“A gente ainda tem que enfrentar todos os dias os resquícios da colonização”, diz liderança de terreiro
Natal, RN 18 de jun 2024

“A gente ainda tem que enfrentar todos os dias os resquícios da colonização”, diz liderança de terreiro

4 de julho de 2023
3min
“A gente ainda tem que enfrentar todos os dias os resquícios da colonização”, diz liderança de terreiro

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O Balbúrdia desta terça-feira (4) recebeu a Iyalaxé Flavinha d' Oxum para falar sobre as políticas públicas voltadas para os povos de terreiro no Rio Grande do Norte. Segundo ela, estas comunidades continuam a enfrentar o preconceito e resquícios da colonização. Por outro lado, a Iyalaxé destacou a maior abertura para o avanço de medidas favoráveis aos povos de religiões de matriz africana no RN junto ao Governo do Estado.

"A gente teve uma crescente em todo o país, infelizmente de novo, com essa onda de intolerância, de invasão, de vilipêndio dos monumentos, de assassinatos de sacerdotes. Então é alarmante e isso não é do nada. A crescente que houve foi sim também por causa, infelizmente, da política que estava sendo desenvolvida no país”, afirmou, em referência ao antigo governo federal. 

“Hoje a gente está como toda a sociedade tentando respirar, e esse processo é longo. A gente ainda tem que enfrentar todos os dias os resquícios da colonização. Então o processo que a gente passa hoje é exatamente de libertar o povo desse processo, é descolonizar as cabeças para que a gente possa construir uma outra realidade”, disse Flavinha.

Para ela, o processo de autocuidado e auto organização no RN levou, inclusive, a parcerias com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesed), além de outras pastas do Executivo potiguar.

“A gente está numa janela de tempo onde os gestores são sensíveis, claro que devido à nossa luta insistente em auto organização do movimento”.

Gama-RN

Flavinha, também estudante de Ciências da Religião na Uern campus Natal, destacou a atuação do Grupo de Articulação de Matriz Africana e Ameríndia (GAMA/RN) nas políticas públicas desenvolvidas no Estado.

Um dos pontos positivos, para ela, foi a realização do primeiro e segundo encontro estadual das comunidades de terreiro, feitos em parceria com outros movimentos. 

A Iyalaxé citou ainda a boa relação com a bancada de esquerda potiguar.

“Essa sensibilidade do Parlamento foi extremamente importante para que a gente desenvolvesse os primeiros marcos legais voltados para os povos e comunidades tradicionais do Estado”, afirmou. 

“As primeiras leis nasceram em 2021 em plena pandemia exatamente por causa da necessidade de amparo e suporte aos povos e comunidades tradicionais do Estado. Em consonância com o governo, que houve sensibilidade da governadora para sancionar, a gente tá conseguindo avançar”, destacou.

Assista a entrevista completa:

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.