CUT tem nova direção no RN e planos para reorganizar sindicatos e conscientizar trabalhadores
Natal, RN 23 de abr 2024

CUT tem nova direção no RN e planos para reorganizar sindicatos e conscientizar trabalhadores

25 de agosto de 2023
7min
CUT tem nova direção no RN e planos para reorganizar sindicatos e conscientizar trabalhadores

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A Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte (CUT/RN) tem uma nova direção eleita. Depois de dois mandatos de quatro anos, a atual presidente, Eliane Bandeira, vai passar o posto para Irailson Nunes, que é montador industrial e foi eleito nesta quinta (24), depois de dois dias do 15º Congresso estadual.

Das 189 entidades filiadas à CUT no RN, 110 participaram da eleição. Ao todo, a direção da entidade é composta por 36 cargos. Mas, como a CUT funciona dentro do sistema proporcional, a chapa vencedora não leva todos os postos. Ela indica 13 membros da direção plena e 13 membros da direção executiva, cabendo à chapa que perdeu o pleito indicar outros 10 membros, sendo cinco da direção plena e mais cinco da direção executiva.

Vamos começar esse processo das indicações para dar seguimento ao processo de posse”, atualiza Irailson Nunes, o novo presidente eleito da CUT/RN.

Na próxima quinta, 28 de agosto, a CUT fará 40 anos. A organização da Central que começou em São Paulo chegou aos estados à medida que os trabalhadores entenderam os benefícios e maior poder de pressão de uma organização coletiva sobre a individualizada. No RN, a CUT foi fundada em 1987, pelo trabalhador rural Elieziel Barbosa.

No Brasil a CUT se constitui nos anos 1980 e tem seu DNA na luta em defesa dos direitos do trabalhador. Hoje, a instituição se consolida como uma central sindical que reúne diferentes categorias em defesa de melhorias nas condições de trabalho e de um país mais justo e igualitário”, ressalta Irailson.

Irailson Nunes I Foto: cedida
Irailson Nunes I Foto: cedida

O presidente eleito da CUT/RN lembra que, diante dos ataques sofridos não apenas pela instituição, como pelos trabalhadores de maneira geral, é preciso se reorganizar e conscientizar os trabalhadores sobre seu papel na luta de classes.

É preciso planejar coletivamente, estamos falando de um espaço coletivo. Diante da conjuntura recente do golpe, com as reformas trabalhista e previdenciária, não dá pra entender que se faz luta de classes sem consciência política, o foco agora é organização sindical e formação política, para recuperar os direitos usurpados nos outros governos”, defende Irailson.

Para que as lutas e aprendizados acumulados pelas diferentes lutas ao longo do tempo não se percam na exaustão da rotina, a CUT mantém escolas de formação políticas em todo o país. No caso do Nordeste, a Escola Marise Paiva, localizada em Recife, é responsável pela formação de dirigentes da CUT através do método desenvolvido por Paulo Freire. O novo presidente eleito da CUT/RN também passou por lá depois de ingressar no movimento em 2007.

São diversos cursos desde a juventude, também tem a ORSB - Organização e Representação Sindical de Base e a FFI - Formação de Formadores Iniciais. Temos a responsabilidade de, depois de nos formar, também de formar outros companheiros”, relata Irailson.

As lutas de ontem, hoje e sempre

Embora já houvesse organização sindical durante a Ditadura Militar, não havia uma entidade que aglutinasse o conjunto da classe trabalhadora, elas eram diferentes e dispersas, o que dificultava uma defesa conjunta.

É difícil uma entidade fazer a luta sozinha”, destaca o dirigente sindical.

Nos últimos anos, o golpe voltou na tentativa de desmantelar as organizações sindicais com o corte do financiamento, que era pago através dos próprios trabalhadores, com a revogação do imposto sindical.

“A CUT mostrou que não é só uma instituição que se sustenta em bases financeiras, mas da consciência de classe. Mesmo o governo Bolsonaro tentando desmobilizar, continuamos a resistir contra a reforma trabalhista e previdenciária. A CUT é a 5ª maior central sindical do mundo e 1ª da América Latina. As centrais não têm financiamento governamental, é mantida por trabalhadores. Como os sindicatos são responsáveis por melhores negociações, os trabalhadores entendem que são responsáveis por manter a entidade”, relata Irailson.

O imposto sindical que era descontado de maneira automática na folha de pagamento, foi cortado no governo Bolsonaro.

Nem somos a favor do desconto automático, mas o que não pode é a intervenção do Estado”, critica Irailson Nunes.

O imposto sindical começou no governo Vargas, que passou a regulamentar a atividade sindical através do Ministério do Trabalho, antes disso, os sindicatos atuavam de maneira autônoma.

Daí que veio o FGTS e a fonte de financiamento, que perdurou até 2017, quando veio a reforma trabalhista que, além de retirar direitos dos trabalhadores, veio com finalidade de sucatear o movimento com questão financeira, só que o imposto não bastava para manter a CUT e nunca foi a receita determinante. Hoje, temos a mensalidade associativa, aqueles que aderem e entendem a importância disso, contribuem”, explica o novo dirigente da CUT eleito no RN, que ficará no comando da instituição entre 2023 e 2027.

Biografia

Irailson Nunes é montador industrial, mas foi liberado da função desde 2008 para exercer a função de dirigente sindical. Ele nasceu em 11 de abril de 1982, na cidade de Umarizal/RN,  e é filho dos agricultores Pedro Gaudêncio e dona Nazareide Nunes. Trabalhou cerca de três anos em uma oficina mecânica até que decidiu, aos 20 anos, se mudar para Parnamirim, no ano de 2002, para tentar melhorar de vida. Continuou trabalhando no ramo metalúrgico e em 2007 foi convidado a participar da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de Natal e Região - SINDMETAL, assumindo a terceira suplência da diretoria executiva.

Dois anos depois, em 2009, assumiu nessa mesma diretoria a Secretaria de Administração e Finanças, onde permaneceu até 2014, ao tornar-se o Presidente da instituição, se tornando o mais jovem a assumir o cargo, aos 31 anos de idade.  Irailson permaneceu no cargo no triênio 2014/2017 e no quadriênio 2017/2021. Durante esse período, ingressou no Coletivo de Juventude da CUT-RN e iniciou o processo de formação sindical na Escola Nordeste Marise Paiva, da CUT, em Recife (PE). Também assumiu o Departamento de Juventude da Federação Interestadual dos Metalúrgicos do Nordeste - FIMETAL. Durante esse período, ingressou no Coletivo de Formação da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT - CNMCUT e participou de diversos cursos, congressos, seminários e conferências nacionais e internacionais, entre eles, o curso de Economia do Trabalho e Sindicalismo, pela Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

Com esse histórico, o sindicalista foi indicado pela Região Nordeste a compor a diretoria da CNMCUT. Em 2019, o metalúrgico assumiu a Secretaria de Administração e Finanças da CUT/RN, cumprindo o mandato: 2019/2023. No qual, em 2023, torna-se Presidente eleito da instituição, repetindo o feito de ser o mais jovem a assumir o cargo, aos 41 anos de idade.

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