79% da malha rodoviária do RN tem problemas, aponta pesquisa
Natal, RN 2 de mar 2024

79% da malha rodoviária do RN tem problemas, aponta pesquisa

1 de dezembro de 2023
5min
79% da malha rodoviária do RN tem problemas, aponta pesquisa
Trecho da BR-405 | Foto: Ministério dos Transportes

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Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostrou que 79,3% da malha rodoviária pavimentada avaliada no Rio Grande do Norte apresenta algum tipo de problema, sendo considerada regular, ruim ou péssima.

A Pesquisa CNT de Rodovias avaliou toda a malha pavimentada das rodovias federais e dos principais trechos estaduais. Em 2023, foram analisados 1.879 km no Rio Grande do Norte, que representa 1,7% do total pesquisado no Brasil.

No estado, apenas 20,7% da malha foi considerada ótima ou boa. Somente 30 km receberam a classificação de “ótimo”, e 359 km de “bom”.

Em relação aos pontos críticos, a pesquisa identificou 56 no estado. São, por exemplo, pontos com queda de barreira, ponte caída, erosão na pista, buraco grande, ponte estreita e outros.

Em relação ao pavimento, 59,8% da extensão da malha rodoviária do estado avaliada apresenta problemas; 40,2% está em condição satisfatória; 1,1% está com o pavimento totalmente destruído.

Sobre a sinalização, a CNT mostrou que 73,5% da extensão da malha rodoviária potiguar é considerada regular, ruim ou péssima; 26,5%, ótima ou boa; 15,5% está sem faixa central; e 23,5% não tem faixas laterais. 

De acordo com o secretário estadual de Infraestrutura (SIN), Gustavo Coelho, o governo já possui mais de 40 projetos executivos elaborados.

“Esses projetos serão destinados à melhoria da qualidade dessas rodovias. Teremos adequação de capacidade em muitas delas, com alargamento, com construção da área para drenagem e acostamento, e também alargamento da sua plataforma de forma a atender exatamente a ampliação desse fluxo”, afirmou.

Segundo o titular da SIN, também está sendo feito o reforço da base das rodovias, para que possam ter uma vida útil mais longa. Parte dos recursos vem do Programa de Equilíbrio Fiscal (PEF), com o aporte da primeira parcela previsto para chegar em dezembro.

“Então nós iremos iniciar as licitações para que possamos fazer essas restaurações com adequação de capacidade, também fazendo algumas implantações de rodovias de pequena extensão e restauração de trechos críticos com recapeamento de algumas delas”, explicou.

Para 2024, de acordo com Coelho, o RN vai contar tanto com os recursos do Programa de Equilíbrio Fiscal, quanto do acordo de empréstimo com o Banco Mundial.

Investimentos necessários

Para recuperar as rodovias no Rio Grande do Norte, com ações emergenciais (reconstrução e restauração) e de manutenção, é necessário R$ 1,73 bilhão, segundo a CNT. 

Do total de recursos autorizados pelo governo federal para a infraestrutura rodoviária, especificamente no Rio Grande do Norte, em 2023 (R$ 202,57 milhões), foram investidos R$ 38,50 milhões até setembro (19,0%).

A Confederação ainda diz que as condições do pavimento no estado geram um aumento de custo operacional do transporte de 37,7%, o que se reflete na competitividade do Brasil e no preço dos produtos.

A pesquisa avaliou tanto as rodovias de responsabilidade federal quanto estadual. Segundo o secretário de Infraestrutura do RN, “a BR-226 já se encontra praticamente toda recuperada”. Ele também destacou os investimentos na BR-304, rodovia com o maior fluxo de pessoas e de cargas no Rio Grande do Norte. 

“Além de outras [rodovias] que também vêm sofrendo intervenções de forma a melhorar a qualidade. A BR-226 e a BR-304 contemplam o fluxo num sentido e as BR-406 e 405 no outro sentido, que também vêm passando por intervenções e melhorias”, disse.

“É de grande interesse que a malha rodoviária federal esteja muito bem cuidada pelo governo federal, e estamos atentos e acompanhando todas as atividades que estão sendo empreendidas”, ratificou Coelho.

O secretário afirmou que os trechos federais são de responsabilidade direta do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), ligada ao Ministério dos Transportes.

“Ou seja, o governo do estado tem a responsabilidade de acompanhar a execução desses serviços, dada a importância que eles têm para o estado, mas são de responsabilidade direta do governo federal através do Dnit”, completou.

Procurado, o Dnit não respondeu.

Custo dos acidentes

O prejuízo gerado por acidentes foi de R$ 268,73 milhões em 2022. No mesmo ano, o governo gastou R$ 59,13 milhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte no RN, de acordo com o documento.

Meio ambiente

Em 2023, estima-se que haverá um consumo desnecessário de R$ 20,2 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária potiguar. Esse desperdício custará R$ 133,07 milhões aos transportadores. 

Brasil

Em todo o país, 111.502 km foram analisados neste ano. De acordo com os pesquisadores, 67,5% das rodovias apresentam algum tipo de problema. Foram identificados, ao todo, 2.648 pontos críticos nas cinco regiões. 

A Confederação Nacional dos Transportes ainda estimou em R$ 94,12 bilhões os custos necessários para recuperar as rodovias no Brasil.

A CNT aponta que houve uma “longa tendência de baixa de investimentos nas últimas décadas”. A situação levou a uma lacuna na qualidade das rodovias que demorará possivelmente um período prolongado para ser revertida, de acordo com o estudo.

“É preciso aprimorar a execução do orçamento público, aumentando os valores efetivamente pagos para que, assim, se convertam em melhorias para as infraestruturas e os seus usuários”, mostra o documento. 

“Em um contexto de escassez de recursos, convém que seja maximizado o efeito dos montantes disponíveis, tanto em aplicação tempestiva quanto na sua destinação em conformidade com uma política de âmbito nacional, priorizando os investimentos onde possam ter maior impacto de melhoria”, sugere.

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