TRE-RN diz que blitze da PRF atrapalharam eleitores no 2º turno
Natal, RN 26 de fev 2024

TRE-RN diz que blitze da PRF atrapalharam eleitores no 2º turno

6 de dezembro de 2023
4min
TRE-RN diz que blitze da PRF atrapalharam eleitores no 2º turno
Silvinei Vasques, ex-diretor geral da PRF, está preso desde 9 de agosto por consequência dessa investigação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Pela primeira vez, um documento da Justiça Eleitoral afirmou que as operações de blitze da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no segundo turno das eleições atrasaram os eleitores a comparecer às urnas. O relatório foi produzido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), tendo como base a atuação da PRF em Campo Grande, município a cerca de 273 km da capital Natal.

O documento foi obtido pelo g1 e agora integra um inquérito da Polícia Federal que investiga se a PRF, à época comandada por Silvinei Vasques, foi utilizada para interferir no processo eleitoral. Vasques está preso desde 9 de agosto por consequência dessa investigação.

De acordo com o TRE-RN, o relatório era público e foi remetido à Corregedoria-Geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE, por sua vez, encaminhou-o à Polícia Federal. Por se tratar de uma investigação federal, se tornou sigiloso.

Segundo informa o g1 com base no documento, parte considerável dos eleitores que costumava votar de manhã na cidade só compareceu aos colégios eleitorais à tarde, depois que a Justiça tomou medidas emergenciais para amenizar o impacto das blitze e quando a PRF encerrou as operações.

"Em um primeiro momento, pela manhã, os mesários começaram a relatar o baixo fluxo de comparecimento de eleitoras e eleitores, encaminhando fotos das salas vazias e da inexistência de filas nos corredores das escolas", disse um trecho assinado pela juíza da 31ª Zona Eleitoral, Erika Corrêa.

"Ao indagar sobre o baixo fluxo de eleitoras e eleitores no período matutino — em frontal discrepância com o primeiro turno, onde foram verificadas filas nas seções de votação —, foi relatado, pelos mesários e mesárias, que o baixo comparecimento seria consequência da realização de operação (blitz) por agentes PRF no município", apontou a juíza.

Ainda segundo a juíza do TRE potiguar, o trabalho da PRF “pode ter causado impacto significativo” no fluxo de votação. Ela ressaltou que operações semelhantes não foram identificadas nem no primeiro turno das eleições do ano passado, nem nos dois turnos da disputa de 2018.

"A atuação da Polícia Rodoviária Federal no dia do segundo turno das eleições de 2022 no município de Campo Grande, em pontos estratégicos da cidade, pode ter causado impacto significativo no deslocamento de eleitores e eleitoras aos seus locais de votação [...]. Frise-se que não há registro de operação semelhante — mesmo horário e local — durante a realização do primeiro turno das Eleições de 2022, muito menos nos dois turnos das Eleições de 2018", registrou o documento.

O relatório foi escrito com base numa amostra de 5.830 eleitores de 23 seções de Campo Grande.

“Para autoridades, porém, o registro pode constituir um indício técnico de que as abordagens feitas nas estradas pela PRF na região Nordeste, reduto eleitoral de Lula, tiveram de fato potencial para atrapalhar a votação”, relatou o g1.

Ainda segundo a reportagem, a juíza Erika Corrêa separou o comparecimento dos eleitores do município potiguar em três momentos:

  • Das 8h às 12h46: relatos de salas vazias e seções eleitorais sem filas. 2.232 eleitores estiveram presentes para votar — 38,28% do total das seções analisadas (5.830 eleitores);
  • Das 14h às 15h30: há uma ampliação do serviço de transporte gratuito oferecido pela Justiça e a divulgação da ação pelo WhatsApp e pela rádio da cidade. Com isso, mais 1.293 eleitores comparecem para votar. O eleitorado bate 60,46% (3.525 votantes).
  • Das 15h30 às 16h58: as blitze da PRF se encerram. O comparecimento às urnas em Campo Grande atinge 75,02%, com 4.374 eleitores.

O Corregedor-Geral do TSE, que encaminhou o relatório ao Ministério da Justiça para incluir na investigação da PF, é o ministro Benedito Gonçalves. No encaminhamento, o ministro elogiou a juíza da 31ª Zona Eleitoral de Campo Grande, segundo informou o g1. 

"O referido documento relata de forma minuciosa a atuação da referida zona eleitoral no dia 30/10/2022, analisa os impactos da atuação da PRF sobre o fluxo de eleitoras e eleitores do município e indica que a pronta e efetiva atuação da Justiça Eleitoral foi um componente decisivo para resguardar o direito fundamental ao voto na localidade", apontou o ministro.

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