Pequenas palavras, grandes efeitos
Natal, RN 24 de mai 2024

Pequenas palavras, grandes efeitos

19 de agosto de 2023
3min
Pequenas palavras, grandes efeitos

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Esses dias fui a Picuí/PB, uma cidade próxima de onde moro (resido em Parelhas/RN – na região do Seridó) para participar de um evento referente ao Agosto Lilás. Evento que por sinal me alegrou muito, pelo número e comprometimento dos participantes, pela inclusão também das mulheres Trans/Travestis no tema da violência contra MULHERES e pelo acolhimento como as/os picuienses nos receberam. Digo “nos” porque não fui só, junto comigo estava a primeira vereadora Trans/Travesti eleita no Nordeste, Thábatta Pimenta.

Naquela manhã, antes de viajar para a cidade paraibana, eu recebi um “Bom dia, meu bem!”, ao que respondi com um “Bom dia, meu amor!, Tô de saída pra Picuí”. Na sequência veio um: “Faça uma ótima viagem e boa palestra. Xero.”

Quem me mandou essas mensagens é alguém cujo afeto, admiração, respeito e tesão são recíprocos. Pessoa concisa nas palavras, ao passo que eu sou a prolixa dessa história, aquela que fala pelos cotovelos. Porém, essa concisão vem sempre cheia de carinho, vem sempre na hora certa...

Ontem, voltando do trabalho, recebi um “Te vi passando” seguido de um “Saudades”... “Tbm, meu amor”, respondi. Afinal, faz uns dias que nossas agendas não batem. Mas não é sobre uma relação afetiva que quero falar, nem de eventos que participei. Falo dessas situações apenas para contextualizar onde quero chegar.

Na verdade, quero falar sobre as palavras, as pequenas palavras que recebemos, que ouvimos, que lemos (inclusive nos gestos), aquelas que vêm recheadas de afetividade, que nos atingem de maneira tão potente, apesar de pequenas.

“Bom dia, boa tarde, boa noite, durma bem, sonhe comigo, vamos sair?, quero ver vc, venha pra cá, estou chegando, ‘oi, meu bem’, meu amor, delícia, tá bem?, que vontade de te dar uns beijos, faça boa viagem, vc é maravilhosa, vc tá bem?, fique bem, tenha um bom dia, xêro....”

Como são grandes, elas. Como alimentam nossa existência de bem-quereres. Como elas nos atingem em lugares tão sensíveis. Como elas mantêm vivas as relações que construímos uns com os outros. Como nos acalentam em dias de solidão. Como nos ninam.

Às vezes, elas saem no automático e chegam até nós sem muita força, justamente devido esse automatismo. Mas para algumas pessoas, elas podem fazer a diferença no dia delas. Às vezes, essas pequeninas podem ser a única palavra de afeto, de respeito, de educação que alguém pode receber em dias. Às vezes uma dessas palavras pode fazer alguém “invisível” existir.

Ontem, quando recebi o “Saudades”, eu fiquei feliz. Voltando do trabalho, eu vinha instrospecta, casmurra, talvez de cara fechada, e aquela palavrinha me fez abrir um sorriso. Meu coração aqueceu, a casmurrice deu lugar a um bem-estar, e minha cara fechada tornou-se radiante. Retribuí aquele presente numa postura sorridente e feliz diante de todas as pessoas com quem me encontrei no caminho pra casa. Retribuí com “boa tarde, tudo bem?, oi” e um brilho caloroso no olhar.

Que essas palavrinhas cheguem a nós todos os dias. Que elas possam nos atingir positivamente, sempre. E que elas possam ser distribuídas, não de forma automática, mas cheias de afeto e significado.

Por fim: E vc? Como está? Espero que você esteja bem. Tenha um bom dia! Xêro no coração!

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