Ciclos, “bruxas”e divindades
Natal, RN 3 de mar 2024

Ciclos, "bruxas"e divindades

30 de setembro de 2023
3min
Ciclos,

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Toda mulher é “bruxa”! Sabemos o que vem pela frente. Sentimos o cheiro antes do desabrochar de qualquer primavera, pressentimos os perigos, mesmo mergulhando de cabeça em certas situações. Nós sabemos! E com o tempo, esse instinto se aguça, se afina, sintoniza coisas que só nós e as deusas e os deuses são capazes. Nós! Bruxas divinas! Divinas bruxas! É como se tivéssemos nascido com um ingrediente a mais. Ou ingredientes. E isso nos empodera. Nos potencializa. Nos fortalece a ponto de não perecermos diante de tantas atrocidades que recaem sobre nossas existências. Nada resiste mais que uma mulher. Nossos ciclos são inúmeros. Abrimos e fechamos, saímos e entramos de tantos, tantas vezes, em tantos períodos da vida que perdemos a conta. Mas saímos vivas e fortificadas. Ciclos de sangue e suor, de hormônios e sentimentos, de homens ou mulheres prestáveis e imprestáveis, de reconhecimento e invisibilidade; ciclos de amor e ódio, de doação e egoísmo, de fervor e frieza, de gozo e sofrimento, de coragem e medo... Ciclos de vida... das nossas vidas. Tenho pensado bastante nisso: De como esses ciclos se chocam, se atropelam, colidem... e como esses processos, da mesma forma que nos desestabilizam momentaneamente, apresentam-nos saídas. Não as vemos com facilidade, é verdade, mas, resilientes como somos, a maioria de nós, descobrimos esses escapes, essas válvulas, esses caminhos de retomada de rédeas e recomeço para os novos ciclos. Somos lunares, aquáticas, fluidas e transitórias. Uma mulher nunca será só uma mulher. Há várias habitando uma mesma existência, e um corpo que também vivencia seus próprios ciclos. Hoje, com 46 anos, tenho olhos mais agudos, muitos sentimentos já degustados (alguns aprovados, outros que foram descartados para nunca mais), uma sensibilidade aflorada diante do outro, e conhecimento sobre mim que me possibilita, inclusive, controlar alguns dos ciclos que se apresentam. Há como fechá-los antes. Há com o desviá-los. E há como sair deles com sabedoria e sem sequelas. Há como me proteger, como me blindar, como me fortalecer para o enfretamento, caso ele venha feroz. Afinal de contas, sou uma mulher. Sou bruxa, tenho meus sentidos aguçados. Sou resiliente e empoderada. Sinto quando o ciclo será curto ou longo. Mesmo correndo perigo, me jogo em alguns... Até por que, o que não falta a uma mulher é coragem... Que sejamos todas assim, corajosas, reslientes, empoderadas e que nenhum ciclo que se feche nos enclausure. Não fomos feitas para sermos enjauladas, existimos para dançarmos livre, ao redor de fogueiras, com os cabelos ao vento, espalhando nossa beleza e nossa condição de divindades.

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