Dino cita agressões de deputado do RN para não ir a audiência na Câmara
Natal, RN 3 de mar 2024

Dino cita agressões de deputado do RN para não ir a audiência na Câmara

22 de novembro de 2023
3min
Dino cita agressões de deputado do RN para não ir a audiência na Câmara
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, não compareceu a uma audiência pública que estava marcada para esta terça-feira (21) na Câmara dos Deputados. Entre os motivos, citou as agressões verbais recebidas por ele vindas do deputado federal pelo Rio Grande do Norte, Sargento Gonçalves (PL), e parlamentares de outros estados.

Dino estava convocado para comparecer à Comissão de Segurança Pública e Combate contra o Crime Organizado (CSPCC) da Câmara, mas enviou um ofício ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL) negando o comparecimento. 

No documento, Dino elencou as declarações contra ele pelos membros da comissão em outros momentos, incluindo Sargento Gonçalves.

O ministro chama as atitudes de “rol de atos inconstitucionais e ilegais, violadores do decoro parlamentar”. Foram falas ditas em uma sessão no dia 24 de outubro. Nela, o deputado federal pelo RN diz, dentre outras declarações (veja transcrição completa abaixo):

“Esse é apenas mais um dos crimes cometidos de forma reiterada por essesujeito [Flávio Dino]”

“eu nunca vi bandido gostar de polícia!”

“Qual a moral que esse sujeito tem para permanecer exercendo um cargo tão importante em nossa Nação?”

“Ministro Flávio Dino tem uma missão a cumprir no Ministério da Justiça, que é passar a mão na cabeça do crime organizado”

“Eu tenho certeza de que o único satisfeito com o Ministro Flávio Dino ocupando aquela cadeira é o próprio crime organizado.”

Para o ministro, as novas agressões “mostram um ambiente ainda mais perigoso à minha integridade física e moral, confirmando a justificativa anterior.” 

Ataques anteriores

Dino citou outros ataques recebidos por ele em sessão no dia 10 de outubro. Nela, foi chamado por deputados de “fraco”, “covarde”, “canalha”, dentre outros termos.

Também relatou as ameaças do deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES), agente de Polícia Federal licenciado, que em discurso na marcha do Movimento Pró-Armas em 9 de julho de 2023, o associou ao Comando Vermelho e desafiou o ministro a tomar sua arma.

“Todo mundo sabe que numa comunidade dominada por uma facção criminosa como Comando Vermelho, só sobe de duas formas: ou trocando tiro ou com autorização do Comando Vermelho. E eu digo, como o Sargento Fahur ‘Flávio Dino, vem tomar minha arma se você é homem! Vem tomar minha arma!’", disse o deputado.

Outro citado como autor de ameaças foi Sargento Fahur (PSD-PR), ex-integrante da Rotam, que disse:

"Flávio Dino, vem buscar minha arma aqui, seu merda".

Para o ministro da Segurança, a insinuação de que os deputados teriam armas dentro da Câmara representaria uma ameaça à sua integridade física.

“A partir dessas frases dos citados parlamentares, membros da Comissão autora da convocação, é verossímil pensar que eles andam armados, o que se configura uma grave ameaça à minha integridade física, se eu comparecesse à audiência”, disse.

“Lembro, a propósito, que os parlamentares não se submetem aos detectores de metais, o que reforça a percepção de risco, inclusive em razão dos reiterados desatinos por parte de alguns. Ademais, sublinho que o Presidente da multicitada Comissão reconheceu a impossibilidade de manutenção da ordem dos trabalhos, ao encerrar a sessão anterior a que compareci no dia e hora marcados”, justificou. 

“Esses fatos objetivos levaram a que o setor de segurança deste Ministério recomende o não comparecimento à citada convocação, à vista do elevado risco de agressões físicas e morais, inclusive com ameaças de uso de arma de fogo - como acima descrito.”

Confira a fala inteira de Sargento Gonçalves, contra Flávio Dino, em sessão de 24 de outubro (destaques em negrito são do documento original):

Sr. Presidente, em nada nos espanta a atitude do Ministro Flávio Dino. Esse é apenas mais um dos crimes cometidos de forma reiterada por esse sujeito, que não tem a mínima condição de estar representando, ou melhor, de estar sentado em uma cadeira tão importante do nosso País no Governo Federal, que seria a cadeira de Ministro da Justiça e Segurança Pública. 

Não nos espanta a conduta dele com esta Comissão de Segurança Pública, Deputado Coronel Ulysses. Aqui não tenho dúvida, praticamente todos os integrantes aqui são policiais, sejam policiais militares, policiais federais, policiais rodoviários federais, delegados de polícia, e eu nunca vi bandido gostar de polícia — eu nunca vi bandido gostar de polícia! 

Já dizia o meu pai: quem não gosta de polícia é bandido. O mesmo Ministro da Justiça foi a uma comunidade dominada, Deputado Sargento Fahur, pelo crime organizado, sem nenhum tipo de aparato policial, e agora não comparece a esta Comissão, convocado, o que é uma obrigação constitucional. Qual a moral que esse sujeito tem para permanecer exercendo um cargo tão importante em nossa Nação? 

Ministro Flávio Dino tem uma missão a cumprir no Ministério da Justiça, que é passar a mão na cabeça do crime organizado, porque o Rio de Janeiro, assim como outros Estados da nossa Federação, tem sofrido com o aumento da violência, com verdadeiros atentados terroristas. 

Esse Ministro tem a ousadia de afrontar homens de bem que estão nesta Comissão lutando pelo bem do nosso País. Ele deveria ter vergonha na cara, porque, quando esteve aqui na condição de convidado, nobre colega Deputado Messias Donato, veio para desrespeitar, para desmoralizar esta Comissão, porque ele já é um desmoralizado, é um sujeito que não tem a mínima condição de estar na posição que está. Isso nos causa revolta e indignação. 

Eu tenho certeza de que o único satisfeito com o Ministro Flávio Dino ocupando aquela cadeira é o próprio crime organizado.

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