Professor da UFRN desiste de cargo no Ministério da Cultura, que negou escritório em Caicó
Natal, RN 13 de abr 2024

Professor da UFRN desiste de cargo no Ministério da Cultura, que negou escritório em Caicó

25 de maio de 2023
Professor da UFRN desiste de cargo no Ministério da Cultura, que negou escritório em Caicó

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Historiador e professor no Centro de Ensino Superior do Seridó, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CERES-UFRN), Lourival Andrade Junior negou convocação para integrar a equipe do Ministério da Cultura. Ele queria um escritório em Caicó e o pedido foi negado. Nesta quinta-feira (25), teria sido publicada a liberação do professor para o cargo federal.

Justificou:

"Estar na ponta dos problemas me parecia mais importante do que estar em Natal. Por conta da minha história, por conta do meu discurso, por conta das minhas práticas, por conta da minha luta, pela efetiva descentralização das políticas e pela interiorização delas, eu declinei."

Como artista, Lourival atua no teatro e no audiovisual. Ele é catarinense, de Itajaí, onde foi secretário de cultura municipal e gerente estadual de artes cênicas, administrando teatros. Tem formação como ator e diretor de teatro e foi presidente de associações de classe. Faz parte da Comissão de Cultura da UFRN; desenvolve suas atividades acadêmicas no campo das culturas populares, religiosidade de matriz africana, nomadismos, artes visuais, música, teatro, cinema e fotografia.

Seleção foi realizada

Vivendo há nove anos em Caicó, ele explicou que, relutante, se inscreveu no edital que era voltado a servidores públicos federais do Brasil inteiro por sugestão de outras pessoas e por medo que nenhum potiguar se inscrevesse.

"Eu conheço muita gente da cultura aqui no Rio Grande do Norte e funcionários públicos federais que tenham uma atuação política nos fóruns, nas discussões coletivas, nas câmaras setoriais, eu não conhecia ninguém. Pelo menos, não lembrava de ninguém. E pra minha surpresa, 41 pessoas se inscreveram - o que me deixou mais tranquilo, mas de qualquer forma o processo continuou", contou.

O processo foi realizado com manifestação de interesse, envio de currículo e entrevista. Lourival ficou em primeiro lugar. A partir disso, conta que iniciou tratativa junto ao Ministério para que houvesse um escritório, um polo, no interior do estado.

"Eu vivo aqui no interior. A produção que eu tenho aqui é bastante significativa, eu conheço os produtores daqui, sei da dificuldade que é aqui no interior, nos sertões. Então eu fiz uma proposta, inclusive escrevi um ofício com um plano de trabalho, de atuação. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte fez um documento se comprometendo, dentro obviamente da legalidade das parcerias, ceder uma sala do Ceres, já que também é órgão federal e estaria dentro da lógica do governo que é o Racionaliza Brasil, que incentiva a ocupação de espaços que existem sem precisar alugar", detalhou.

De acordo com o professor, a ideia recebeu apoio de muitos artistas locais e até de Natal, além de políticos. "O deputado federal Fernando Mineiro e a deputada estadual Divaneide Basílio também se engajaram nessa luta. Oficializei também junto ao Ministério toda essa demanda dizendo da importância da gente efetivamente interiorizar e descentralizar as políticas públicas de cultura".

Ao receber a negativa definitiva, disse não ver sentido em assumir o cargo: "Eu não acho lógico, não vejo sentido eu sair daqui da minha luta, da minha militância em Caicó, no interior, no sertão pra ir pra Natal, não vejo nenhum sentido, já que terão mais dois funcionários públicos federais que também passaram na seleção e estarão em Natal."

Lourival diz que o Ministério Público está fazendo uma descentralização, porque sai de Brasília e vai para os estados, mas centralizada nas capitais e desinteriorizada. Por essa razão, pediu em ofício que sejam pensadas novas políticas para que a gestão administrativa esteja no interior, junto com os gestores, artistas e fazedores de cultura em geral.

"Pra fazer com que as prefeituras efetivamente se enquadrem no Sistema Nacional de Cultura, crie o Conselho, o Plano, o Fundo. Essa era a minha disposição, sabe? De ficar no interior e ajudar essas prefeituras todas com as políticas públicas, editais e demais demandas do Ministério. Como isso não foi aceito pelo ministério, eu não vou. Vou continuar aqui em Caicó, vou continuar aqui na universidade, continuar aqui com o meu coletivo, que é a Trapiá, com a nossa sede aqui recebendo as e fazendo política pública de cultura pro interior."

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