Negras têm piores empregos e recebem R$884 a menos do que homens no RN
Natal, RN 29 de fev 2024

Negras têm piores empregos e recebem R$884 a menos do que homens no RN

22 de novembro de 2023
4min
Negras têm piores empregos e recebem R$884 a menos do que homens no RN
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Uma mulher negra no Rio Grande do Norte recebe, em média, um salário de R$ 1.652. O valor é R$ 884 menor do que aquele pago a um homem não negro (R$ 2.536) no estado, segundo os dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

Os dados são recentes e se referem ao segundo trimestre de 2023 (abril, maio e junho) da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para as mulheres negras, além das desigualdades pela questão de raça, acumulam também questões de gênero. No comparativo entre mulheres, as não negras também têm salário maior (R$ 2.256) do que as negras (R$ 1.652) e do que os homens negros (R$ 1.904).

Essa diferença salarial entre negros e não negros se reflete ao longo de toda a cadeia social e econômica no estado, restando aos negros, tanto homens quanto mulheres, ocupar os piores postos de trabalho.

 Eles são a maioria em subempregos e trabalhos informais. Apenas 2,1% conseguiram alcançar algum posto de chefia, enquanto entre os não negros, essa média é de 5,5%. Na prática, a cada 48 trabalhadores negros, 1 alcança um cargo de gerência, enquanto entre os não negros a proporção é de 18 trabalhadores para cada cargo de chefia conquistado.

No caso das mulheres negras, quase metade (49,4%) está em trabalhos informais. Entre os homens negros esse índice é um pouco maior, chegando a 51,9%.

O reflexo disso está na taxa de subutilização da mão de obra, que chega a 36,5% no caso das mulheres negras e a 25,8% entre homens negros. Já entre mulheres não negras essa média é de 28% e de 20,7% entre os homens.

Segundo os analistas do Dieese, a discriminação racial é o primeiro obstáculo para que homens e mulheres negras consigam se colocar no mercado de trabalho, uma dinâmica que continua se repetindo ao longo dos anos. Apesar de representarem 56,1% da população em idade de trabalhar, os negros são mais da metade dos desocupados (65,1%).

Entre as mulheres negras a taxa de desocupação chega a 11,7%, enquanto entre as não negras é de 7%. Já entre os homens negros alcança os 7,8% e cai para 5,7% entre homens não negros.

E se as mulheres são minoria nos cargos de chefia e direção de instituições e empresas, essa média é ainda menor entre mulheres negras, alcançando um total de 1,5%. Entre aquelas não negras a taxa de mulheres em altos cargos é de 2,6%. Apenas 1,5% dos homens negros no estado alcançaram cargos de chefia no período avaliado, enquanto entre homens não negros essa média é de 3,7%.

Maioria da população

Enquanto em âmbito nacional a população negra corresponde a 56,1% da população brasileira, no RN a população negra corresponde a 63% da população geral.

Essa proporção é a menor entre os estados do Nordeste, que tem o Maranhão (81,1%) com maior população negra, seguido pela Bahia (80,2%), Piauí (79%), Sergipe (75,6%), Alagoas (72,8%), Ceará (72,3%), Paraíba (66,5%), Pernambuco (64,8%) e Rio Grande do Norte.

As mais quentes do dia

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.