Acidente em Pipa terá investigação da Prefeitura de Tibau
Natal, RN 2 de mar 2024

Acidente em Pipa terá investigação da Prefeitura de Tibau

22 de janeiro de 2024
5min
Acidente em Pipa terá investigação da Prefeitura de Tibau
Foto: Polícia Militar/Divulgação

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A Prefeitura de Tibau do Sul instaurou uma comissão própria para investigar a queda, semana passada, do quadriciclo numa falésia, que resultou na morte de uma turista de 31 anos e deixou outra de 29 anos com ferimentos graves. O caso aconteceu na quarta-feira passada (17), entre as praias de Pipa e Sibaúma e a Polícia Civil e a delegacia de Tibau do Sul instauraram um inquérito para investigar as possíveis responsabilidades.

A comissão possui três servidores do Executivo municipal. O grupo foi formado na sexta-feira passada (19), e terá 30 dias para apurar o acidente. Segundo portaria publicada no Diário Oficial dos Municípios do Rio Grande do Norte, a Prefeitura quer saber como ocorreu a tragédia e constatar se o quadriciclo é de propriedade de empresa cadastrada e beneficiária de autorização para prestar o serviço de passeio turístico.

O grupo vai buscar também constatar a existência ou não de responsabilidade da empresa, para aplicação de possíveis penas. Os nomeados foram: 

Rodrigo Barbosa de Sousa, diretor de fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Mobilidade Urbana (Semurbmo); 

Ana Paula França Marinho, fiscal da mesma pasta;

Pablo Kassio Guerra Pereira, diretor geral de Trânsito e Transporte do município.

Estudo comprova risco da erosão costeira em Pipa

Um estudo feito por pesquisadores da UFRN mostrou que desastres na área da praia de Pipa têm ocorrido devido ao inadequado uso e ocupação do solo, além de políticas públicas ineficazes.

O artigo de Luana Raquel Juvino da Silva, Venerando Eustáquio Amaro, Ada Cristina Scudelari e Lívian Rafaely de Santana Gomes Pinheiro foi publicado no ano passado na Revista Brasileira de Geomorfologia. 

O estudo apresenta o mapa de risco à erosão costeira e movimentos gravitacionais de massa para o trecho urbano da praia de Pipa realizado por meio da análise integrada em ambiente de Sistema de Informações Geográficas de dados espaciais do meio físico, pluviométricos, reanálises do regime de ondas e infraestruturas instaladas inadequadamente. 

De acordo com a equipe, os processos erosivos sobre os taludes costeiros são causados, principalmente, pelas fortes chuvas e pela ação direta de ondas na base das falésias. As quedas e tombamentos de blocos têm sido os tipos mais comuns na área de estudo, indicam os pesquisadores.

Na área que se estende da praia da Baía dos Golfinhos à praia do Centro, por exemplo, ocorre intensa aglomeração de banhistas e barracas na faixa de praia. As quedas, tombamentos e deslizamentos de massa são recorrentes nesse setor, segundo o artigo. 

“Um fato que intensifica os processos erosivos, e são comumente empregados por toda a orla marítima, é o escoamento de água pluvial e/ou esgoto das habitações hotéis lançados diretamente na face de praia por meio de tubulações.”

Fonte: Mapa de Risco à Erosão Costeira e Movimentos Gravitacionais de Massa no Litoral Oriental do Nordeste do Brasil: Estudo de Caso na Praia de Pipa/RN

“Apesar dos desmoronamentos constantes, em trechos já sinalizados pela Defesa Civil, tanto a população local como os turistas permanecem utilizando as áreas classificadas como de risco muito alto. Mesmo na praia dos Golfinhos, que possui um difícil acesso e apresenta vários pontos de deslizamentos, nos períodos de baixa-mar permanece repleta de banhistas e comerciantes locais”, constatam os pesquisadores.

Os resultados mostraram o domínio de setores categorizados em risco alto (R3), risco muito alto (R4) e pontos de risco de desastres iminentes, confirmados em visitas a campo. 

O setor de risco muito alto (R4) é o mais próximo da praia. Lá estão locais com frequentes deslizamentos; grau elevado de retração da linha de praia; presença frequente de pessoas; habitações no topo e base das falésias; infraestruturas de escoamento superficial direcionadas às bordas das falésias e praias; além da presença de estruturas de contenção que comumente potencializam o processo erosivo. 

Já o setor de risco alto (R3) está a poucas centenas de metros das bordas das falésias e praias, com algumas áreas de dunas e vegetação remanescentes. Entretanto, possui múltiplos pontos de alagamento e o escoamento superficial e inteiramente direcionado para os setores de risco muito alto (R4), que já causa extensos e largos ravinamentos, quando o fluxo ocorre sobre trecho não pavimentado, o que acelera a perda de solo. 

“Ambos os setores devem ser continuamente monitorados pelos órgãos responsáveis com o intuito de se evitar a deflagração de quaisquer mecanismos específicos de movimentos de massa e, por conseguinte, perdas econômicas e/ou de vidas humanas”, aponta o estudo.

O acidente

As duas mulheres passeavam na região das falésias entre o distrito de Pipa e a comunidade de Sibaúma, quando o quadriciclo em que elas estavam despencou.

A vítima fatal, Ana Carla Silva de Oliveira, de 31 anos, era servidora da Assembleia Legislativa de Roraima. A Casa prestou condolências e solidariedade a familiares e amigos.

Já a outra mulher envolvida no acidente é Larissa Josefa dos Santos Silva, de 29 anos, cunhada de Ana Carla. Ela foi socorrida com vida de helicóptero e encaminhada para o Hospital Walfredo Gurgel, na capital potiguar.

Logo após o acidente, a Polícia Militar acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Polícia Civil e o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep). 

Segundo o delegado Roney Nóbrega, o Itep fez a perícia e recolheu elementos para elaborar um laudo, que será divulgado em breve.

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