“Não tenho poesia de final feliz”: indígena Graça Graúna reflete sobre literatura dos povos originários
Natal, RN 16 de abr 2024

“Não tenho poesia de final feliz”: indígena Graça Graúna reflete sobre literatura dos povos originários

25 de maio de 2023
“Não tenho poesia de final feliz”: indígena Graça Graúna reflete sobre literatura dos povos originários

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A professora, poetisa e indígena Graça Graúna foi a convidada desta quinta-feira (25) do Balbúrdia. No papo, ela falou sobre seu mais recente livro de poesia “Fios do tempo” e sobre a sua trajetória na literatura em diálogo com a cultura indígena.

Para a escritora do povo Potiguara, nascida em São José do Campestre, o “futuro indígena é hoje”. Franca, ela confessa que não faz poesia para ter um final positivo.

“Pra mim a poesia é realidade, é resistência. Eu não tenho poesia de final feliz, eu não consigo. É uma poesia de luta. Mas nem por isso eu deixo de falar dos sonhos”, reflete.

De acordo com Graúna, o seu início nas letras foi natural.

“Já está dentro de nós, uma necessidade desde criança de lutar pelos nossos direitos. Você mistura literatura com história, com território, com direito de sonhar”, aponta.

Com uma escrita de saberes, ela afirma que não crê em inspiração.

“Eu não acredito em inspiração. Pra mim a palavra vem de uma luta. É feito reza, é um chamamento, é identidade. A palavra chega pra mim como vivência. Eu aprendo com o povo Guarani que a palavra tem alma, ela pulsa”, diz.

“Eu penso que tenho que preservar e continuar. Eu não posso fraquejar”, continua.

Na entrevista, Graça ainda comentou sobre as mudanças feitas no primeiro escalão do governo federal. Nesta quarta-feira (24), o Congresso encaminhou um esvaziamento no Ministério dos Povos Indígenas e no Ministério do Meio Ambiente.

Segundo a indígena, a luta contra o Marco Temporal é dever coletivo.

“O reconhecimento não se faz de braços cruzados. Tem que todo mundo entrar nessa luta para gritar no sentido de clamar por nossos direitos. Estamos aqui muito antes. Não é a partir de 1500 quando chegaram na caravela. Nós estamos aqui muito antes disso.”

“Nesse momento eu tô sentindo uma inquietação positiva no fato da gente poder mostrar pras pessoas e falar do que é ser indígena hoje. Apesar das ameaças ao Ministério dos Povos Indígenas, que mal começou e já querem tirar da gente essa conquista, eu trago de mim o meu povo dentro do meu espírito, então nós somos um. Os Potiguara do Rio Grande do Norte, da Paraíba, do Ceará, como outras etnias”, afirmou.

Confira a entrevista completa:

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