2024 um ano de disputas
Natal, RN 2 de mar 2024

2024 um ano de disputas

24 de janeiro de 2024
6min
2024 um ano de disputas
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Por Hugo Manso*

Foi muito bom ler, aqui no Saiba Mais, o texto de Eron Flávio, meu colega do IFRN, professor de língua inglesa e militante do Partido dos Trabalhadores em Parnamirim.

Segundo Eron, “o ano de 2024 será muito importante para a vida em muitas cidades, muito destacadamente para as principais cidades da Grande Natal em que, ao que tudo indica, o Partido dos Trabalhadores, o PT, terá candidaturas em importantes colégios eleitorais.”

Para nós que militamos no PT em Natal, mais uma ano de difíceis disputas. Depois da fundação do Partido em 1980, não disputamos a Prefeitura em 1985 devido a impedimento legal, disputamos como vice do PSB em 1988 e em seguida, apresentamos candidaturas próprias em todas as eleições municipais de Natal. Fomos ao segundo turno em 1996 com Fátima Bezerra, mas perdemos todas até o momento.

Em Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo, Extremoz, São José do Mipibu, Nísia Floresta, Monte Alegre e Ceará Mirim poucas candidaturas próprias ao longo da história do PT. Somos frágeis na Região Metropolitana, infelizmente.

Em 2.000 elegemos 03 vereadores em Natal e dois em Macaíba. Já tivemos presença na Câmara Municipal de Parnamirim, de São José do Mipibu e de São Gonçalo do Amarante. Nas demais não elegemos vereadores nesses + de 40 anos. Elegemos vice Prefeitos em Macaíba e em São Gonçalo, o atual Prefeito Eraldo Paiva.

Em 2024 temos um fato diferenciador e extremamente relevante. Fátima Bezerra Governadora do RN e Lula Presidente do Brasil. Nunca esse cenário se colocou diante do Partido dos Trabalhadores. Oportunidade de fortalecer o “modo Petista de Governar”, de colocar em prática projetos, programas de governo e muito acumulo que temos em trabalhos acadêmicos, expressões de movimentos sociais e das experiências parlamentares.

Ainda segundo Eron, “para especialistas em política e eleições, é preciso que os próximos postulantes a gestores, pensem suas cidades de modo sustentável, considerando o cuidado com todos os ecossistemas a fim de garantir uma boa qualidade de vida para todos, especialmente em tempo de insegurança climática”.

Quero, nesse pequeno artigo, chamar a atenção para a ausência uma política permanente, falta de atenção e de articulação da Região Metropolitana da Grande Natal.

Todas essas cidades do conglomerado urbano em torno de Natal, com mais de 1,4 milhões de habitantes, “terão de decidir entre projetos que se repetem historicamente e novos conceitos de gestão [...], colocando comunidades como “sujeito” de seus processos políticos e em constantes movimentos de diálogos e de consultas à sociedade organizada” (Eron Flávio).

Natal vive a décadas com um modelo de assistência dirigida e seletiva. A iluminação pública, os polos carnavalescos, a decoração natalina e os atuais asfaltamentos e melhorias das calçadas são absolutamente dirigidos a uma parte da cidade. A ausência de conexão de redes – um claro direito de cidadania expresso a partir da pandemia – se contradiz com a publicidade da Prefeitura e seus parceiros empresariais. O “embelezamento seletivo da cidade”, torna-se mais sofisticado com os discursos e as práticas de manipulação da opinião pública. Essa, cada vez mais segmentada e apartada.

Essa “apartação” é mais evidenciada quando analisamos a cidade conurbada (Natal + Macaíba + Parnamirim + São Gonçalo + Extremoz). A difícil e penosa travessia sobre o Rio Potengi, soma-se ao péssimo sistema de transportes coletivos, o desemprego, as fragilidades ambientais e de moradia. Tudo fortalece o aumento da violência.

A fragilidade da educação infantil e uma descontinuidade dos serviços públicos na saúde básica, reforçam a importância e a urgência de políticas metropolitanas na Grande Natal. A Região Metropolitana nunca aconteceu, apesar de legislação específica sobre o tema. As cidades se “Uberizaram”. Se encheram de motos, engarrafamentos, acidentes e violências.

Temos um verdadeiro “Porto Seco”, conceito de logística que se aplica perfeitamente a faixa da BR 101 entre Parnamirim e São José do Mipibu. Precisamos redefinir uma logística de distribuição de alimentos, a CEASA está absolutamente insuficiente. Podemos e precisamos potencializar a agricultura periurbana. A produção de frutas, polpas, doces, hortaliças, temperos, mel, leite, pescados, carnes e ovos.

Para a esquerda, os setores democráticos e populares que disputam espaços e projetos, é necessário inverter prioridades. Construir políticas públicas geradoras de cidadania que combatam a miséria, a pobreza e a exclusão social.

Está mais que na hora de investir nas periferias. Na infraestrutura urbana, na qualidade de vida de milhares de pessoas que vivem, trabalham, estudam e deslocam-se muito entre essas expressivas cidades do Rio Grande do Norte. Os orçamentos públicos precisam contemplar as populações excluídas e as classes trabalhadoras

Esse texto, bebendo nas fontes de outras reflexões que tenho publicado no Portal Potiguar Notícias e no texto do professor Eron Flavio, busca estimular o debate que antecede as eleições municipais. Sempre em diálogo entre os partidos da esquerda, a academia e os movimentos sociais.

O PT deverá apresentar, na Região Metropolitana, candidaturas próprias em Nísia Floresta, Ceará Mirim, Parnamirim, Natal e São Gonçalo do Amarante. Um excelente momento para construirmos propostas de políticas públicas metropolitanas, de organizar uma campanha do Partido e da Federação Brasil da Esperança, constituída com o PV e o PcdoB.

Esses Partidos defendem a soberania nacional, o desenvolvimento ambientalmente orientado, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana.

Que venham outros textos e muita luta nesse ano que já se iniciou.

*Hugo Manso é engenheiro mecânico, professor do IFRN e membro da executiva estadual do PT no RN. Foi vereador em Natal em duas oportunidades.

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