Verdade, Memória e Justiça: Festival “Giovanni Gabriel Vive” acontece neste sábado (23)
Natal, RN 29 de fev 2024

Verdade, Memória e Justiça: Festival "Giovanni Gabriel Vive" acontece neste sábado (23)

23 de setembro de 2023
3min
Verdade, Memória e Justiça: Festival

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar
Lembrar e pressionar. Festival de cultura neste sábado (23), a partir das 15h, no bairro Guarapes, em Natal, celebra a memória do jovem Giovanni Gabriel e cobra justiça. “Importante fazer pressão para o júri popular que está marcado para 16 de outubro”, alerta Priscila Souza, que carrega a luta por Memória, Verdade e Justiça há três anos, desde que seu filho foi morto quando chegava na casa da namorada, no Loteamento Cidade Campestre, em Parnamirim. Estão confirmadas as presenças de artistas e grupos de hip hop, como Calmaria, Amem Ore, Rharo e IPCS. Outros MC's também devem marcar presença. Giovanni Gabriel completaria 22 anos, dia 19 de setembro, se não fosse mais um jovem negro a entrar nas estatísticas de mortes violentas. Segundo dados do DataSUS, a taxa de homicídios de jovens pretos e pardos, entre 15 e 29 anos, é de 98, 5 a cada 100 mil habitantes. O número é três vezes maior que o dos jovens brancos: 34 assassinatos a cada 100 mil. Pior, mulheres como Priscila Souza precisam lidar não só com a dor da perda de seus filhos, mas também com um alicerce que sustenta a prática genocida contra a população negra. O corpo de Gabriel só foi localizado nove dias após o assassinato a partir das buscas realizadas por amigos e familiares. Os principais suspeitos pela prática de homicídio qualificado, sequestro e ocultação de cadáver são os policiais militares: Paullinelle Sidney Campos Silva, Bertoni Vieira Alves, Valdemi Almeida de Andrade e Anderson Adjan Barbosa de Sousa. Os quatro devem ir a júri popular no próximo dia 16 de outubro, mas enquanto isso respondem em liberdade. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Gabriel foi executado a tiros e o corpo do jovem só foi localizado no município de São José do Mipibu, distante 20 quilômetros de Parnamirim. “Queremos reunir a população para chamar a atenção das autoridades mais uma vez”, afirmou Priscila em referência à convocação de mais uma ação por Memória, Verdade e Justiça no bairro em que Gabriel vivia com a família, o Guarapes. Segundo estudo feito pelo Núcleo de Justiça Racial (NJRD) da Escola de Direito São Paulo (FGV Direito SP), mesmo em casos amplamente conhecidos de violência policial fatal contra afrodescendentes, o sistema judicial brasileiro tende a evitar responsabilizar os envolvidos nesses incidentes. O estudo realizou uma análise de eventos notórios ocorridos nas últimas três décadas e apresentou essas histórias e discussões em formato de podcast, expondo as questões desde o poder público até a violência racial. Condenações anuladas em segunda instância, penas reduzidas, inquéritos arquivados, alegações de que as vítimas eram as culpadas pelas mortes, absolvições rápidas, aceitação das versões dos policiais como verdadeiras nos processos, testemunhas de acusação negligenciadas e a falta de medidas de reparação adequadas às famílias das vítimas são apenas alguns exemplos desse padrão recorrente. Segundo o estudo, essa lista representa um conjunto de estratégias repetidas que o sistema de justiça brasileiro tem utilizado para evitar responsabilizar indivíduos e instituições envolvidos em casos de violência letal perpetrada por agentes de segurança contra pessoas negras.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.