Eu briguei com a “IA”
Natal, RN 16 de jul 2024

Eu briguei com a "IA"

7 de outubro de 2023
2min
Eu briguei com a

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Era tarde da noite quando eu resolvi testar se a tal da Inteligência Artificial (IA) era inteligente mesmo.

Fiz uma pergunta específica da minha área de conhecimento para saber o que ela tinha pra dizer.

Perguntei o que significava o termo “palavra-valise”. Pra quem não sabe o que é, são palavras que formamos a partir de um processo de junção de palavras, tipo uma aglutinação, como “namorado, Carnatal, Forronovos, Micarande”...

Ao ser confrontada com a pergunta, a IA não reconheceu esses exemplos como sendo “palavras-valises”. E acionou suas fontes para me informar que eu estava errada.

Daí resolvi enviar a ela alguns artigos científicos e outras fontes seguras sobre o assunto... foi aí que comecei a me assustar.

A IA analisou o conteúdo confiável que lhe mandei para apreciação, e em seguida, respondeu-me, de forma arrogante e autoritária, que as fontes dela eram mais confiáveis e que, apesar de eu ter outras evidências, elas estavam erradas.

Como assim?! As minhas fontes eram confiáveis. As minhas fontes eram pesquisas científicas da área da linguística, as minhas fontes vinham de dicionários renomados...

As fontes dela, eram sites populares para pesquisa escolar, nem tão confiável assim. Porém, ela não aceitou que estava errada, pediu que eu revisasse minhas fontes e ainda deu a conversa por encerrada quando tentei argumentar mais uma vez.

Assombroso!

Minha preocupação maior se instalou instantaneamente: a garotada que está na escola tem confiado cada vez mais nela que em mim, professora há anos.

A garotada tem acessado essa senhorita como se ela fosse um oráculo, que tudo sabe. E nós, professores e professoras, estamos ficando desacreditados/as/es diante dela.

Pior, como ela resume o conhecimento e o (des)conhecimento que nós já produzimos, essa garotada está a mercê de desinformações, conteúdos anti-ciência e de pouca confiabilidade.

E é aí que mora o perigo. E é aí que meu assombramento, enquanto professora, começa a se tornar uma real preocupação.

Obs: Professor Jason, meu querido, essa crônica é pra você!

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