O amor nos tempos do ‘exposed’ 
Natal, RN 29 de fev 2024

O amor nos tempos do 'exposed' 

21 de setembro de 2023
3min
O amor nos tempos do 'exposed' 

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Mesmo com tanta coisa acontecendo, como Lula na ONU, STF pautando debate sobre aborto, onda de calor etc e tal, os assuntos mais comentados nas redes sociais, principalmente no twitter, são o que fez a cantora Luísa Sonza, que contou do fim do namoro com Chico Moedas ao vivo no programa da Ana Maria Braga e os desabafos e indiretas de Bruna Biancardi, na reta final da gravidez, ao descobrir que seu namorado, o fuebolista Neymar estava numa boate da Espanha com duas mulheres. Enfim, as boas e velhas fofocas que fazem a profissão de alguns e a delícia de muitos, já que estamos sempre dispostos a saber e falar da vida alheia. E que não se pense que se trata de um modismo desses tempos, já que das anedotas medievais do ´Decamerão`, de Boccaccio, até as intrigas da Belle Époque francesa, falar e saber sobre a vida dos outros é mania internacional. A diferença para os tempos atuais é que hoje as próprias pessoas fazem fofoca sobre si, fazem revelações indiscretas, se expõem. Há inclusive um termo, em inglês, bastante usado especificamente para isso: exposed. Claro que é a exposição pública de algo ou alguém, mas o termo se refere particularmente às redes sociais e tanto em relação a expor alguém que comete um crime ou ao antiético ou socialmente reprovável (ver também ´Cancelamento`) ou à própria pessoa se expor, com intenções de ganhar dinheiro, fama, sucesso ou isso tudo junto ou ainda para chamar a atenção. Atualmente as celebridades se dão bem com tanto ´exposed`. A cantora Anitta causou polêmica ao deixar vazar um vídeo em que supostamente fazia sexo oral na rua em um rapaz, para depois vermos que se tratava de publicidade para nova música e novo clipe. Ex-BBBs (sim, parece que isso virou profissão no Brasil) expõem namoros, términos, ultrassom de filhos, etc. tudo para ´gerar engajamento' ou seja, mais seguidores e likes, ou seja, mais dinheiro entrando na conta. Claro que parece que isso é coisa de celebridade (ainda mais de subcelebridades). Mas mesmos nós, pobres internautas mortais, volta e meia nos flagramos nas redes nos expondo, seja desabafando coisas íntimas para ganhar umas curtidas e um apoio moral, seja soltando indiretas nos stories. Expomos nossas vidas em tudo, de maneira geral, seja o jantar que comemos, posado no Instagram, seja o golpe que levamos do motorista do Uber, desabafado no Twitter. Nossa vida, como a das (sub)celebridades, tornou-se um livro aberto nas redes. Para o bem e (talvez principalmente) para o mal. É a era da superexposição, portanto. Nos resta saber lidar com isso. E o amor? “O amor que move o sol e as outras estrelas”, como diz Dante Alighieri o verso que encerra o último canto da terceira parte de "A Divina Comédia", continua como sempre, à espera de todos nós. Com exposição ou não.  

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