CIDADANIA

Em resposta a ação do MPRN para esvaziar filas no Walfredo Gurgel, Sesap diz que problema resulta de falhas no atendimento de municípios

Depois que o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) entrou com um requerimento, nessa última quarta (26), pedindo que seja cumprida a sentença que determina providências imediatas para o esvaziamento de pacientes internados nos corredores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) emitiu nota informando que a resolução do problema não depende de um “esforço único” da Secretaria.

A Sesap afirma que os corredores do Walfredo Gurgel estiveram vazios por diversos meses desde o fim de 2022, depois da adoção de uma série de medidas, e que isso foi constatado pelo próprio MPRN.

No entanto, a falha no atendimento em municípios, principalmente, da região metropolitana de Natal, estaria provocando novas filas com casos de baixa complexidade, que não deveriam estar sendo direcionados para o Walfredo.

“Os dados apontam que a maior demanda de atendimentos no Walfredo Gurgel vem dos casos de queda da própria altura, em sua maioria idosos, com mais de 2,2 mil casos nos seis primeiros meses do ano, dos quais um em cada três tiveram necessidade de internação. O hospital atendeu no primeiro semestre, em média, 1475 pacientes de ortopedia por mês, sendo que 44% demandaram internação. Dentre eles importante ressaltar uma média diária de 22 motociclistas acidentados.

As informações indicam ainda que a grande maioria dos pacientes são provenientes de municípios da Região Metropolitana, muitos dos quais chegam ao hospital por demanda espontânea e com casos clínicos de baixa complexidade que fogem do perfil do Walfredo Gurgel, em virtude da falha na cobertura da rede ortopédica nesses municípios”, aponta a direção da Secretaria.

O MPRN pede que a Sesap informe se efetivou a plena regulação da porta do pronto-socorro Clóvis Sarinho e que comprove se estruturou a Central de Acesso às Portas Hospitalares (CAPH) com 11 médicos clínicos com carga horária de 20h ou 6 médicos com carga horária de 40h com vistas a completar 44h de jornada de trabalho, totalizando 62 plantões. Nesse caso, deve ser considerado o plantão de 24h, durante 7 dias na semana e um mês de 31 dias.

Essa Central tem a finalidade, justamente, de direcionar os usuários do SUS, notadamente, os usuários transportados pelas ambulâncias tipo A (“brancas”) junto às portas de entrada das unidades hospitalares de referência, respeitando o perfil hospitalar estabelecido pela própria Sesap.

A Sesap também deve informar se atualizou os fluxos assistenciais das urgências clínicas e cirúrgicas (adulto e pediátrica) para orientar os profissionais que atuam na regulação do acesso às portas de urgência, uma vez que as normas técnicas que norteavam os fluxos datavam do ano de 2014.

Já a Sesap e a direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel afirmam que desde 19 de junho a unidade passa por uma sobrecarga, principalmente, no setor de assistência ortopédica. Neste período, o hospital realizou 585 procedimentos ortopédicos, uma média de 20 por dia.

A Sesap também diz ter ampliado o fluxo das unidades de retaguarda para cirurgias ortopédicas, como o Hospital Deoclécio Marques de Lucena, a Prontoclínica Paulo Gurgel e o Hospital Memorial, que hoje também estariam atuando em máxima capacidade material e profissional.

“Some-se a isso o investimento da Sesap na estruturação de uma rede de ortopedia no interior do estado, com unidades em Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros e Assu, que ultrapassou os 10 mil atendimentos realizados apenas no primeiro semestre deste ano. Ao todo, a capacidade de realização de cirurgias ortopédicas cresceu 15% na rede estadual nos anos recentes.

A gestão da Sesap e do hospital trabalha ainda para melhoria na organização do trabalho, tendo ações como o Time de Resposta Rápida (TRR) e a Sala de Gestão de Alta (SGA) que resultaram em redução do tempo de avaliação e resposta para os pacientes”, aponta a Sesap.

No requerimento de cumprimento de sentença o MPRN pede que a Justiça adote as providências judiciais necessárias para que a sentença que determina o esvaziamento dos corredores do hospital seja cumprida e também pede que a Secretaria Estadual de Saúde Pública comprove se publicou portaria regulamentando o fluxo das urgências traumáticas, se o documento foi apresentado à Comissão Intergestores Bipartite do Estado do Rio Grande do Norte (CIB/RN) para fins de deliberação, sem condicionar a aprovação nesta instância colegiada de gestão o efetivo início da regulação da porta do Clóvis Sarinho/Walfredo Gurgel, já que a medida visa atender uma determinação judicial.

O MPRN questiona, por fim, se a Sesap deu ampla publicidade aos gestores municipais e à sociedade sobre as mudanças de fluxo assistenciais decorrentes da regulação da porta do PS Clóvis Sarinho.

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