Família acompanha depoimentos do 1º dia de júri do caso Eliel
Natal, RN 23 de fev 2024

Família acompanha depoimentos do 1º dia de júri do caso Eliel

12 de dezembro de 2023
5min
Família acompanha depoimentos do 1º dia de júri do caso Eliel
Fórum Miguel Seabra Fagundes I Foto: Mirella Lopes

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Começou na manhã desta terça (12), no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Natal, o 1º dia de julgamento dos três réus acusados de matar o advogado Eliel Ferreira Cavalcante Jr, de 26 anos. A estimativa é que o julgamento dure cerca de quatro dias.

Eliel foi assassinado no dia 09 de abril de 2022, em Mossoró, depois dele e do companheiro, Lucas Emanuel, serem abordados enquanto conversavam na calçada em frente ao condomínio de Lucas, que conseguiu escapar.

Apesar do crime ter ocorrido em Mossoró, a defesa dos réus pediu que o julgamento fosse transferido para Natal para evitar que a população da cidade fosse influenciada pela forte comoção provocada pelos crimes. O julgamento está sendo acompanhado pessoalmente pela família de Eliel.

A previsão é que hoje sejam ouvidas só as testemunhas... vai se estender [o julgamento]. Está sendo difícil, mas vamos seguir firmes até o final”, comentou Eliel Ferreira Cavalcante, pai da vítima.

Os réus foram identificados como Ialamy Gonzaga, também conhecido como Jr Preto, Francisco de Assis Ferreira da Silva (Neném) e Josemberg Alexandre da Silva (Beberg), que respondem pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio. 

O advogado Eliel Ferreira Cavalcante Jr foi assassinado com apenas 26 anos I Foto: reprodução

O crime

Depois de um dia de bebedeira, os réus alegam que decidiram abordar ‘suspeitos’ na rua e que confundiram Eliel e o companheiro com assaltantes. No entanto, Jr Preto era vizinho de Lucas e morava em frente ao condomínio do jovem.

Eliel, que era advogado, e o companheiro, Lucas Emanuel, conversavam na calçada, em frente ao condomínio de Lucas, quando foram abordados por dois homens. Em depoimento, Lucas contou que, à princípio, chegou até a pensar que se tratava de um assalto e jogou o celular para dentro do condomínio. Os dois suspeitos fizeram sinal para um terceiro homem, que estava armado e escondido embaixo de uma árvore. Era o vizinho de Lucas.

As vítimas correram para lados opostos tentando fugir. Lucas foi para uma rua mais aberta e com muito movimento. A equipe de advogados da vítima acredita que isso foi determinante para que os suspeitos desistissem de persegui-lo e fossem atrás de Eliel, que ainda correu por 110 metros, mas foi alcançado numa rua menos movimentada e mais estreita.

Os advogados de Lucas contam que o vizinho, Jr Preto, era uma pessoa problemática para a vizinhança. Ele costumava exibir a arma de fogo, que foi usada no crime, sempre que bebia. O réu tinha licença de posse da arma, mas não de porte. Com isso, ele poderia guardar a arma em casa, mas não poderia estar com ela na rua.

Durante a investigação, foi descartada a motivação de homofobia para o crime. Os advogados apontam que os réus assassinaram Eliel pela simples vontade de matar. Apesar da desculpa de que estariam abordando suspeitos, em nenhum momento a polícia foi acionada pelos réus ou foi feito qualquer questionamento a Eliel sobre algo suspeito. Houve uma execução.

Eliel morreu depois de ser atingido por nove disparos de pistola 9 milímetros. Uma quarta pessoa acabou contribuindo para a execução de Eliel, mas não foi indiciada pelo delegado, nem denunciada pelo Ministério Público, que entenderam que ela agiu de forma involuntária e não tinha a intenção de ferir a vítima, sendo induzida ao erro pelo demais que gritavam ‘pega ladrão’ no meio da rua. Essa 4ª pessoa alcançou Eliel e lhe aplicou um mata-leão. Ela também foi atingida na virilha quando Jr Preto efetuou os disparos que mataram Eliel.

Tanto Lucas, quanto a família de Eliel estão como assistentes da acusação dos advogados que acompanham o caso. Os dois crimes dos quais os réus são acusados, homicídio e de tentativa de homicídio, possuem qualificadoras (aumentam as penas dos réus) e são considerados hediondos, por terem sido cometidos por motivo torpe e por ter dificultado a defesa das vítimas.

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