Bloco de carnaval de Sagi pede ajuda para tirar a Cobra do buraco
Natal, RN 29 de fev 2024

Bloco de carnaval de Sagi pede ajuda para tirar a Cobra do buraco

18 de janeiro de 2024
5min
Bloco de carnaval de Sagi pede ajuda para tirar a Cobra do buraco
Foto: reprodução Instagram @centroculturalcasade

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Num local paradisíaco em que fica localizada a última praia do litoral sul do Rio Grande do Norte, o Bloco da Cobra do Cabeludo, na comunidade do Sagi, em Baía Formosa, quer continuar existindo e para isso abriu uma vaquinha virtual.

O bloco nasceu há uma década, congregando moradores e turistas. Para Rubens Araújo, coordenador do Centro Cultural Casa de Taipa, que organiza a folia, o bloco representa uma resistência cultural naquele vilarejo. A “Cobra do Cabeludo” reúne artes plásticas, teatro e música.

“Sagi é um vilarejo pequeno, distrito de Baía Formosa, em que praticamente não existe cultura, uma movimentação cultural. Então a gente tenta ser um bastião da cultura, um guardião de tradições, de novidades, de manifestações artísticas”, define.

A origem para o nome da festa guarda uma história curiosa: Cabeludo era um morador da comunidade que morava vizinho ao Centro Cultural. Ele criava uma jibóia dentro do próprio quintal. Sempre que queria se alimentar, o animal saía da toca. Numa dessas, foi parar na rua e sofreu uma ameaça.

“Num desses dias estava passando um casal de moradores, a esposa se assustou e pediu para o marido matar a cobra. E ele disse que não ia matar porque a cobra era do Cabeludo”, conta.

“O Cabeludo agradeceu, criou uma marchinha e sugeriu fazer um bloco. Todo mundo topou, juntou uma galera lá de Sagi, o próprio Cabeludo costurou a cobra, e foi para a rua pela primeira vez em 2014”, afirma Araújo.

Nesta brincadeira, há 10 anos, a Cobra do Cabeludo arrastou a comunidade com uma orquestra de frevo, um estandarte confeccionado em Olinda e, claro, a porta-bandeira. No teatro de rua, havia até uma representação do casal que deu origem ao nome do bloco.

“Tinha um cara vestido de Maria, que tenta matar a cobra com pau, e o “Pareia”, que foi o cara da própria história, que esteve na origem da história impedindo Maria de matar a cobra com pau”, diz.

A cobra do bloco, por sinal, possui 20 metros de comprimento, numa estrutura de metal coberta por chita.

“A comunidade abraça a cobra, adora a cobra, é parceira. Na hora que precisa trocar o “couro” da cobra, a comunidade tá junto costurando a cobra”, aponta Rubens.

Como tudo é gratuito, para que a cobra consiga sair da toca precisa da ajuda financeira de colaboradores. Neste ano, o Centro Cultural Casa de Taipa abriu uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro. Até a tarde desta quinta-feira (18),a arrecadação estava contabilizada em R$ 835, ainda distante da meta de R$ 14 mil. Não há apoio público da Prefeitura de Baía Formosa.

“Já tem dois ou três anos que não tem apoio nenhum. Esse ano, inclusive, eu tentei conversar com a Prefeitura, mas não tive nenhum retorno até agora, entreguei um projeto bem bonitinho, bem acabado, bem escrito explicando a importância dessa década de resistência e como era fundamental a Prefeitura ajudar, mas infelizmente é muito raro o apoio da administração. Já aconteceu no passado, não devo negar, mas faz tempo que eles não valorizam, infelizmente”, lamenta Araújo.

Para acessar a vaquinha, clique AQUI.

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