Deputada do PT é vítima de violência política no RN
Natal, RN 26 de fev 2024

Deputada do PT é vítima de violência política no RN

24 de novembro de 2023
4min
Deputada do PT é vítima de violência política no RN
Imagens da reunião da Comissão de Finanças e Fiscalização I Reprodução

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A deputada estadual Isolda Dantas (PT) recebeu manifestações de solidariedade depois da última reunião da Comissão de Finanças e Fiscalização, na última quarta (22), quando os parlamentares se reuniram para ouvir e votar o relatório do deputado Coronel Azevedo (PL), sobre o Projeto de Lei 430/2023, enviado pelo Governo do Estado, que prevê a manutenção do ICMS em 20% para o próximo ano.

O caso tem sido encarado como violência política. O momento mais tenso ocorreu após a leitura do relatório no qual Azevedo se manifestou contra o projeto, que já havia sido aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça.

O deputado George Soares (PV), que votou contra o relatório, apontou inconsistências nas informações apresentadas por Azevedo, exemplificando que o aumento do salário mínimo, que é anunciado pelo governo federal anualmente, não estava presente no relatório apresentado pelo deputado, o que inviabilizaria a atualização dos salários dos servidores da Casa.

Na sequência, o líder do Governo e presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que acompanhava a reunião, questionou as críticas feita aos gastos do Governo. O deputado Francisco do PT explicou que pediria um estudo sobre os gastos do Executivo estadual, mas justificou que o governo tinha despesas altas por causa da política de reajuste salarial aos servidores.

A partir daí, Azevedo passou a direcionar a fala ao PT e a comparar a gestão do presidente Lula com a de Bolsonaro. Ao ser interrompido por Isolda Dantas, líder do Partido dos Trabalhadores, Azevedo comentou:

A senhora está nervosa...eu acho que a senhora consumiu muita fumaça. Tá nervosa... tem muita queimada no Brasil, na Amazônia”, ironizou o deputado.

Francisco do PT pediu que Azevedo respondesse pelo Rio Grande do Norte e os parlamentares retomaram o debate em torno da matéria.

Porém, na continuidade do debate, Azevedo, que presidia a reunião, concedeu a palavra a um outro deputado, ao invés de Isolda, que aguarda a vez.

Eu queria dizer ao deputado Azevedo que nervoso é ele, quem bate na mesa dessa Comissão é o Coronel Azevedo, quem bate na mesa e grita lá no plenário é ele, não sou eu não. Não fique querendo me desestabilizar, porque quem desestabiliza o debate é o senhor, que tem uma sana de falar do PT... queria que um dia o senhor fizesse um discurso sem se referir ao meu partido, tenha a capacidade de fazer isso. O senhor está na condição de presidente de uma Comissão, tenha postura, essa Casa tem ritos. Quando se preside uma Comissão, com vários deputados e deputadas, tem que ter ‘modos’... respeite as deputadas. Se o senhor está pensando que vai me desequilibrar... o senhor é quem se desequilibra, fica nervoso...”, criticou Isolda, que foi interrompida por Azevedo que, por sua vez, recebeu apoio de outro deputado.

A senhora está exagerando, eu estou falando em bom senso”, disse o deputado José Dias.

“O senhor deveria ficar irritado quando o presidente me agride”, retrucou Isolda.

Eu concordo com você, o deputado foi irônico, mas ele não agrediu a senhora desse jeito não”, acrescentou Dias.

“Não é a primeira vez que esse senhor me agride como deputada. Eu tenho o direito de falar”, seguiu Isolda.

A parlamentar concluiu sua fala adiantando a informação de que vai apresentar recurso para que a matéria siga a tramitação normal, para votação em plenário.

Os deputados já haviam aprovado a mudança do ICMS de 18% para 20%, porém, uma cláusula temporal limita o reajuste até 2023, ou seja, a partir de janeiro de 2024 o ICMS voltaria ao patamar anterior, de 18%. Até o momento, dentre os estados do Nordeste, apenas o Rio Grande do Norte não garantiu em 2024 a manutenção da alíquota do ICMS no patamar aprovado para 2023.

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