19 de maio de 2023
Com formação na UFRN, neurocientista ganha prêmio internacional por contribuição para estudo da esquizofrenia

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Pioneira na psiquiatria computacional, a médica e neurocientista cearense Natália Mota recebeu o Prêmio Global de Esquizofrenia 2023 (Global Schizophrenia Award) durante o Congresso da Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (Schizophrenia International Research Society - SIRS Congress), realizado neste mês de maio no Canadá.

Natália é professora do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (Propsam), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e cientista-chefe da Motrix, startup brasileira que desenvolve tecnologia para a Educação. Possui graduação em Medicina, residência em Psiquiatria, mestrado, doutorado e pós-doutorado em Neurociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pós-doutorado pelo Departamento de Física da UFPE, em colaboração com o Instituto do Cérebro (ICe-UFRN) e PUC-RJ. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 2020.

O trabalho que Natália desenvolve há mais de 10 anos em saúde dá importante contribuição para as pesquisas em esquizofrenia por meio de estratégias computacionais que identificam na fala sinais de sofrimento mental. Isso permite diagnóstico objetivo, possibilitando prevenção de crises severas e maiores danos cognitivos ao paciente. Os temas centrais dos seus estudos, desenvolvidos principalmente no Rio Grande do Norte, são linguagem, grafos, diagnóstico, desenvolvimento, esquizofrenia, sonho e eletroencefalograma (EEG).

“Essa linha de pesquisa buscou encontrar marcadores na fala usando um modelo matemático para mimetizar essa trajetória de palavras que a gente usa pra contar uma história, por exemplo. A gente percebeu que pessoas em sofrimento mental extremo, como nas psicoses, principalmente na esquizofrenia, em que você vai perdendo cognição social, habilidade de se comunicar e de ter relações positivas e eficientes – todas essas características estavam ligadas a uma forma de falar que fosse menos complexa”, detalhou Natália Mota, ao explicar que por muito tempo a Psiquiatria descreveu esse fenômeno com palavras e a agora a ciência pode conhece-lo por meio de padrões matemáticos mais precisos.

Imagem: reporudução Instagram

O primeiro artigo da linha foi escrito em 2012 e hoje dezenas de artigos tratam desse tema em todo o mundo.

Natália explica que um passo importante foi estudar os marcadores do ponto de vista da patologia (como eles caem e anunciam declínio cognitivo, tanto em doença mental severa, em psicoses, como em demências e transtorno obsessivo compulsivo), mas também como esses marcadores se desenvolvem naturalmente em crianças com estímulos educacionais, mais diretamente ligados ao contato com a língua escrita.

“Ultimamente, a gente também tem estudado a aquisição de múltiplas línguas pra estudar contextos de imigração e a gente percebe que esses mesmos marcadores de complexidade que se desenvolvem em uma criança quando ela aprende a ler também se desenvolvem em indivíduos que estão aprendendo uma segunda língua à medida que vão ampliando essa cognição e o aprendizado verbal.”
, conclui.

A psiquiatra comemora o reconhecimento internacional à voz brasileira no campo científico: “Grande vitória da ciência brasileira!! Dois prêmios para nós!”. Isso porque a SIRS concedeu ainda o Prêmio de Pesquisa Básica (Basic Research Award de 2023) ao professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) Daniel Martins-de-Souza.

Sua equipe busca compreender os mecanismos moleculares envolvidos na esquizofrenia e identificar biomarcadores que auxiliem no diagnóstico e no tratamento da doença. Também tem investigado os possíveis efeitos cerebrais decorrentes de infecções virais, incluindo zika e covid-19.

Natália Mota venceu também o Prêmio Abril & DASA 2018 de Inovação Médica e Prêmio SUS – Ministério da Saúde 2017, de incentivo à ciência, tecnologia e inovação.
A revista Forbes apontou a neurocientista como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil em 2020, e ela foi a primeira brasileira a ser indicada pela Nature como Cientista Inspiradora, em 2019.

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