Lula e Corisco: poder e povo
Natal, RN 12 de abr 2024

Lula e Corisco: poder e povo

20 de maio de 2023
Lula e Corisco: poder e povo

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Mais forte são os poderes do povo! Trata-se do último grito de Corisco ao ser atingido por uma bala de Antônio das Mortes, o caçador de cangaceiros contratado pela oligarquia para dar um jeito nos rebeldes. A cena, rodada em 1963, é forte em simbologia e o filme em sua potência de resistência, que atravessa as décadas. Lançado em 1964, logo após o golpe que mergulharia o Brasil em mais de 20 anos de ditadura, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, representava o enfrentamento das populações excluídas do sertão e as safadezas dos arcaicos e reacionários senhores do poder na perpetuação do seu domínio.

A referência acima serve para nos lembrar que, em pleno século XXI, a sociedade brasileira continua numa luta encarniçada contra o passado desse país, cuja forja foi feita a ferro, fogo e sangue, em sua grande maioria de pobres, especialmente os indígenas e pretos. Parece que vivemos num looping em que a velha fera conservadora mantém seus dentes e garras prontas para rasgar o tecido social brasileiro. Hoje essa fera tem uma nova faceta. O extremismo direitista, fascista-bolsonarista, deitou raízes nessa sociedade que abraça cada vez mais a permanência numa distopia nazifascista, onde seus recalques são o combustível para que os seus representantes espetem a sociedade com seus grifos envenenados com dor, ódio e morte.

Essa luta está espalhada em todos os setores da sociedade e, num modelo liberal representativo, com um sistema político não-competitivo, a representação está deformada e isso alimenta e anima a caterva que se aprofunda num reacionarismo e que, à medida que se torna minoritário, se radicaliza. O governo está enfrentando esse titã conservador e o jogo é pesado. O jogo é denso. É uma luta entre a política e a barbárie e, nesse caso, a barbárie não segue nenhuma regra de urbanidade. É tiro, porrada e bomba!

E onde fica o “povo” nesse embate? Parece que o “povo” assiste essa ascensão do nazifascismo, com o olhar desconfiado de quem, ao longo das décadas, é massacrado quando é governado pela direita e é chamado a ter “paciência”, quando o governo é de centro-esquerda. O “povo”, leia-se “pobre” aguarda. Aguarda com ansiedade que a sua vida melhore. Que ele consiga recuperar um pouco da dignidade. Que ele consiga comida, diversão e arte.

O governo, portanto, está diante de uma tarefa complexa, onde tem de avançar a passos de lesma na área social e passos de tartaruga na área da economia, tendo que se mover num terreno pantanoso em que suas ações são bombardeadas diariamente, tanto pela extrema-direita fascista, como pelos meios de comunicação tradicionais e sofre, também o “fogo amigo” dos aliados, mesmo na Federação.

Sendo um governo de CENTRO, ora puxado timidamente para a esquerda, ora empurrado vigorosamente para a direita, o terceiro governo de Lula vive os dilemas de governar num novo e tóxico ambiente, e sabendo que esse nada tem a ver com os dois anteriores. E, ao abrir a janela, se depara, todos os dias, com o fantasma de Corisco, lembrando a ele, que o “povo” tem poder, mas esse poder é exercido por quem é o vencedor da luta de classes.

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